Depoimento Matt Barrett: Maratona da Med City e Fibrose Cística

Categoria: Depoimentos - Postador por: Comunicação IUPV - Data: 18 de junho de 2019

Em qualquer situação, todos concordamos que correr uma maratona é um desafio. Lembrando, é um desafio de 42 km. Agora pense enfrentar esse desafio tendo Fibrose Cística (FC).

A FC é uma doença genética, causada pela alteração na proteína CFTR. Essa alteração faz com que toda a secreção seja mais espessa que o normal, dificultando sua eliminação. Os principais sintomas da doença são pneumonia de repetição, tosse crônica, diarreia, pólipos nasais, dentre outros que não são exatamente favoráveis para um corredor de longa distância.

Nesse contexto, encontramos Matt Barrett, ele tem 32 anos, e foi diagnosticado com FC aos 9 meses de idade. Matt encontrou uma forma de lidar com os aspectos negativos da doença e afirma “Eu não me considero alguém com FC que corre, mas sou corredor que tem FC”.

Barrett cresceu em Monroe, Wisconsin e começou a correr para entrar em forma para o basquete. “Foi então que percebi que era muito bom nisso”. Ele frequentou a Universidade de Minnesota, onde ele correu nas modalidades de pista e cross country e foi um dos top 10 no Big Ten Cross Country em 2009.

“Eu estou correndo desde o ensino médio”, disse ele. “Os médicos me disseram que correr ajudaria a melhorar minha expectativa de vida. Eu sei que a FC não tem cura, mas isso não significa que ela deve ser um limite”, completou ele.

Barrett venceu a 24ª Maratona Scheels Med City com o tempo de 2:29.16, passando o segundo colocado Andemariam Hagos de Rochester em mais de 10 minutos. Mas não foi fácil e Barrett estava lutando no final. “O trajeto da corrida não foi fácil para mim e os últimos quilômetros foram muito difíceis”, disse ele. “Eu estava fazendo o meu melhor apenas para manter meu corpo de pé”.

Barrett já completou três maratonas, mas nenhuma nos últimos quatro anos. Recentemente, ele tem lidado com algumas lesões relacionadas à corrida: um quadril ruim, joelhos doloridos e um problema de TI (ligamento da banda iliotibial).

“Eu não tenho estado 100% já faz um tempo, então essa maratona foi tudo sobre ver onde e como eu estou”, disse ele. “Eu precisava ganhar? Provavelmente não, apenas terminar a prova já foi uma grande vitória”.

O grande dia

Em termos de temperatura, o domingo estava quase perfeito, 10 graus às 7 da manhã e melhorando ao longo da prova. O clima estava perfeito, considerando que no ano anterior, as temperaturas extremamente altas forçaram o cancelamento da maratona, e também das outras corridas e revezamentos. Uma meia maratona teve de ser feita no lugar.

“As primeiras milhas foram relativamente planas, mas o vento começou a soprar na minha cara”, disse Barrett, “eu achei o curso difícil, tinha mais colinas do que eu esperava. No final, eu estava tendo um pouco de dificuldade”.

Agora, depois da vitória na maratona, Barrett afirma “vou conversar com meu treinador e vamos decidir qual o próximo plano. Minha meta é me qualificar para os testes da maratona olímpica nos EUA”. Em 2010, faltaram 18 segundos. E em 2014 e 2015, na Maratona de Chicago, ele terminou quatro minutos além do recorde olímpico com tempo de 2:19.

Fibrose Cística

Com relação à FC, Jess, a esposa de Barrett afirmou “Se há uma coisa que o Matt quer dizer, especialmente para os pais de uma criança com FC, é mantenha eles ativos. Envolva eles em esportes e outras atividades físicas. Sabemos que a FC não tem cura, mas é possível viver com qualidade de vida”.

O casal corre juntos 160 km por semana. “Matt tem uma história inspiradora para contar” disse Jess. “Ele é muito dedicado e certamente nem sempre é fácil para ele”.

Enquanto isso, Hagos, o segundo colocado, que é enfermeiro na Clínica de Mayo, disse que estava liderando até a marca de 25 km, quando Barrett se aproximou e assumiu a liderança definitivamente. Ele também terminou em segundo lugar na meia maratona ano passado. Ele estava preparado para correr toda a maratona, mas ela foi reduzida por causa das altas temperaturas.

“Esta foi apenas a minha terceira maratona completa, mas o meu melhor tempo”, disse ele. “Eu fiz outras duas e a de Boston, e terminava com o tempo de 2:42”. Barret conclui que “Eu nunca pensei que gostaria disso (correr), mas agora acho que gosto muito”.

Fonte: CHRISTIAN, Paul. Med City Marathon: Cystic Fibrosis won´t stop him. Post Bulletin. 26 de maio de 2019. Disponível em:
https://www.postbulletin.com/sports/localsports/med-city-marathon-cystic-fibrosis-won-t-stop-him/article_9c5299ec-802e-11e9-8a95-cf1a96fc2836.html.

Tradução: Julianna Rodrigues Beltrão, acadêmica do 9º período de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR); presidente da Liga Acadêmica de Humanização do Cuidado em Saúde (LAHCS); estagiária de Psicologia do Unidos pela Vida – Instituto Brasileiro de Atenção à Fibrose Cística.

Revisão: Verônica Stasiak Bednarczuk de Oliveira, psicóloga – CRP 08/16.156, especialista em análise do comportamento, fundadora e diretora geral do Unidos pela Vida – Instituto Brasileiro de Atenção à Fibrose Cística, diagnosticada com FC aos 23 anos de idade.

Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.

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