Breve discussão sobre a relação da depressão e a Fibrose Cística na adolescência

Categoria: Coluna Científica - Postador por: Comunicação IUPV - Data: 18 de fevereiro de 2019

Para muitas pessoas, a depressão não existe ou é sinônimo de algo banal, como a falta do que fazer. Mas, na verdade, ela é uma doença mental que afeta diariamente milhares de pessoas no mundo inteiro.

Ela é considerada a doença do século XXI, mas ainda é vista como um  tabu pela população. A depressão não escolhe etnia, condição social ou sexo, atingindo desde crianças até idosos. Mas aí você se pergunta: qual a relação da depressão com a Fibrose Cística?

As pessoas com FC não estão livres de ter outras doenças, entre elas, os transtornos mentais. A saúde mental é fundamental para o enfrentamento da condição e a adesão ao tratamento como um todo.

Durante a infância, a criança com Fibrose Cística pode ter dificuldade para entender o que significa a doença e seu tratamento. Na maioria das vezes, a criança realiza o tratamento para conseguir ganhar alguma recompensa, como doce ou brincadeiras, mas não sabe que o tratamento é fundamental para cuidar da saúde e evitar outros danos no futuro.

Depois da infância, tem início a adolescência, onde tudo começa a mudar. Nesse momento, a capacidade de compreensão da doença também se altera. As mudanças no corpo, as limitações causadas pela doença e a relação com outros adolescentes, torna esse período ainda mais delicado.  

O período da adolescência para as pessoas  com FC é considerado o mais difícil, porque o adolescente adquire para si a responsabilidade de boa parte do seu tratamento, além de lidar com os conflitos existentes nessa fase. Conforme se processa o entendimento sobre a doença, podem surgir também os questionamentos sobre os porquês de se ter uma doença genética e crônica, dando razão ao aparecimento das fases de inconformidade e revolta.

Muitos adolescentes acabando vendo o tratamento como algo desgastante, difícil, ou uma perda de tempo e vão abandonando aos poucos. É compreensível que em algum momento exista a vontade de desistir de tudo, afinal, quem nunca, em um determinado momento da vida, não quis desistir de algo também? Mas o fato é que a FC é uma doença progressiva, que depende de uma rotina de cuidados e tratamento para maior qualidade de vida. Desistir do tratamento pode ser um primeiro sintoma da depressão.

A depressão é uma doença que deve ser tratada. Para isso, é importante ficar atento aos sinais que indiquem a desistência do tratamento, desinteresse pelos demais temas da vida, isolamento social e afetivo, tristeza constante. Os pais devem comunicar à equipe multiprofissional de FC se notarem mudanças de comportamento, de atitudes, de humor, e principalmente, no cuidado com a doença.

Nessa situação, o indicado é que o adolescente e sua família recebam os cuidados de um psicólogo. Ele é o profissional habilitado para tratar das questões emocionais, não excluindo as outras demandas do tratamento. O processo de psicoterapia é um momento individual da pessoa, um lugar acolhedor, onde ela será amparada e ouvida para que, junto com o profissional, seja possível definir estratégias para o enfrentamento e a adesão ao tratamento, tornando a pessoa um sujeito mais independente e capaz de viver com qualidade, apesar da doença.

Por outro lado, a adolescência com FC não deixa de ser o início do processo de independência, escolha da profissão, escolhas amorosas e o fortalecimento dos laços de amizade. A adolescência é um processo de construção para a vida adulta. Neste período, é muito importante que os pais, familiares e os profissionais da equipe ofereçam o suporte necessário para que o adolescente se sinta seguro nessa nova fase da vida.

Por: Tainá Fiabani, portadora de Fibrose Cística, Psicóloga formada pela Universidade de Passo Fundo e Pós-graduanda em Dependência Química pela Faveni.

Revisão: Angelita Wisnieski da Silva – Graduada em Psicologia pela Universidade Estadual de Maringá (2007), especialista em Psicologia Hospitalar pela Faculdades Pequeno Príncipe de Curitiba (2010). Atualmente é Psicóloga do Hospital Infantil Pequeno Príncipe, atuando também no Ambulatório Multidisciplinar de Fibrose Cística. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Psicologia Hospitalar. É colunista do Instituto Unidos pela Vida. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2752479201165366.

Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.

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