Cuidados com a Fibrose Cística na Escola: 8 fatores que você precisa saber

Categoria: Notícias - Postador por: Comunicação IUPV - Data: 15 de fevereiro de 2019

Os cuidados com uma criança que tem Fibrose Cística (FC) envolvem diversos aspectos do seu tratamento, como por exemplo o uso de enzimas, realização de exercícios físicos e fisioterapia respiratória, além de cuidados para evitar contaminações de bactérias que podem se transformar em infecções.

Esses cuidados devem ser realizados em todos os contextos da criança, inclusive na escola. Por isso, é extremamente importante que a equipe pedagógica conheça a doença e seu tratamento, para auxiliar o aluno da melhor forma possível, garantindo que a experiência escolar seja proveitosa para todos.

Para ajudar os pais e professores, O Unidos pela Vida lançou a série “Voltas Às Aulas com Fibrose Cística”! No primeiro texto, contamos algumas informações importantes que todos os professores devem saber. E neste novo texto, trazemos dicas de como ajudar uma criança com FC no dia a dia da escola.

1- Alimentação e Enzimas

Dependendo da manifestação clínica, a FC pode afetar o funcionamento do pâncreas e, por isso, a criança pode precisar de suplementos enzimáticos para ajudar com a digestão dos alimentos. As cápsulas de enzimas devem ser tomadas sempre antes das refeições, de acordo com a orientação médica / nutricional. Converse com os pais sobre a necessidade de tomar as enzimas, quantas cápsulas precisam ser administradas e a forma de armazenamento correta.

Além disso, a maioria das crianças com FC podem precisar de uma alimentação hipercalórica para auxiliar no seu crescimento e evitar infecções. Caso sua escola já tenha um programa de dieta, converse com a família e a equipe multidisciplinar para saber quais adaptações serão necessárias, ou se o que está previsto já é suficiente para a alimentação da criança.  

2- Exercícios Físicos

Sabe-se que a  prática de atividade física é essencial para todas as pessoas, e ainda mais importante para as pessoas com FC!  Os exercícios ajudam a soltar o “muco” que fica acumulado nos pulmões; fortalece os músculos utilizados para a respiração; contribuem para a melhora na autoestima, além de inúmeros outros benefícios! Além disso, brincadeiras como pega pega, bola, esconde esconde também podem ser “exercícios físicos” disfarçados, além de muito divertidos! Se a criança tiver autorização, de acordo com a sua condição clínica,  incentive-a a se exercitar o máximo possível, lembrando sempre da hidratação e de que há a possibilidade de que eles se cansem mais facilmente por causa das dificuldades respiratórias.

3- Necessidades Fisiológicas

Às vezes, por conta da dificuldade de absorção de gorduras e nutrientes, as crianças com FC  precisam ir no banheiro mais frequentemente, e por vezes de maneira repentina. . O ideal é estabelecer um combinado, para que a criança possa sair da sala quando precisar, e sem precisar dar explicações que possam constrangê-la na frente dos colegas.

As fezes da criança com a doença podem ter um odor mais forte, devido aos problemas pancreáticos causados pela doença. Alguns alunos podem ficar envergonhados com essa situação, então, ter um banheiro com privacidade ou com purificadores de ar pode ajudar.

4- Fisioterapia

Geralmente, as crianças com FC farão sua fisioterapia respiratória antes ou depois da escola. Mas para algumas crianças, pode ser necessário realizar as técnicas na escola. Se for o caso, os pais ou o profissional responsável irá informar qual a forma de realizar os procedimentos.

Uma ótima sugestão para as escolas são as brincadeiras ou brinquedos de sopro, como balões, apitos, cornetas, línguas de sopro. Essas são ótimas ideias para ajudar com essa parte do tratamento e encorajam as crianças pequenas a realizar uma inspiração profunda, enchendo os pulmões de ar e depois soltando. Essa estratégia ajuda a eliminar as secreções, promove maior entendimento da respiração e melhora a função pulmonar.

5- Infecções

As pessoas com FC devem evitar entrar em contato com germes como bactérias, vírus e fungos, causadores de doenças. Para evitar essa contaminação, é importante ensinar bons hábitos de higiene para todos os alunos, como lavar as mãos com água e sabão e usar álcool em gel. Quando outra criança estiver resfriada, os cuidados devem ser dobrados: tentar manter a ventilação da sala e usar usar tecidos quando espirrar, tossir ou assoar o seu nariz, evitando contato com as pessoas com FC.

Algumas crianças com FC podem ter bactérias que não causam mal para outras pessoas, mas podem ser passadas para outras pessoas com a doença. Por isso, caso a escola tenha mais de um aluno com a condição, é importante que eles fiquem em salas separadas e evitem o contato físico.

6- Antibiótico

A grande maioria das pessoas com FC precisa fazer uso de antibióticos regularmente para tratar ou prevenir infecções. Usualmente, o uso será oral, mas pode ser necessário o acesso intravenoso. Os antibióticos orais devem ser armazenados em local apropriado na escola e administrados com a supervisão de um adulto, sempre no horário prescrito.

Se uma criança tem um acesso intravenoso, e receber autorização médica ela frequentar a escola normalmente, é preciso cuidar para manter o acesso seco e, de preferência, enfaixado. Nestes casos, porém, o ideal é que a escola verifique todos os cuidados que precisam ser tomados.

7- Faltas

Na maioria dos casos, as pessoas com FC precisam ir à consultas  frequentemente. . Elas também podem ter alguns períodos de ausência por causa de complicações, ou até pela necessidade de internamentos hospitalares. O professor responsável pode preparar atividades extras para que a criança recupere o conteúdo escolar perdido nesse período e possa acompanhar a turma no seu retorno, evitando que o aluno fique defasado, impactando seu desenvolvimento e sua autoestima.

8- Aspectos Psicológicos e Sociais

Geralmente, é na escola que a doença passa a ser reconhecida pela criança, ou seja, que ela percebe que tem rotinas diferentes dos colegas, especialmente com relação ao tratamento e sintomas de menor peso/altura e tosse frequente. Diante disso, é comum surgirem comportamentos de vergonha, isolamento ou redução da adesão ao tratamento, como deixar de tomar as enzimas na frente dos colegas, o que pode trazer efeitos negativos para a doença e qualidade de vida.

É importante que os professores e membros da equipe pedagógica fiquem atentos à esses sinais e ensinem informações adequadas à faixa etária sobre a doença para a turma. Assim, o aluno vai se sentir acolhido e confortável com sua situação.

Lembre-se que cada criança (com ou sem FC) é diferente. Por isso, é importante conversar com os familiares e profissionais de saúde para saber as necessidades específicas do aluno, permitindo que a experiência na escola seja a melhor para todos!

Por: Julianna Rodrigues Beltrão, acadêmica do 9º período de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR); presidente da Liga Acadêmica de Humanização do Cuidado em Saúde (LAHCS); estagiária de Psicologia do Unidos pela Vida – Instituto Brasileiro de Atenção à Fibrose Cística.

Revisão: Verônica Stasiak Bednarczuk de Oliveira, psicóloga – CRP 08/16.156, especialista em análise do comportamento, fundadora e diretora geral do Unidos pela Vida – Instituto Brasileiro de Atenção à Fibrose Cística, diagnosticada com FC aos 23 anos de idade.

Referência: Cystic Fibrosis Trust. Cystic Fibrosis here for schools. 2016. Disponível em: https://www.cff.org/Life-With-CF/Daily-Life/CF-and-School/.

Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.

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