O meu sonho de ser pai | Por Kyle Cole

Instituto Unidos pela Vida - 27/06/2016 11:00

“O que você quer ser quando crescer?”A maior parte das crianças de 5 anos responderia “bombeiro” ou “médico”. Mas quando a minha mãe me perguntava isso, eu respondia “quero ser pai”.
Desde muito pequeno ouvi que seria difícil ter filhos, por eu ter Fibrose Cística. Mas, mesmo depois de receber essas notícias, nunca pensei que não constituiria uma família. Essa alternativa simplesmente não existia para mim! Mesmo sendo novo, eu sabia que teria uma criança para levar para a pescaria e para os jogos de baseball.
Crescer com FC me ensinou a ser resiliente, positivo e forte nos momentos difíceis. Esses são os traços fundamentais que foram enraizados dentro de mim quando eu comecei a lidar com a doença. Eu gostaria, acima de tudo, de passar esses valores para um filho. Não há benção maior do que ter a oportunidade de educar uma criança, e no fundo eu acho que já sabia disso quando a minha mãe fez aquela pergunta aos 5 anos.
Eu ainda não tenho filhos. Eu e minha esposa estamos começando uma longa jornada rumo à esse objetivo. Existem muitos obstáculos e aspectos a serem considerados quando o assunto é ter uma criança.
O maior desafio para nós é que a gravidez não poderia vir de forma natural. A FC diminui a fertilidade de quase 98% dos homens, o que torna praticamente impossível ter uma criança da maneira convencional. Porém, através do processo de fertilização in-vitro ainda tenho chances de ter um filho biológico.
A fertilização in-vitro é um processo lento e caro. É uma decisão discutida entre vários médicos e especialistas. As pessoas me perguntam o tempo todo “que tal adotar?”. Isso é algo que eu e minha esposa também estamos considerando. Porém, o grande motivo para eu querer ter um filho biológico é o fato de eu sempre ter ouvido que isso não seria possível. Se você combinar esse detalhe com o fato de eu ser apaixonado por crianças, uma receita de determinação é criada.
O maior obstáculo de todos surgiu quando eu fiquei sabendo que os medicamentos que vou precisar tomar (para sempre) por causa do meu transplante duplo de pulmão vão me impedir completamente de ter filhos. Alguns deles são realmente perigosos para o bebê. Depois de falar com o meu médico, ele disse que — se eu quisesse — poderia deixar de tomar os medicamentos por um curto período, até a minha esposa engravidar.
Essa é uma decisão perigosa. Apesar de existirem outras alternativas se você for informado antes de fazer um transplante, eu não soube delas até que já fosse tarde. Por exemplo: se um homem com FC decide ter um filho antes do transplante, ele pode congelar os espermas para que o procedimento seja feito no futuro. Se eu tivesse recebido essa dica antes do transplante, teria feito exatamente isso. Eu espero que esse seja um tópico discutido entre o transplantado e o médico sempre!
Não posso voltar no tempo para mudar essas coisas, mas sinceramente espero que essa informação seja útil para outras pessoas. Tudo que sei agora é que estou animado para um dia trocar fraldas, acordar no meio da noite, ler histórias na cama e dar beijos de boa noite. Cada vez que ultrapassamos um obstáculo estamos mais próximos de ouvir os choros na sala de parto!
 
 

https://www.cff.org/CF-Community-Blog/Posts/2016/One-Thing-I-Wish-I-Knew-Before-My-Double-Lung-Transplant/

(Kyle e Sua prima Emma, com quem gosta de dedicar algum tempo!)


 
Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.
Texto original aqui.
Traduzido por Laís Graf, Jornalista, fundadora do Alaia Content (www.alaiacontent.com.br).
 

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