Depoimento – Marindia Cecchetti Lahm

Categoria: Central de Conteúdo - Postador por: Comunicação IUPV - Data: 15 de dezembro de 2020

A equipe do Unidos pela Vida – Instituto Brasileiro de Atenção à Fibrose Cística entrevistou a Marindia Cecchetti Lahm, de 30 anos e diagnosticada com fibrose cística tardiamente, aos 14 anos. Na época ela morava na cidade de Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, mas o diagnóstico foi realizado por meio do Teste do Suor em Goiânia/GO.

Receber o diagnóstico mudou completamente a rotina da Marindia e de toda a sua família. A partir daquele momento, toda a rotina de consultas, exames e tratamento foi iniciada para que ela tivesse mais qualidade de vida.

“Desde esse momento minha vida passou a ser recheada de cuidados com a saúde. Todos os dias eu acordo, tomo um café bem reforçado e inicio a rotina de tratamento com uso de enzimas e medicamentos. Faço nebulização e a fisioterapia respiratória e sigo com minha rotina de trabalho em casa. Essas etapas se repetem durante o dia e, conforme o resultado da minha avaliação de oxigenação, também utilizo oxigênio”.

Marindia sabe da importância de se ter uma rede de apoio no cenário da fibrose cística. Ela afirma que seus amigos e familiares lhe dão todo o suporte que necessita para realizar todos os aspectos relacionados à fibrose cística e também seus sonhos e objetivos de vida.

“Sem dúvidas a minha rede de apoio é formada por meus familiares e amigos. Eles estão sempre se informando sobre a minha rotina e de olho nas informações para poder me ajudar. Além disso, minha família sempre fortalece a fé e a perseverança junto comigo”.

Formada médica veterinária desde 2013, Marindia trabalha na área desde sua formação e atua principalmente na área clínica e cirúrgica de pequenos animais.

“Em 2015 eu abri uma clínica veterinária, mas acabei fechando em abril de 2020. Confesso que a época da faculdade não foi um período fácil. Além dos internamentos e várias medicações que precisava tomar em meio a rotina universitária, eu sempre precisava levar o nebulizador para os estágios. Caminhava longas distâncias com o equipamento na mochila, foi difícil, mas valeu muito a pena. Eu me formei na profissão que sempre sonhei e consegui me destacar na área. Porém, em 2020, tive que parar de trabalhar porque precisei ficar internada por muito tempo, voltei a perder peso e ficar com muita falta de ar. Isso acabou me deixando desmotivada, principalmente porque o tratamento para fibrose cística exigia um tempo que acabava prejudicando minha atuação profissional. Por isso, acabei optando por dar uma pausa e se dedicar ao meu tratamento”.

Instituto Unidos pela Vida

Antes de receber o diagnóstico para fibrose cística Marindia e sua família não conheciam nada sobre a doença, o que tornou o processo de entendimento sobre a nova realidade que estava por vir um pouco mais demorado.

“Eu sou extremamente curiosa e interessada em vários assuntos, principalmente os que fazem parte da minha vida. Por isso, não ter acesso a informações quando descobri a doença foi algo angustiante. Hoje, com o Instituto Unidos pela Vida, eu posso conhecer outras pessoas com a doença, saber sobre como cada um enfrenta os obstáculos apresentados pela fibrose cística. O site do Instituto está sempre atualizado com informações importantes e promovendo um real interesse do público com o assunto. Sou grata ao Instituto por me trazer essa tranquilidade.” 

Transplante

Em 2020 Marindia recebeu a indicação para a fila de transplante pulmonar. Mesmo com todos os cuidados e dedicação ao tratamento, seu quadro apresentou algumas complicações que levaram a essa decisão dos profissionais que a acompanham.

“Entrar para  fila de transplante foi muito difícil. Eu tive dificuldades para receber o encaminhamento para uma avaliação com a equipe de transplante, mas iniciei o processo com a cara e a coragem. Liguei para os médicos de São Paulo/SP e Porto Alegre/RS, realizei consultas por telefone com eles, e com perseverança e apoio das pessoas ao meu redor, consegui me mudar para Porto Alegre/RS, onde aguardarei para a realização do procedimento. Eu fico preocupada se o transplante vai ser bem sucedido ou não, mas não foco nisso, penso que estou aqui para somar na vida das pessoas de alguma forma, e de grão em grão eu vou aprendendo com outros pacientes e os ajudando também. Para não ficar triste opto por não fortalecer os problemas, penso apenas nas coisas que posso fazer para produzir mais. Nem sempre funciona, mas eu me esforço todos os dias”. 

Marindia entrou oficialmente para a lista de espera por um transplante pulmonar em novembro de 2020 e agora residirá na cidade de Porto Alegre/RS aguardando a chegada da ligação que poderá mudar a sua vida. Ela afirma que essa nova fase está recheada de esperança e boas energias, e manda uma mensagem para todas as pessoas com fibrose cística do Brasil.

“Nenhuma fase da doença é fácil. É uma montanha russa, com altos e baixos. Inclusive, por esse motivo, somos tão importantes para a sociedade. Caso a gente pare o tratamento, nossa vida também pode parar, e essa força e garra de fazer tudo todos os dias da vida é algo que somente pessoas de fibra têm. A fibrose Cística me trouxe uma forma especial de ver a vida. Não desista dos seus planos, os adapte às suas necessidades e mostre ao mundo que é possível viver com a fibrose cística de forma inspiradora para outras pessoas, inclusive para nossos familiares e amigos. Você não sabe, mas você é a inspiração de alguém”.

Por Kamila Vintureli

Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.

Você vai gostar também...

Newsletter

Assine o nosso boletim informativo mensal. Clique aqui