Depoimento – Zoraide Bezerra Gomes

Categoria: Depoimentos - Postador por: Comunicação IUPV - Data: 24 de junho de 2019

Meu nome é Zoraide Bezerra Gomes. Eu tenho Fibrose Cística, 36 anos e minha vida é um milagre. Publiquei um eBook no ano passado para compartilhar a minha história com a doença, especialmente, com outras pessoas que tenham doenças graves e que estejam passando por uma situação tão crítica quanto a que passei há anos. 

Caso queiram conhecer um pouco da minha história, meu eBook “Respirando Sonhos: A História do Meu “Pequeno” Milagre” está disponível no site da Amazon. Acho que vocês vão rir e chorar bastante. Basta clicar aqui e ir para o site.

Foi uma grande peregrinação até se diagnosticar a Fibrose Cística. Isso somente ocorreu quando eu tinha 14 anos de idade. Minha sorte foi que a doença, inicialmente, não se manifestou em mim de forma muito grave e que o meu pâncreas não foi acometido (talvez por isso houve tanta dificuldade para se fechar um diagnóstico).

Minha primeira internação hospitalar ocorreu em 1997 e foi um sucesso. Quando tive alta, eu e minha família chegamos a pensar que eu havia sido curada, pois o resultado foi realmente impressionante. Mas, com o passar dos dias, os sintomas foram reaparecendo aos poucos. 

Fiquei fazendo fisioterapia diariamente numa clínica e me mantive bem por um bom tempo. No entanto, não lembro por que razão, não foi mais possível permanecer com o tratamento fisioterapêutico e então eu precisaria fazer a fisioterapia sozinha ou com a ajuda da família em casa. Aí, já viu, eu teria que ser uma adolescente muito bem disciplinada para fazer tudo direitinho! Não deu certo. Eu só fazia às vezes e mal feita. Enrolava a minha mãe dizendo que tinha feito e tentava enrolar as médicas também. 

Obviamente, mesmo que eu me esforçasse muito, jamais uma fisioterapia feita em casa por nós mesmos ou por nossos parentes vai chegar aos pés de uma feita por um bom profissional. Digo isto por experiência própria, pois hoje sou paciente de Homecare e sou atendida diariamente por excelentes fisioterapeutas.

Com o passar dos anos, a doença foi se agravando, tanto pela sua tendência natural quanto por causa das minhas grandes negligências. Cheguei a precisar me internar de cinco em cinco meses e sempre de urgência. 

Meu estado de saúde, que já não estava bom, foi se agravando ano a ano e os internamentos foram se tornando cada vez mais frequentes, até que, no início de 2005 (aos 22 anos de idade), recebi indicação de transplante pulmonar. Isso, obviamente, significava que eu não tinha mais muito tempo de vida. 

Apesar do momento bastante delicado que eu estava passando, me sentia na obrigação de não desmoronar porque não queria ver as pessoas que eu amava sofrendo por minha causa. No livro, eu conto que eu tenho um segredo para não me deixar capturar pelas “garras” dos meus problemas e me manter a uma certa distância deles. Isso foi fundamental para que eu não me deixasse sucumbir. 

Depois de muita insistência da minha família e de grandes amigas, fui convencida a ir a Porto Alegre fazer uma avaliação para poder entrar na fila de transplante pulmonar. De fato, constatou-se a necessidade do procedimento, no entanto, por razões que explico no eBook, eu optei por não fazer o transplante. Mas, para a surpresa da medicina, tive uma melhora no meu estado clínico nos anos seguintes e continuo viva até hoje (14 anos depois), apesar dos meus exames continuarem péssimos como antes. Portanto minha vida é um milagre e eu gostaria de compartilhar isso com vocês!

É importante dizer que, apesar de todas as minhas limitações, eu sempre tentei levar a vida o mais próximo possível da normalidade. Em muitos momentos, prejudiquei o meu tratamento tentando ter uma vida “normal”, mas aos poucos fui aprendendo a conciliar a minha vida com a doença. Fiz faculdade de Ciências Econômicas e depois Mestrado em Economia Regional, me casei e, junto com o meu marido, adotei um lindo cachorro e duas belas meninas que nos dão muito trabalho e muito amor. Não falo sobre eles no eBook que mencionei, mas publiquei dois livros falando deles: “Adoção: De Repente Mãe” e “Como chegar numa casa e nunca mais sair dela: Se o meu cachorro pudesse falar”.

Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.

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