Palavra da Diretora Geral e Fundadora do Instituto, Sra. Verônica Stasiak Bednarczuk de Oliveira, 30 anos,
Psicóloga, diagnosticada com Fibrose Cística aos 23 anos.

“Falar de como tudo começou e ver onde chegamos é sempre emocionante…

conheca-historia-blogueira-veronica-stasiak-portadora-fibrose-cistica-whEm outubro de 2009, durante mais um dos meus inúmeros internamentos ao longo da vida para tratar outra grave pneumonia, tive um sonho em uma das noites no hospital. No sonho, estávamos em um campo verde, muito bonito, falando sobre a importância do ar que respiramos, pois só damos valor à algo quando perdemos.

Naquela noite, eu respirava com a ajuda de aparelhos há quase dois meses, e estava sentindo muita falta do ar que comumente respirava sozinha.

Quando acordei deste sonho, imediatamente anotei-o. Com as mãos trêmulas pela quantidade de medicamento que eu estava tomando, tentei ao máximo registrar tudo o que conseguia lembrar. A partir daquele momento, nascia o projeto “Respirando com Amor”. Tão logo saí do hospital para continuar o internamento em casa com “home care”, comecei a conversar com alguns pacientes que dividiam a sala da Reabilitação Cardio Pulmonar no Hospital de Clínicas comigo e eu já pensava nos primeiros eventos deste grupo, e no primeiro encontro em um campo verde, tal qual havia sonhado.

O que eu não sabia ainda era que este sonho tornaria-se uma realidade linda para mim, e para muitas pessoas.

Dias depois, voltei ao hospital com uma grave pancreatite, que desencadeou uma necrose parcial do meu pâncreas, originando inclusive uma pancreatite crônica. Fiquei arrasada, pois estava começando a retomar minhas atividades profissionais, deixando aos poucos o cilindro de oxigênio de lado, e estava muito feliz com o início do projeto Respirando com Amor. Neste internamento, conheci mais um “anjo de branco”, dentre tantos que já haviam passado pela minha vida. Ele apareceu de jaleco branco, e um crachá que revelava seu nome: Dr Marlus Moreira, à quem devo todo meu respeito, admiração e gratidão.

Quando este “anjo de branco” entrou no meu quarto do hospital, minha mãe começou relatar minha jornada hospitalar de 23 anos, intercalada entre UTI´s, centros cirúrgicos, cilindros de oxigênio e diagnósticos imprecisos.

Ouvindo tudo atentamente, Dr Marlus associou que minhas inúmeras pneumonias ao longo da vida, a retirada de duas partes do pulmão direito, a retirada da vesícula, aquela tosse interminável, infecções de repetição e agora a pancreatite teriam um nome: Fibrose Cística.

Saí do hospital uma semana depois, dois dias depois de completar 23 anos no hospital – com direito à festa e tudo! –  e fui realizar o Teste do Suor que ele havia solicitado. O valor de referência era 60, e meu resultado deu 199. E foi assim que, depois de 23 anos de muita luta, dúvidas e medos, descobrimos enfim o que eu tinha.

O susto e o medo trocaram de lugar com a luz no fim do túnel e com a possibilidade aparente de poder usufruir de um diagnóstico correto e de um tratamento adequado. Porém, trouxeram a dúvida: quantas pessoas podem viver, neste exato momento, assim como eu vivi tantos anos?

Retomava neste momento o projeto “Respirando com Amor” e transformava-o em “Unidos pela Vida”, unindo-me à tantas vidas que instituto-unidos-pela-vidaprecisavam desta informação e que deveriam saber o que é a Fibrose Cística e como buscar ajuda.

Foram dias e mais dias pensando, estruturando, angariando parceiros, estudando e definindo o que poderia ser efetivamente útil a sociedade.

Comecei com “blog” na internet que rapidamente ganhou espaço e credibilidade das “Pessoas de Fibra”, como carinhosamente chamamos as pessoas com Fibrose Cística e seus familiares. Conheci parceiros, hoje indispensáveis, e ingressamos em todas as redes sociais (Facebook, Twitter, Orkut, Redes de Mobilização Social, Redes Nacionais de Voluntariado), facilitando assim a divulgação da doença e unindo cada vez mais pessoas de fibra do Brasil e do Mundo. Descobrimos que além de todas as questões vividas pelas pessoas com FC e seus familiares em sua dura rotina de tratamento, há uma restrição de contato físico entre pacientes, evitando a contaminação cruzada de bactérias, justificando também a forte atuação do Instituto no âmbito virtual.

Em Novembro de 2011, o grupo informal foi transformado em ONG que, após a nossa Assembleia Geral Constituinte, fomos devidamente regulamentados e registrados como Instituto Unidos pela Vida.

Hoje, 5 Anos depois de sua fundação oficial, o Unidos pela Vida é um Instituto Brasileiro de Atenção à Fibrose Cística, desenvolvendo nacionalmente projetos ligados à comunicação, suporte, educação, incentivo à atividade física e desenvolvimento de organizações sociais que também atuem com FC. Acreditamos que ATENÇÃO é o ato de conceder carinho e cuidados, sempre com boa vontade. É estar atento globalmente à um tema, em nosso caso a Fibrose Cística. É manter-se atento à quem quer que precise da nossa ajuda, e fornecê-la com carinho, a qualquer tempo. É ter disposição para ouvir a angústia do outro e delicadeza para acalmá-lo, informando, orientando, ajudando. É estar atento à tudo o que precisa ser melhorado e não medir esforços para tal, executando tudo sempre com transparência e profissionalismo. É manter-se sempre atento e unidos por muitas vidas!

Você pode conhecer todos os nossos projetos clicando aqui!

E pode acessar todos os nossos Relatórios de Atividades, Transparência e documentos clicando aqui!

“A Fibrose Cística é parte do que somos, não o limite do que podemos ser.”

Sinta-se a vontade por aqui. Este espaço é nosso! E, obrigada por compartilhar deste sonho conosco.”

Carinhosamente,
Verônica Stasiak Bednarczuk de Oliveira
veronica@unidospelavida.org.br | 41 99636-9493 | 41 3114-7750

*Verônica é casada e seu maior sonho agora, além de ver o Instituto voar longe, é ser mãe! É psicóloga, especialista em análise do comportamento, gestora de projetos sociais certificada pela APMG Internacional, fundadora e diretora geral do Instituto Unidos pela Vida, membro do Grupo Brasileiro de Estudos de Fibrose Cística e palestrante.