Adolescência: qual a influência da Fibrose Cística nessa etapa de vida?

Categoria: Coluna Científica - Postador por: Comunicação IUPV - Data: 16 de julho de 2018

A adolescência é uma das etapas da nossa vida onde ocorrem importantes mudanças físicas, cognitivas, sociais e psicológicas. Esse período, que vai dos 12 aos 18 anos, representa a passagem da infância para a vida adulta, isto é, a transformação da criança dependente dos pais no adulto autônomo e muito mais independente. Tudo isto, aliado à complexidade de uma doença crônica como a Fibrose Cística (FC) pode causar diversas implicações nesse momento de transição para o adolescente, sua família e equipe de saúde¹ .

Alguns dos principais efeitos da FC no desenvolvimento podem ser divididos de acordo com as seguintes áreas²:

Biológica:

Psicológica:

Social:

Estudos³ verificaram que existe uma diferença entre os gêneros na influência realizada pela FC, ou seja, as meninas costumam apresentar maiores sensações de tensão e preocupação, menor autoestima e pouca adesão a alguns aspectos do tratamento (por exemplo, tomar medicamentos, seguir dietas hipercalóricas e tossir), pois sentem vergonha diante dos colegas. Por outro lado, a diferença de estatura parece incomodar mais os meninos, podendo levar ao surgimento de comportamentos problemáticos ou de risco.

Para auxiliar na redução desses efeitos e tornar a passagem por esse período mais tranquila, com maior qualidade de vida e bem-estar, sugerimos que os seguintes temas e questões sejam abordados e trabalhados pela família e profissionais da equipe multidisciplinar de saúde⁴:

Sabemos que, independente da FC, a adolescência é um período complexo e recheado de diferentes turbulências. Mas, certamente com amor, carinho, cuidados e muito diálogo ficará mais fácil para o adolescente enfrentar esta fase, mantendo sempre o entendimento do quão importante é seu tratamento, e que fazê-lo adequadamente não é perda de tempo, e sim um importante investimento no futuro.

 

Por Julianna Rodrigues Beltrão, acadêmica do 7º período de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná; secretaria da LAHCS – Liga Acadêmica de Humanização do Cuidado em Saúde; estagiária de Psicologia do Unidos pela Vida – Instituto Brasileiro de Atenção à Fibrose Cística.

Revisão e Complementação: Verônica Stasiak Bednarczuk de Oliveira, psicóloga – CRP 08/16.156, especialista em análise do comportamento, fundadora e diretora geral do Unidos pela Vida – Instituto Brasileiro de Atenção à Fibrose Cística, diagnosticada com FC aos 23 anos de idade.

Referências:

¹ REISINHO, M.; GOMES, B. O Adolescente com Fibrose Cística: Crescer na diferença. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, especial 3, 2016.

² SEGAL, T. Adolescence: what the cystic fibrosis team needs to know. J R Soc Med, v.101, p. 15-27, 2008.  

³ PATTERSON, J.; et al. Gender differences in treatment adherence among youth with cystic fibrosis: development of a new questionnaire. Journal of Cystic Fibrosis, v. 7, p.154-164, 2008.  

⁴ TOWNS, S.; BELL, S. Transition of adolescents with cystic fibrosis from paediatric to adult care. The Clinical Respiratory Journal, 2011.]

Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.

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