É importante ouvir os conselhos de outras pessoas

Categoria: Notícias - Postador por: Comunicação IUPV - Data: 23 de março de 2020

Para ser sincero, estou escrevendo este artigo de mau humor, então certamente encaro o meu diagnóstico como uma maneira de entender a minha frustração. Não acredito que ele é injusto – recentemente descobri que minha doença é um diagnóstico assim como é uma identidade.

Na minha condição de vida muito está em transição. Provavelmente nos próximos poucos anos, estarei em fase de mudanças, estou formando minha identidade como adulto, e fico imaginando o que fazer com a minha vida. Nota: buscar o doutorado deixou-me mais confuso em relação à trajetória da minha carreira que antes, e eu esperava que ele produzisse o oposto. Mas, reclamações à parte, porque volto à FC quando tenho qualquer ansiedade ou angústia? Porque acredito que ela está sempre no topo da lista de coisas a considerar. É irritante, opressivo e, independente do jovem adulto que estou me tornando, independente do meu título acadêmico, nada mudará o fato de que eu tenho fibrose cística.

Há momentos em que gosto de esquecer que tenho FC. Eu não seria tão preocupado com a possibilidade de não ter recursos para os medicamentos no próximo emprego, de viver numa espelunca que faria a minha saúde piorar, de ficar desempregado e perder meu seguro de saúde. É opressivo lembrar continuamente essas preocupações, mas é necessário quando se tem FC. Mudar para uma cidade como Nova York, onde o aluguel é absurdo, tem consequências reais para aqueles que têm doenças dispendiosas.

Seria infecundo escrever um post para o meu próprio benefício catártico sem ter algum tipo de solução ou conselho a oferecer. Peço desculpas pelo elementar que isso possa parecer, mas o meu conselho é procurar um conselho. Para aqueles que não têm FC, isso pode soar especialmente vago. Mas para aqueles que têm de aprender a aceitar esta doença, é necessário ter muita coragem para conversar sobre o futuro.

Somos forçados a aceitar nossa realidade e admitir nossas limitações. Achamos que conversar sobre o que enfrentamos é uma fraqueza. Acredite em mim, é difícil e algumas vezes debilitante. É por isso que nós, que temos FC, precisamos conversar com outras pessoas. Converse com seus amigos, sua família e seus colegas de trabalho. Qualquer pessoa com quem se sinta confortável para se abrir, faça isso. Aprenda a diferenciar o bom do mau conselho, e a descobrir o que é importante para você.

Não há uma regra para viver a vida com fibrose cística. As equipes de cuidados podem orientar sobre como se manter saudável, mas não dizem a você como navegar pelas inevitáveis decisões difíceis inerentes à condição humana. E por isso, recomendo àqueles que têm doença que encontrem suas redes de apoio. A minha tem sido transformadora. Ela tem me ajudado a enfrentar as situações mais confusas e as questões difíceis. E sou grato por isso. A FC não é uma doença com que devemos aprender a lidar sozinhos. Ninguém atravessa a vida sem recorrer a conselhos de outras pessoas, e para quem tem FC não deve ser diferente.

Temos um futuro emocionante pela frente na FC. Tudo pode mudar. É possível que a fibrose cística se transforme em uma doença de manutenção. Conversemos sobre esse futuro com os amigos. Conversemos sobre a emoção, a ansiedade e o medo que acompanham o futuro. Inicie a discussão para se preparar.

Por Reid D’amico

Fonte: https://cysticfibrosisnewstoday.com/2017/08/28/cystic-fibrosis-and-need-for-life-advice-and-support/

Traduzido por Vera Carvalho, voluntária de tradução para o Instituto Unidos pela Vida. Vera é tradutora profissional com especialidade na área científica (carvalho.vera.carvalho@gmail.com).

Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.

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