Obesidade: a consequência da má alimentação em adultos com Fibrose Cística

Categoria: Coluna Científica - Postador por: Comunicação IUPV - Data: 27 de fevereiro de 2019

Adultos com Fibrose Cística, quando comparados com pessoas sem a doença, tem pior qualidade de alimentação e maior acúmulo de gordura. Esses problemas estão diretamente relacionados à elevada ingestão de açúcar e aos altos níveis de glicose em jejum. É o que indica o estudo “Tecido adiposo visceral está relacionado com má qualidade na dieta e maior glicose em jejum em adultos com Fibrose Cística”, publicado no Journal of Cystic Fibrosis.

A nutrição insuficiente é conhecida por piorar a evolução da FC. Os nutricionistas indicam que as pessoas com FC sigam uma dieta rica em calorias e gorduras para atingir o índice de massa corporal (IMC) saudável, porém, os efeitos a longo prazo dessa alimentação em adultos com FC ainda são desconhecidos.

Os casos de pessoas com intolerância à glicose e com Diabetes relacionados à FC têm aumentado entre os adultos com a doença. Você pode entender mais sobre esse assunto, clicando aqui.

Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Emory, nos Estados Unidos, querendo investigar esses novos casos, analisaram a qualidade da alimentação e a distribuição da gordura em pessoas com FC, em comparação com indivíduos sem a condição. Eles também observaram como esses fatores estão relacionados com os níveis de glicemia em jejum (quantidade de açúcar no sangue) e função pulmonar.

O estudo envolveu 49 participantes, incluindo 24 adultos com FC (de 18 a 50 anos de idade) e 25 indivíduos sem a condição, com idades parecidas. Todos com FC tinham insuficiência pancreática, que é a produção deficiente de enzimas digestivas do pâncreas.

A qualidade da dieta dos participantes foi avaliada usando o Healthy Eating Index 2015. Os indicadores variam de 0 a 100, sendo que 100 indica uma ótima qualidade. A composição corporal e a distribuição de gordura foram avaliados por absorciometria de raio-x de dupla energia, uma técnica melhorada de tecnologia de raios-x.

Pesquisadores descobriram que adultos com FC tiveram valores de qualidade de alimentação muito mais baixos do que pessoas sem a doença. Isso significa que eles têm maior ingestão de açúcar adicionado, ácidos graxos trans e grãos refinados e menor consumo de fibra total e grãos integrais.

As pessoas com FC tiveram uma maior média de energia total (2.673 kcal / dia) em comparação com indivíduos sem a condição ​​(1.914 kcal / dia). Ou seja, eles consumiram, em média, 136% da ingestão recomendada para as necessidades diárias de calorias.
Ao analisar a glicemia, 46% dos participantes tinham diabetes relacionado à FC e 25% tinham intolerância à glicose. Os participantes da FC tinham níveis aumentados de glicose em jejum comparados com indivíduos sem a doença, o que significa uma desregulação da produção de glicose ou resistência à insulina no fígado.

A medida para determinar o estado nutricional adequado em pessoas com FC é alcançar ou manter um IMC específico. No entanto, de acordo com os pesquisadores, confiar apenas no IMC causa algumas limitações, pois não diferencia a massa corporal magra e gordurosa, ou a distribuição da gordura corporal.
Os pesquisadores descobriram que as pessoas com FC tiveram aumento do acúmulo de tecido adiposo visceral (VAT), e em homens foi maior do que nas mulheres. O IVA pode causar a síndrome metabólica e doença cardiovascular na população geral. Curiosamente, os pesquisadores viram que o aumento do IVA em pessoas com FC foi associado com a ingestão de açúcar e maior glicemia de jejum.

Não foram observadas diferenças no IMC, massa gorda total e massa corporal magra entre adultos com FC e indivíduos sem a condição. A função pulmonar, avaliada apenas naqueles com FC, mostrou uma relação com a massa corporal magra, sem gordura.

Os resultados sugerem que, em comparação com indivíduos sem a doença, adultos com FC têm dietas de baixa qualidade e maior quantidade de VAT, ligados com níveis mais altos de glicose em jejum.

Este estudo destaca a “importância de cuidar com a qualidade da alimentação e avaliar a composição corporal e distribuição de gordura na população com FC”, escreveram os pesquisadores.
“Estudos maiores e de longo prazo são necessários para determinar se a distribuição de gordura corporal e a ingestão alimentar estão relacionados aos resultados clínicos, e se eles identificam melhor os indivíduos com FC em risco de outras doenças e fornecem medidas para futuras intervenções”, acrescentou a equipe.
Por isso, caso você tenha FC ou seja familiar de alguém com a condição, saiba que é muito importante cuidar da dieta, sem exagerar nos alimentos hipercalóricos, e sempre seguir a orientação de profissionais. Dessa forma, é possível evitar outras doenças, como a obesidade e diabetes, e ter uma melhor qualidade de vida.

Fonte: INACIO, P. Poor Diet Quality Linked to Body Fat Distribution in Adults with Cystic Fibrosis, Study Shows. Cystic Fibrosis News Today. 5 de fevereiro de 2019. Disponível em:https://cysticfibrosisnewstoday.com/2019/02/05/poor-diet-quality-linked-to-body-fat-distribution-in-adults-with-cystic-fibrosis-study-shows/.

Tradução: Julianna Rodrigues Beltrão, acadêmica do 9º período de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR); presidente da Liga Acadêmica de Humanização do Cuidado em Saúde (LAHCS); estagiária de Psicologia do Unidos pela Vida – Instituto Brasileiro de Atenção à Fibrose Cística.

Revisão: Verônica Stasiak Bednarczuk de Oliveira, psicóloga – CRP 08/16.156, especialista em análise do comportamento, fundadora e diretora geral do Unidos pela Vida – Instituto Brasileiro de Atenção à Fibrose Cística, diagnosticada com FC aos 23 anos de idade.

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