Projeto Fisio Verão leva pessoas com Fibrose Cística para a praia e estimula a prática de atividades físicas

Categoria: Notícias - Postador por: Comunicação IUPV - Data: 04 de fevereiro de 2019

Em 2006, pesquisadores do hospital Royal Prince Albert Hospital, na Austrália, descobriram que a água salgada é incrivelmente eficaz na hidratação do revestimento dos pulmões, permitindo que as pessoas com Fibrose Cística eliminem possíveis bactérias nocivas. O estudo mostrou que quem tinha a doença e praticava atividades na praia, como o surfe, tinha uma saúde melhor do que aqueles que não praticavam, com menos infecções pulmonares por ano e menores quedas na função pulmonar.

Pensando nisso, a Anna Lúcia, fisioterapeuta do Centro de Referência em Fibrose Cística da Bahia do Hospital Otávio Mangabeira, criou há 12 anos o projeto Fisio Verão. O objetivo do projeto, que acontece uma vez ao ano, é estimular que pessoas com Fibrose Cística pratiquem atividades físicas na praia e que os pais se sintam motivados e confiantes em levar suas crianças para atividades físicas no mar.

“Começamos a observar que as pessoas com Fibrose Cística daqui não iam para a praia porque tinham receio de agravar seu problema pulmonar. Com base nos estudos que mostraram o quão importante é o uso da inalação salina para a higiene brônquica, buscamos alterar essa realidade e incentivar a prática de exercícios na praia. O artigo que mostrou que o surfe melhora a qualidade de vida de quem tem a doença foi um verdadeiro divisor de águas. No momento que o aluno realiza a atividade, além de trabalhar a musculatura torácica, há também a inalação do ar salino, ajudando na limpeza pulmonar”, ressalta Anna.

Crescimento do projeto

O projeto Fisio Verão começou na praia de Ondina, com um número pequeno de pessoas com Fibrose Cística sem colonização e com a saúde estável. Com o passar do tempo, o grupo foi ganhando força, crescendo e o interesse das pessoas também aumentou. Os pais passaram a levar seus filhos para a praia com mais frequência e o número de praticantes de atividades físicas na praia ficou cada vez maior.

“Passei a buscar escolas de surfe de Salvador que poderiam ser parceiras do projeto e encontrei a escola de surfe Armando Daltro na praia de Piatã. Toda a equipe foi super receptiva e há seis anos participam do Fisio Verão conosco. Isso ajudou no crescimento do projeto. Hoje, temos cada vez mais pessoas com Fibrose Cística interessadas nas atividades que realizamos. Por isso, fazemos uma convocação para selecionar as pessoas estáveis que poderão participar”, explica Anna.

Há risco de contaminação?

A Anna já apresentou os resultados do projeto em vários congressos pelo Brasil. Em um deles, ela foi questionada sobre a possibilidade de contaminação cruzada entre as pessoas com Fibrose Cística que realizam a atividade.

“Pelo que avaliamos, o risco de contaminação é pequeno, considerando que as atividades são realizadas em um ambiente aberto e ventilado. Além disso, as aulas são feitas de maneira individual e os alunos permanecem em uma distância segura um do outro. Tem muito espaço, muito vento batendo e até o momento não percebemos nenhum problema relacionado a isso”, afirma.

Rompendo barreiras

As fisioterapeutas Sheyla Haun e Valdivia Alves, além da equipe técnica do Centro de Referência, uniram-se ao projeto e perceberam que muitos adultos com Fibrose Cística tinham receio de utilizar a prancha. Por isso, fecharam uma parceria com um educador físico que une o surfe com a prática do pilates.

“Ele faz posições de pilates na prancha e, dependendo da condição da pessoa, também leva isso para o mar. Há um trabalho bacana de alongamento, posicionamento e posturas básicas do pilates adaptadas para o ambiente da praia. Notamos que os familiares gostaram bastante e, nesses momentos, todos são incluídos na atividade. Essa parceria fez com que mais adultos participassem e perdessem o medo de fazer parte do projeto”, conta Anna.

O Núcleo de Fibrose Cística da Bahia (NFC-BA) participa, apoia e acompanha de perto o projeto Fisio Verão há seis anos. De acordo com o vice-presidente do NFC-BA, a continuidade do projeto é fundamental para a melhora na qualidade de vida das pessoas com Fibrose Cística da Bahia.

“A prática de atividades físicas é de grande eficácia para os portadores de Fibrose Cística, promovendo bem-estar físico e mental, melhorando a função respiratória e aumentando a independência, a autoestima e a socialização de quem participa do projeto. Observamos o bem que a fisioterapia e o mar fazem aos nossos guerreiros de fibra, e com o apoio  e competência da escola de surfe Armando Daltro e do Fábio, professor de pilates, a atividade é um sucesso cada vez maior a cada ano que passa”, afirma Cristiano.

Por Kamila Vintureli

Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.

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