Da Genética à Terapia Gênica – III Congresso Brasileiro de FC

Categoria: Entendendo a Fibrose Cística - Postador por: Instituto Unidos pela Vida - Data: 04 de setembro de 2010

Dr. Richard Moss (USA)

O Dr. Moss iniciou sua palestra falando no peso do tratamento que pode exigir 2 a 4 horas do dia do paciente.“Se queremos que o paciente tenha uma vida plena conciliando o tratamento com as outras atividades diárias devemos entender as suas dificuldades”.

Falou dos avanços da terapia gênica logo após a descoberta do gene da Fibrose Cística em 1989, mas que devido às dificuldades encontradas, perdeu espaço para outras abordagens. Na terapia gênica é preciso levar em conta o acesso ao organismo, a toxicidade decorrente da resposta inflamatória disparada pelo sistema imunológico em resposta aos vetores e a necessidade de repetição das doses. Estima-se que uma terapia gênica teria que ser repetida a cada 2 a 4 meses, tempo em que as células do epitélio pulmonar se renovam. Ainda assim, as pesquisas com adenovírus recombinantes e com lipossomos ainda seguem em curso destacando o trabalho do Consórcio de Terapia Gênica para Fibrose Cística do Reino Unido que apresentou recentes avanços na identificação de biomarcadores.

Dr. Moss também falou das pesquisas com células tronco no tecido pulmonar que se mostraram promissoras em testes de bancada, mas que encontram-se pouco desenvolvidas.

Sobre a abordagem das pesquisas no tratamento do “defeito básico” destacou o fato de haver pesquisa para todas as classes de mutações do gene CFTR.

Para as mutações da Classe I que correspondem a 5 a 10% dos pacientes do mundo, mas que são muito freqüentes entre o povo judeu (50% dos pacientes judeus apresentam mutações da Classe I), Dr. Moss apresentou um resumo das pesquisas com as drogasmoduladoras, destacando a PTC 124 (Ateluren) atualmente em fase 3 e cujos resultados devem ser publicados ainda em 2011.

Para as mutações da Classe II apresentou a abordagem das terapias corretorasdestacando a droga VX-809 em fase II e que mostrou eficácia no tratamento da mutação ΔF508.

Para a Classe III, apresentou as terapias potenciadoras destacando a droga VX-770 em investigação para o tratamento da mutação G551D (mutação Classe III mais comum nos EUA), mas que deve funcionar também para outras mutação das classes III, IV e V e que também deve ter resultados do ensaio clínico ainda em 2011.

Falou ainda que os dois tratamentos (VX-809 e VX-770) também estão sendo investigados combinadamente e que resultados mostraram a sinergia entre as duas substâncias, potencializando e abrangendo os efeitos para a mutação ΔF508.

Para as abordagens “by-pass” destacou o ensaio com Denufosol que encontra-se em fase 3 com 352 pacientes de 62 centros diferentes e parece ser mais eficiente naqueles pacientes com doença moderada (que apresentam VEF1>75%). O Denufosol tem efeito sobre o canal cálcio-cloreto (CaCC), provocando a umidificação das vias aéreas, evitando o acúmulo de secreções e a conseqüente fixação das bactérias.

Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.

 

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