Familiares e amigos de pessoas com Fibrose Cística: suas palavras de amor ajudam

Categoria: Depoimentos - Postador por: Comunicação IUPV - Data: 22 de julho de 2019

Em nosso dia a dia, conversamos muito sobre os efeitos negativos das palavras — da linguagem preconceituosa, do abuso psicológico, da repreensão, etc. — mas não falamos o suficiente sobre o poder das palavras nas nossas vidas e na dos outros ao nosso redor, especialmente quando esse outro possui uma doença crônica, como a Fibrose Cística (FC).

Faço questão de apoiar pessoas que foram feridas pelas palavras dos outros. Por exemplo, quando dizem para um homem que ele não pode chorar. Além disso, digo para as mulheres que foram feridas por essa toxicidade que elas merecem mais respeito, e que as palavras que lhes foram ditas de forma irresponsável, não correspondem à verdade.

E é claro que, às vezes, peço para os meus amigos mais próximos para levantarem o meu ânimo quando estou desanimado. Mas, infelizmente, a  sociedade vê essa atitude como um pedido relacionado a vaidade. Por isso, meu pedido às pessoas que amam é que elas expressem o amor que sentem. 

Eu assisti a um vídeo no Facebook que mostrava crianças desprezando uma planta e dando atenção a outra. A planta que recebeu desprezo murchou, e a planta que recebeu amor desenvolveu-se lindamente. 

 É evidente que a dureza tem um efeito misterioso sobre as moléculas vivas. Sabemos que o estresse corrói o nosso corpo e que o espírito alegre está associado à longevidade. Na doença terminal o estresse é inevitável. Mas, e se pudéssemos tratar pelo menos uma das fontes de estresse: o das palavras negativas?

Se você cuida de alguém com Fibrose Cística, vou lhe fazer algumas perguntas importantes: Suas palavras para quem você cuida são antes de tudo amáveis? Ou elas são carregadas de frustração? A doença crônica do seu ente querido coloca você em um estado de mal-humor? Bom, imagine como eles se sentem. Eles não precisam de mais dificuldades transmitidas em forma de palavras negativas .

Quando me vejo em um momento difícil, muitas vezes tento aliviar a situação com minhas piadas sem graça, mas outras pessoas pioram a situação dizendo coisas como: “Isso não é motivo para rir”.  Respostas como essas machucam, porque, no meu caso, eu lido melhor quando posso garantir aos outros que estou bem. Para mim, aquelas respostas soam mais como: “Você precisa ficar com raiva e triste, porque eu estou com raiva e triste”.

É claro que não culpo os cuidadores. A doença crônica pode ser frustrante e todo mundo tem o direito de expressar como se sente. Mas lhe peço que respire fundo antes de descarregar o seu sofrimento em cima de outra pessoa que também está sofrendo.

Eu garanto que é mais provável seu ente querido melhore quando estiver envolto em palavras gentis do que quando estiver se sentindo culpado ou triste por  palavras raivosas. Com esse florescimento virá o fortalecimento da saúde, um sistema imunológico mais poderoso, um espírito firme. Essas coisas são essenciais nas doenças crônicas. O que eu estou pedindo é que  você dê ao seu ente querido com FC um “tratamento especial afetuoso.

Para ajudar com isso, vamos praticar algumas frases agradáveis:

Vamos colocar essa ação em prática. Vá ao encontro do seu ente querido com Fibrose Cística ou ligue para ele. Estou falando sério, faça isso agora mesmo! 

(E se você é uma pessoa com FC, saiba que as suas palavras de amor também ajudam às pessoas que cuidam de você! É um caminho de duas vias). 

Por Brad Dell

Fonte: https://cysticfibrosisnewstoday.com/2018/10/16/cf-caregivers-loving-words-survive/

Traduzido por: Vera Carvalho, voluntária de tradução para o Instituto Unidos pela Vida. Vera é tradutora profissional com especialidade na área científica (carvalho.vera.carvalho@gmail.com).

Revisado por Verônica Stasiak Bednarczuk de Oliveira, Psicóloga (CRP 08/16.156), especialista em análise do comportamento, gestora de projetos sociais, fundadora e diretora do Unidos pela Vida – Instituto Brasileiro de Atenção à Fibrose Cística, membro do Grupo Brasileiro de Estudos em Fibrose Cística, diagnosticada com FC aos 23 anos de idade. Tem 32 anos e é mãe da Helena. Contato: veronica@unidospelavida.org.br 

Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.

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