Entrevista Dr. Luiz Fernando Dale, Especialista em Reprodução Humana

Instituto Unidos pela Vida - 08/05/2017 17:00

Dr-Lui-Fernando-Dale-medicoConfira a entrevista que o Cristiano Silveira, biólogo, pai de um menino com Fibrose Cística e presidente da Associação Carioca de Assistência à Fibrose Cística – ACAM RJ, realizou com o Dr. Luiz Fernando Dale, ginecologista especializado em reprodução humana.

Cristiano Silveira: É sabido que cerca de 99% dos homens com FC são estéreis. Por que isso acontece e como o paciente pode comprovar se é ou não capaz de ter filhos?

Dr. Dale: O que ocorre na Fibrose Cística, não é a falta de espermatozoides, mas a ausência do canal deferente que leva os espermatozóides do testículo ao exterior. Ele produz mas não sai. O exame físico do paciente demonstra a ausência do canal.

Cristiano Silveira: No caso da infertilidade, quais são as opções de tratamento?

Dr. Dale: A fertilização in vitro com coleta do espermatozoides diretamente do epidídimo. Os espermatozoides  colhidos servirão para fecundar os óvulos. E os embriões após o estudo genético , transferidos para o útero.

Cristiano Silveira: Uma preocupação grande é quanto a possibilidade de gerar filhos com FC. Como prevenir isso?

Dr. Dale: A doença é provocada por uma alteração no DNA do cromossomo 7. Cada ser humano tem 23 pares de cromossomos. Um deles vem do pai e o outro vem da mãe. Se apenas um dos cromossomos tem a alteração, o individuo é chamado de portador , não apresentando a doença na forma completa. Se os dois cromossomos possuem a alteração, a doença se coloca na forma completa.

A esposa ira fazer o exame para detecção de mutações no gene da Fibrose Cística, pois ela pode ser portadora e não doente. Isto é, poderia ter um dos alelos afetados. Se ela for normal podemos ir adiante com o tratamento de fertilização in vitro , pois o filho seria portador ou não. Se a esposa tem a mutação, teremos que realizar um exame genético no embrião de laboratório para avaliarmos se ele é portador, ou doente. Apos a seleção, transferimos o embrião que não terá a doença.

Cristiano Silveira: Quais são os custos desses tratamentos?

Dr. Dale: Em torno de R$ 30 mil.

Cristiano Silveira: São normalmente cobertos pelos planos de saúde?

Dr. Dale: Não.

Dr. Luiz Fernando Dale: formado em 1976, no Rio de Janeiro, fez especialização em ginecologia na Pontifícia Universidade Católica. Em 1978/80, especializou-se em Medicina da Reprodução, pela Universidade de Paris V, e trabalhou neste período como assistente do Professor Jean Cohen, no Hôpital de Sèvres, também em Paris.

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Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.

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