Depoimento Ruggieria Costa – Aprendendo com a Fibrose Cística

Categoria: Depoimentos - Postador por: Comunicação IUPV - Data: 12 de fevereiro de 2019

Por Ruggieria da Costa e Silva

Depois de 4 meses do diagnóstico do Enzo, hoje estou aqui para dizer como me sinto e acredito que não sou apenas eu que me sinto assim. Nossos dias não são fáceis. Filhos nos sugam, exigem muito de nós e quando temos um salgadinho, esse nosso trabalho se multiplica. Somos nós que controlamos tudo: horários das medicações, inalações, consultas, exames e tudo mais.

Acredito que cada um se organiza da sua forma. Cada um sabe como tornar tudo mais fácil, e dessa forma, conseguir fazer tudo que essa rotina nos impõe. Há dias em que a noite chega e tenho a sensação de que eu não fiz nada, mas todo esse trabalho é compensado quando colocamos nossos filhos na balança e vemos que eles ganharam peso, quando olhamos para eles e vemos que a respiração não está cansada.

Nossos dias não são fáceis. Entre tantas tarefas, cuidados e preocupações, acabamos esquecendo de nós mesmos. Na verdade, em alguns momentos, acabamos sendo esquecidas. Esquecemos de nós e, na verdade, também acabamos sendo esquecidas.

E nos momentos em que somos lembradas, infelizmente, somos julgadas pelos erros e às vezes até mesmo pelos acertos. As pessoas esquecem de nos olhar nos olhos e ver que por trás dessa mãe que está em pé e lutando com tantas emoções,  sentimentos e questionamentos, existe fragilidade, medo, angústia… Existe uma mãe que ora todos os dias pedindo forças para Deus, porque as suas estão esgotadas.

É muita pressão e muitos julgamentos. Quanto tudo vai bem, ninguém diz nada, mas se algo sai fora do eixo, julgam. Nós sabemos que a Fibrose Cística não é como um “dodói”, que sara quando lavamos com água e sabão. Mesmo seguindo o tratamento a risca, há dias difíceis e, nesses momentos, somos julgadas até mesmo por aqueles que nos amam e que, de alguma forma, tentam nos ajudar. Acabam jogando seus pesos em nós, como se já não tivéssemos carga o suficiente para carregar.

Hoje, tenho consciência de que a Fibrose Cística sempre será parte de nós e a certeza de que essa doença jamais será o limite de tudo aquilo que podemos ser. Entendo que precisamos de flores em nossos caminhos, prosa gostosa com café no fim de tarde, que precisamos rir de coisas banais. Precisamos, no meio dessa nossa realidade, termos a oportunidade de sorrir para a vida. Não precisamos que tenham pena de nós, e sim que vejam quanta luz, fé e esperança carregamos. Que vejam como somos fortes quando encaramos médicos, remédios e exames que muitas vezes são dolorosos aos nossos filhos. Mesmo com o coração acelerado e lágrimas nos olhos, estamos ali. Não sei como, mas estamos ali, em pé. Fortes!

Como eu aprendi nesses 4 meses. Quanta maturidade espiritual, discernimento e sabedoria a Fibrose Cística tem me dado. Ser mãe de fibra não é uma tarefa fácil, mas hoje, tenho serenidade e paz no coração de que é a missão mais linda que Deus me confiou. Para Ele, só peço forças para continuar, pois tenho plena convicção que por trás de uma mãe forte, sempre haverá filhos dispostos a lutar. Para todas as mamães de fibra, desejo força, fé e esperança. Que todas nós sejamos gratas por essa missão tão importante que nos foi confiada.

Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.

Você vai gostar também...

Newsletter

Assine o nosso boletim informativo mensal. Clique aqui