Mães com Fibrose Cística discutem saúde na gravidez, parto e amamentação

Categoria: Coluna Científica - Postador por: Comunicação IUPV - Data: 06 de dezembro de 2018

Estamos de volta essa semana com a segunda parte das entrevistas, realizadas por Luisa Palazola, com as mães que tem Fibrose Cística (FC). Desta vez vamos discutir sobre o impacto da gravidez, do parto e da amamentação na saúde! (Você pode conferir o post com a primeira parte das entrevistas, clicando aqui)

Fibrose Cística e Gravidez

Gillian Mocek: “Como esperado, o açúcar no meu sangue estava em todo lugar durante a gravidez. Eu precisava de mais insulina para as refeições e realizei exames de açúcar no sangue mais frequentes… Na verdade, eu tive o maior o nível de função pulmonar em alguns anos”.

Janeil Whitworth: “No geral, a gravidez foi boa para minha saúde. Minha função pulmonar aumentou quase 10% e ganhei peso facilmente. Minha Diabetes relacionado à Fibrose Cística (DRFC) piorou, mais isso é esperado na gravidez.”

Colette Riddle: “Como eu não frequentava um centro de FC naquela época, não tenho ideia de como a gravidez afetou minha função pulmonar. No entanto, durante a minha primeira gravidez, eu fui testada para diabetes gestacional e tive que tomar insulina algumas vezes antes do parto. Foi depois da gravidez, que minha função pulmonar foi impactada; por causa da necessidade de cuidar de um recém-nascido e de mim mesma com FC”.  

Tamara Jimison: “A gravidez foi, no geral, boa para mim. Eu fiquei doente e tive um agravamento em torno da 22ª semana de gravidez e isso exigiu antibióticos e um internamento em hospital. Minha diabetes relacionada à Fibrose Cística (DRFC) era relativamente estável, eu tive mais baixas do que normalmente tenho, o açúcar no sangue estava normal e eu tive grande controle sobre isso porque sabia que tudo o que eu fazia estava afetando não apenas a mim, mas também ao meu filho. Meu nível de açúcar na verdade caiu para 5,3 enquanto eu estava grávida e eu tive o melhor controle sobre minha DRFC desde sempre.”

Parto e Fibrose Cística: Cesárea ou Vaginal?

Gillian: “Eu queria tentar um parto vaginal sem epidural (anestesia), apesar disso tentei estar com a mente aberta para o que fosse necessário. Meu corpo respondeu bem a ter o parto induzido e tive a sorte de ter um trabalho de parto fácil. Antes, eu estava muito preocupada com minha respiração durante o parto, mas eu não me lembro de tossir enquanto empurrava ou em todo o processo. O parto não é fácil para ninguém, mas não parece ter sido um peso na minha saúde com FC. As mudanças pelos hormônios e no meu corpo em geral foram mais intensas do que eu esperava.”

Janeil: “Eu tive um parto rápido e sem medicação – menos de quatro horas depois que a minha bolsa estourou. O parto foi incrível e eu usei oxigênio apenas para empurrar. Eu nunca me senti tão forte e orgulhosa por ter FC.”

Colette: “Eu tive uma cesárea porque minha filha (primeiro nascimento) estava de nádegas. Meu filho também foi por cesárea, porque minha médica não realizava parto vaginal após cesárea e não recomendava por causa da FC. Ela sentia que era muito arriscado. Minha preferência era ter minhas crianças por parto normal e não por cesárea. O método do parto afetou minha habilidade de tossir. Após alguns dias eu pude tossir sem sentir extrema dor.”

Tamara: “O parto não foi um peso na minha saúde enquanto eu estava em trabalho de parto ou durante a possibilidade de parto vaginal. Eu não precisei de oxigênio e não tive problemas para respirar ou me senti cansada, apesar de estar acordada por mais de 15 horas. Eu acho que a cesárea em si era um peso porque você está sendo cortada e a possibilidade de infecção está sempre no seu pensamento. É assustador, você sempre se preocupa e torce para que nada aconteça por causa disso”.

Fibrose Cística e Amamentação

Gillian: “Antes do meu filho nascer, eu esperava ser capaz de amamentar, mas novamente, não queria forçar se não estivesse bem. Eu tentei imediatamente e peguei o jeito em alguns dias. Me senti apoiada por minha equipe de FC para tentar, porque eles ajustaram a minha dieta para amamentar. Agora eu vejo menos as formas em que meu corpo é defeituoso e muito mais o quão forte e poderoso ele realmente é.”  

Janeil: “É demorado, então sim, é difícil amamentar várias vezes e ter a certeza de que você está cuidado de si mesma. Eu tive que usar medicamentos intravenosos duas vezes desde que meu filho nasceu e tem sido um momento difícil porque estou muito cansada. A amamentação é física e mentalmente exigente. É possível fazer, mas exige comprometimento real!”   

Colette: “Minha escolha tem sido e sempre será pela amamentação. Eu acho que é muito importante para nossos bebês terem nutrientes naturais da maneira que Deus criou nossos corpos para isso. Eu sou muito abençoada por ter amamentado meus dois bebês. Eu amei que meu filho me segurou e eu pude amamentá-lo e dar carinho tão perto o tempo todo. É um vínculo que nunca vou esquecer.”

Tamara: “Era difícil administrar a amamentação e não era ao mesmo tempo. Ser uma mãe nova e não dormir o suficiente, tiveram mais impacto sobre mim do que a amamentação. A única coisa que tive dificuldade foi comer o suficiente, acabei perdendo muito peso por causa disso.”

Fonte: PALAZOLA, L. CF Mamas Discuss Pregnancy Health, Delivery and Breastfeeding. Cystic Fibrosis News Today. 17 de agosto de 2018. Disponível em: https://cysticfibrosisnewstoday.com/2018/08/17/cf-mamas-discuss-pregnancy-health-delivery-breastfeeding/

Tradução: Julianna Rodrigues Beltrão, acadêmica do 8º período de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná; secretária da LAHCS – Liga Acadêmica de Humanização do Cuidado em Saúde; estagiária de Psicologia do Unidos pela Vida – Instituto Brasileiro de Atenção à Fibrose Cística.

Revisão: Verônica Stasiak Bednarczuk de Oliveira, psicóloga – CRP 08/16.156, especialista em análise do comportamento, fundadora e diretora geral do Unidos pela Vida – Instituto Brasileiro de Atenção à Fibrose Cística, diagnosticada com FC aos 23 anos de idade.

Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.

Você vai gostar também...

Newsletter

Assine o nosso boletim informativo mensal. Clique aqui