Depoimento | O dia em que me senti A ATLETA! Por Thaise Oliveira

Categoria: Equipe de Fibra - Postador por: Instituto Unidos pela Vida - Data: 14 de janeiro de 2014

thaise“Caminhar, correr ou qualquer outro tipo de ação que faça você se movimentar. Tem gente que gosta de faxina, lavar louças, roupas… tem maluco pra tudo né, mas eu ainda prefiro correr, e há pessoas que me chamam de maluca por sair por aí, correndo sem rumo.

Morar em uma cidade pequena nem sempre foi uma tarefa fácil, então criei artifícios para não parecer uma maluca correndo pelas ruas. Resolvi ir para ir para uma pista de terra que fica em volta de um estádio. Como nossa imaginação é algo muito interessante, posso até pensar que estou numa pista de atletismo com marcações e arquibancada, quem sabe até pessoas acenando e gritando para eu ir mais rápido.

Eis que num belo dia, aconteceu uma situação engraçada, vesti minhas meias enormes, meu tênis colorido, coloquei meu frequencímetro e fui pro tal estádio com instalações invejáveis. Fiz meu aquecimento e como uma boa pessoa educada que sou, cumprimentei algumas pessoas ao meu redor que estavam caminhando ou correndo.

Sempre que corro, começo lentamente e vou aumentando o ritmo aos poucos. Nesse dia me deparei com uma conhecida que estava caminhando com um grupo e tomei a liberdade de brincar e chamá-la para correr, no bom estilo mineiro de fazer um convite formal: -Bora, bora… vamo, vamo (fazendo sinal com as mãos para que ela me acompanhasse). Ela então me respondeu com uma frase que dalí por diante não me deixou correr mais sossegada: -Não, não, a atleta aqui é você (HEIN??? Atleta??)

Continuei minha corrida e a cabeça a mil, pensando como ela poderia ser tão boba de pensar isso de mim. Eu?? Atleta?? Claro que não, pensa bem, a única coisa de diferente eram minhas meias enormes e aquele tênis colorido, foi isso que ela achou “bacaninha” e fez uma média me chamando de atleta, estava explicado.

Mas como uma boa mineira e virginiana questionadora que sou, não terminei aquela conversa comigo mesma por ali, e fiquei observando ao meu redor o que se passava, vi pessoas caminhando, vi um cara correndo com todo seu vigor masculino e vi crianças brincando. Foi onde comecei a me comparar, passei ao lado das mulheres caminhando e percebi que eu era mais rápida que elas, passei pelo cara correndo e não fui muito bem, ele foi mais rápido, mas no fundo bem no fundo sei que acompanhei ele em algum momento (Arrãm, tô quase lá!), e nesse ponto onde minhas comparações se instalaram, percebi que realmente eu poderia ser essa tal Atleta, pois tudo depende do ponto de comparação, né? Ou Melhor depende do ponto de partida, ou do ponto de vista, ponto de ebulição, ponto do bolo, ponto da calda (Tô ficando maluca?? Tô não), Tudo tem um ponto até o bolo, a calda, e na corrida também é assim chega um momento que você chega no seu ponto de conforto, descobre o seu tempo ideal, seu pace, e é ali que você se sente a Atleta, no fundo a tal menina que eu pensei ser maluca estava certa. Eu sou realmente esse treco de Atleta aí, no meu ponto, no meu tempo, com a minha distância, mas eu sai de casa, eu me movimentei, eu saí do conforto e passando por cima de todas as teorias negativas que algum dia me disseram, hoje sei que de fato ser uma atleta já faz parte da minha rotina.”

(Thaise tem Fibrose Cística e participa ativamente da Equipe de Fibra do Instituto Unidos pela Vida, inspirando muitas pessoas!)

Depoimento enviado para a equipe do Instituto Unidos pela Vida por e-mail por Thaise Oliveira.
Este relato tem cunho informativo. Não pretende, em momento algum, substituir ou inferir em quaisquer condutas médicas. Em caso de dúvidas, consulte sua equipe multidisciplinar.

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