Alan Phillipsen: A Fibrose Cística me deu força para conquistar meus objetivos

Categoria: Notícias - Postador por: Comunicação IUPV - Data: 26 de setembro de 2019

Alan Phillipsen nasceu em Toledo, no Paraná, e foi diagnosticado com Fibrose Cística quando tinha 3 anos de idade. Após quebrar a perna enquanto jogava bola, Alan precisou se afastar do esporte por um tempo. A lesão foi séria e a sua saúde prejudicada pela ausência da prática esportiva. O cenário acabou trazendo problemas maiores que apenas a perna quebrada e as complicações causadas pela Fibrose Cística tornaram a necessidade de realizar o transplante uma realidade.

Após quase um ano na fila de espera para o transplante, em 15 de setembro de 2017, Alan finalmente recebeu a tão esperada ligação “Temos um doador”. O procedimento foi um sucesso e ele conseguiu voltar a realizar atividades físicas e praticar o esporte que sempre amou: o futebol!

Apesar de encontrar no futebol a prática esportiva que mais lhe agrada, Alan não teve medo de enfrentar novos desafios em outros esportes. Após o convite para participar dos IX Jogos Latino-americanos para Transplantados de Salta, na Argentina, ele iniciou os treinamentos para outra modalidade: o atletismo. Resultado? Duas medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze na competição.

“Antes de realizar o transplante eu já tinha como objetivo me manter no esporte de alguma maneira. Como não consegui ser jogador profissional, tentei fazer faculdade de Educação Física. Tudo para permanecer na prática esportiva. Com o transplante, meu objetivo era seguir nesse caminho. Eu fiquei sabendo sobre os Jogos Latino-americanos e sobre o Mundial e simplesmente coloquei na minha cabeça que precisava fazer tudo certo e que tudo precisava ocorrer bem para que eu pudesse participar dessas competições. Os jogos chegaram na minha vida antes do transplante. Eles vieram como uma inspiração. Sempre que pensava no transplante eu já pensava em ir além de apenas respirar bem e viver normalmente. Eu queria algo a mais. Eu queria participar dessas competições e agora que vivi a experiência em Salta e também tive a oportunidade de participar dos Jogos Mundiais de Newcastle, não quero parar por aqui”.

Desde o diagnóstico da Fibrose Cística, Alan e sua família sempre seguiram com o tratamento da melhor maneira possível. “Eu sabia desde pequeno que eu precisava manter uma rotina de tratamento com os medicamentos, nebulização, além das internações, limpezas diárias e fisioterapias. No meu caso, depois do transplante, ficaram as enzimas e os imunossupressores, mantendo a rotina que eu já sigo desde pequeno, só que com uma qualidade de vida muito melhor. Agora eu não preciso ficar correndo para o hospital, não existem mais internações ou milhares de medicamentos. É um alívio”. 

Quando perguntado sobre o que falaria para o Alan que viveu a angústia da espera por um doador compatível, ele respondeu: “Diria para aquele Alan seguir no mesmo caminho com determinação, porque Deus está preparando coisas muito boas para o seu futuro. Diria que esse tempo de espera agoniante que ele está vivendo vai passar e que vai conseguir algo muito melhor lá pra frente”.

Para Alan, a Fibrose Cística nunca foi uma barreira para realizar as atividades que mais gostava. “Eu sofria muito com a tosse, com o cansaço e todo mundo me perguntava porque eu apresentava esses sintomas. Na minha cabeça, era como se eu não tivesse a doença. Eu nunca aceitei o diagnóstico como uma dificuldade ou algo que me limitaria. Eu não gostava de me passar por coitado e tentava me manter o mais normal possível. Meus amigos jogavam bola e eu jogava junto normalmente. Para mim, quanto mais a gente se restringe das coisas, pior é. Se seguir nesse caminho você acaba ficando paranóico, descuidando da mente e o resultado disso é a falta de ânimo para o tratamento da Fibrose Cística. Tudo que eu via as outras pessoas fazendo eu sabia que eu podia fazer também e nunca deixei de fazer nada por causa da Fibrose Cística. Eu não deixava de brincar, não deixava de correr, de brincar com meus amigos. Para eles, sempre deixava claro que eu não tinha limitações, apenas um pouco mais dificuldade que eles, mas faria da mesma forma. O diagnóstico não me fez perder nada. A Fibrose Cística chegou na minha vida apenas para acrescentar, para me dar forças que me ajudaram a conquistar grandes metas até agora e que me ajudarão no futuro também”. 

Alan transformou as dificuldades apresentadas pela Fibrose Cística em força para enfrentar os obstáculos da vida. E o transplante foi um deles. “Desde o diagnóstico da Fibrose Cística, eu fui obrigado a lutar e ser um pouco mais forte que as outras pessoas. E isso me ajudou muito na época em que fiquei na fila do transplante. Meu histórico tornou esse período mais fácil de suportar. Eu sabia que seria difícil, mas a minha vida toda foi difícil. Eu sabia que aquela era apenas mais uma barreira que eu ia superar, como superei todas as outras”. 

A decisão de optar pelo transplante está longe de ser tranquila. Muitos medos e dúvidas passam pela cabeça de quem precisará realizar o procedimento. Para superar essa angústia, Alan focou na possibilidade de voltar a jogar futebol e se inspirou em outras pessoas que realizaram o transplante de pulmão e tiveram bons resultados. 

“Antes de entrar para a fila do transplante, eu conversei com o Dr. Camargo e ele me perguntou qual seria a primeira coisa que eu faria após o procedimento. Sem pensar muito, respondi ‘Eu quero voltar a jogar bola’. Ele me disse que eu voltaria a jogar e a confiança dele me deu a certeza de que eu conseguiria aquela cirurgia, que eu voltaria a jogar futebol. Além disso, durante o tempo que fiquei esperando um órgão compatível, eu vi duas pessoas com Fibrose Cística sendo transplantadas – o Gabriel e a Kátia. A recuperação fantástica que eles tiveram me inspirou também. Eu sempre pensava ‘Se eles têm o mesmo problema que eu e conseguiram, também vou conseguir’. Isso me deu muita força”.

A equipe multidisciplinar que acompanha a pessoa com Fibrose Cística acaba fazendo parte do dia a dia de todos, inclusive dos familiares. Por isso, uma boa relação com esses profissionais é essencial. E Alan e sua família sempre tiveram o melhor suporte e tratamento de todas as pessoas que os acompanharam desde o diagnóstico.

“Desde pequeno fui tratado pela fisioterapeuta Andressa e pelo pneumologista Norberto. Eles me acompanharam até os 18 anos e viram toda a minha evolução. Depois dos 18 passei para outra médica. Foi nessa mudança que minha saúde piorou e a busca por opções que me ajudassem a melhorar diminuíram. Quando fomos para o Rio Grande do Sul, conhecemos a equipe de reabilitação da Santa Casa e a doutora Isabela. Ela foi um anjo que me ajudou muito. Quando tudo parecia perdido, quando eu estava com pneumonia, internado e parecia que nada me ajudaria, ela não desistiu de mim e juntos conseguimos reverter o quadro”.

Alan conta que a indicação para o transplante foi feita pela Dra. Isabela. “Quando comecei a consultar com a Dra. Isabela ela recomendou que eu utilizasse o oxigênio porque minha saturação e função pulmonar estavam baixas. Eu não sentia isso, mas foi o que os exames indicaram. Utilizar o oxigênio foi uma barreira para mim. Durante três meses pensei se conseguiria seguir por esse caminho e quando voltei para uma nova consulta ela me deu a opção do transplante. E aí veio outro baque. Voltei para casa, pensei por dois meses e resolvi entrar na fila. A grande verdade é que a Dra. Isabela abriu novas portas e opções que me ajudaram a passar por mais essa dificuldade”.

A dificuldade para respirar foi algo que acompanhou Alan por muito tempo. Após o transplante, esse obstáculo desapareceu. “Eu sempre comparo a falta de ar com aquela sensação que sentimos quando levamos uma bolada no estômago. Na hora, a dificuldade para respirar é muito grande e quando passa sentimos aquele alívio. Antes do transplante, eu sentia uma bolada no estômago diariamente e o tempo todo. Depois do transplante a respiração fica normal e a gente volta a correr, subir escada, fazer tudo que fazia antes. A espera para finalmente sentir esse alívio foi agoniante. Quando comparo com outras pessoas, que ficam anos na fila, percebo que minha espera de quase um ano foi pequena. Eu vi muitas pessoas partindo, pessoas que não aguentaram esperar e em certos momentos tive medo de que órgão nunca fosse chegar. É agoniante, mas depois que acontece, vale muito a pena”. 

As conquistas  em Salta nos Jogos Latino-americanos foram apenas um reflexo da decisão do Alan que o acompanhou desde o diagnóstico: nunca vou me limitar! “Alguns médicos queriam me restringir de muitas coisas e diziam “você tem Fibrose Cística, então não pode fazer isso porque algo ruim pode acontecer”, mas eu não permitia que isso me limitasse. Por sorte, outros profissionais que cuidaram de mim me incentivaram a fazer tudo que eu gostava: viajar, jogar futebol e praticar esportes. Minha família sempre me incentivou a romper barreiras, a não deixar que a minha doença me limitasse. E foi o que eu fiz”. 

A Fibrose Cística é parte do que somos, não o limite do que podemos ser!

Por Kamila Vintureli

Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.

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