As viroses, a escola e a criança com Fibrose Cística

Categoria: Entendendo a Fibrose Cística - Postador por: Instituto Unidos pela Vida - Data: 29 de maio de 2011

A partir do momento em que decidimos mandar nossos filhos para a escola, devemos estar cientes de que eles estarão mais expostos ao contato com as doenças infecto-contagiosas. Isso é natural, faz parte da vida de qualquer criança e não será diferente com criança que tem FC.

Porém, com atenção a alguns detalhes, podemos contribuir com a diminuição da incidência de doenças que para a maioria das crianças são apenas aborrecimentos, mas que no nosso caso podem vir a causar grandes preocupações.

Desde a escolha da escola poderemos tomar alguns cuidados que ajudam a diminuir os riscos:

– Observe se a escola é sensível as necessidades individuais de cada criança, evite as que tratam todas de forma massificada.

– Observe a estrutura física, prefira as escolas com salas de aula mais amplas e arejadas, além de verificar a higienização do local.

– Verifique as condições de banheiros, sanitários e bebedouros;

– Verifique se a escola promove a conscientização dos pais sobre os fatores que favorecem o contágio desnecessário de doenças.

– É importante também mantermos o calendário de vacinação em dia e cobrarmos que a escola cobre isso dos outros. Mas, não podemos esquecer que a escola só poderá cobrar a vacina que consta no calendário padrão do Ministério da Saúde para toda a população e isso não engloba, por exemplo, a vacina contra a gripe, importantíssima para os portadores de FC.

Naturalmente, através do contato tão próximo que existe entre os coleguinhas, diversas doenças serão inevitavelmente transmitidas. Até aí tudo bem, o problema é quando a doença poderia ser evitada e não é.

Em alguns casos, ninguém tem culpa! A criança sai de casa normal e no decorrer do período, na escola, começa a apresentar algum sintoma de doença infecto-contagiosa e os pais são chamados pra levá-la para casa ou para o médico. Isso é natural, a criança já poderia estar provocando o contágio sem que ninguém pudesse perceber. Nesse caso não há responsáveis. Mas, a partir do momento que vejo que meu filho está com alguns sintomas infecto-contagiosos e mando-o à escola, eu estou sendo responsável diretamente pela contaminação e adoecimento de várias outras crianças.

Vejamos um problema bastante comum: os pais que insistem em levar os filhos doentes à escola.

Apesar da orientação das escolas para que os pais deixem as crianças doentes em casa, muitos pais alegando não ter onde deixar seus filhos e acabam deixando nas “mãos” da escola uma responsabilidade que é só deles. Essas pessoas parecem se preocupar muito mais com si mesmas do que com a saúde de seus próprios filhos, o que dirá com a saúde dos filhos dos outros.

Quando nossos filhos têm idade suficiente para compreender as possibilidades de contagio e de como se defender, podemos orientá-los como se comportar nessas situações: lavar sempre as mãos e não compartilhar copos, talheres, suqueiras, garrafinhas d’água. Essas são medidas suficientes para evitar a maioria dos contágios. Quando nossos filhos não conseguem compreender e não nos ajudar a protegê-los então dependeremos bem mais da conscientização da escola e dos pais dos coleguinhas dos nossos filhos.

Durante a epidemia da gripe H1N1, quando as medidas de higiene foram intensificadas em muitas escolas por conta do pânico difundido pelos meios de comunicação, não só os casos de gripe tiveram seus números reduzidos, mas resfriados comuns e infecções como conjuntivites e gastrenterites também tiveram uma forte redução o que nos mostra que com esses cuidados simples, podemos manter nossos filhos afastados desses problemas.

Como pais de crianças com FC, não achamos que devemos nos preocupar muito mais do que as mães das outras crianças, para não corremos o risco de tratarmos nosso filho como ‘o diferente’, afinal de contas, somos todos diferentes e com necessidades diferentes.

O importante, portanto, é cuidarmos da maneira que nos cabe, conscientizar, e permitir que nossos filhos vivam bem e felizes, afinal são crianças de FIBRA!

Por:
Cristiano Silveira – Biólogo (Pai de Portador de FC)

Gabriela Correia – Fisioterapeuta (Mãe de portadores de FC)

Verônica Stasiak Bednarczuk de Oliveira – Psicóloga (Portadora de FC)

Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.

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