Três maneiras como a ansiedade moldou minha forma de enfrentamento

Categoria: Central de Conteúdo - Postador por: Comunicação IUPV - Data: 24 de fevereiro de 2020

Por Luisa Palazola

Crescer com uma doença crônica como a Fibrose Cística sempre foi algo com que eu não entrei em acordo até recentemente. Pais de crianças com FC frequentemente tentam proteger os filhos o máximo que podem dessas realidades, mas a partir da minha experiência, sempre fui muito consciente das realidades intimidadoras que poderiam advir da Fibrose Cística, mesmo que eu não conseguisse contextualizá-las.

Digo que estava consciente delas, porque fui exposta a experiências horrendas desde uma idade muito jovem. Contudo, a partir daquelas experiências, sem que eu percebesse, comecei a desenvolver mecanismos de enfrentamento e capacidade de me defender. Os mecanismos de enfrentamento são estranhos, e não penso que devam ser rotulados como bons ou ruins, mas a emoção subjacente que determina o comportamento deve ser desvendada. Meus mecanismos de enfrentamento me rotulariam como uma paciente excelente e me proporcionariam uma base para melhorar minha saúde.

Meus mecanismos de enfrentamento foram amplamente fundados em duas emoções: medo e ansiedade. E essa ansiedade manifestou-se em uma necessidade de controle em três importantes espaços dos meus cuidados:

Adesão aos tratamentos

Para mim, isso foi uma maneira tangível de manipular ou tentar manipular a minha saúde pulmonar. Na minha maneira de ver, a adesão foi uma forma de evitar a doença ou retardar a deterioração de meus pulmões. Contudo, eu também estava consciente de como a doença é inevitável, assim adesão em conjunto com exercícios físicos poderiam dar sustentação ao meu corpo e criar uma base. Quando fiquei doente, pude usar meu corpo como o plano B dele mesmo, e eu tinha uma segurança satisfatória em saber que eu fazia tudo o que eu podia.

Claro que, embora o medo profundo tenha feito com que eu permanecesse acima de tudo submissa ao tratamento, também sou uma incógnita, e percebi que estava pulando tratamentos. Isso muitas vezes faz com que eu sinta muita culpa, tópico que devo abordar com meu terapeuta.

Educação

A doença me intimida. Droga! Mesmo o nome fi-bro-se cís-ti-ca soa assustador. Quando eu era mais jovem, não tinha controle de quão assustadora a FC poderia ser (ainda não tenho esse controle), mas eu podia tentar entender a complexidade da doença.

Entender significava ser capaz de visualizar o que estava acontecendo nos meus pulmões, por que isso estava acontecendo, e usar a informação para compreender o que os medicamentos, nebulizadores e tratamentos estavam tentando fazer. Entender a Fibrose Cística no nível físico era, e é, importante para mim, e agora um pouco mais velha, estou aprendendo a entender a influência da FC sobre meu estado de espírito e sentido de identidade, o que se traduz em uma coluna totalmente diferente a cada dia diferente.

O que eu não percebi que estava fazendo quando criança, adolescente, e jovem adulta foi simplesmente desenvolver não apenas meus mecanismos de enfrentamento, mas também minha voz e capacidade de me defender, que é onde a minha equipe de cuidados entra em cena, tanto para aliviar as minhas ansiedades, quanto para colaborar comigo como defensores.

Estabelecendo relacionamentos com as pessoas que me prestam cuidados

Desde que fui diagnosticada, aos nove anos de idade, vi meus provedores de cuidados como os aliados mais fortes contra o curso natural de uma mutação genética.

Quando se tem Fibrose Cística, não é incomum desenvolver relacionamentos tão fortes quantos os familiares com os médicos, enfermeiros, fisioterapeutas respiratórios e mesmo com outras pessoas que trabalhem no hospital. E para mim, foi particularmente importante cultivar esses relacionamentos, porque eu estava com medo e sabia que essas pessoas não só poderiam abrandar minhas ansiedades, mas também me ajudar a viver melhor com a doença.

Através do meu relacionamento com eles, aprendi como expressar minhas ansiedades, superar a vergonha de fazer perguntas e, em última instância, defender melhor a mim mesma. Tive a sorte de ter médicos que, de fato, querem o melhor para mim, e por causa do apoio deles encontrei minha capacidade de me defender, especialmente quando os médicos não me escutavam.

De várias maneiras, o que descrevi são estratégias para combater a enfermidade e a doença, ou talvez circunstâncias de má qualidade de vida. Eu as chamo de mecanismos de enfrentamento em grande parte porque elas têm origem nos próprios medo e ansiedade que a Fibrose Cística provocou. Nesta coluna, eu tenho usado o tempo passado, porque embora eu ainda esteja muito submissa ao tratamento, esse elemento de ansiedade não é tão profundo quanto no tempo em que eu era mais jovem.

Fonte: https://cysticfibrosisnewstoday.com/2019/04/04/3-ways-fear-anxiety-shape-how-cope-disease-cf/ 

Traduzido por Vera Carvalho, voluntária de tradução para o Instituto Unidos pela Vida. Vera é tradutora profissional com especialidade na área científica (carvalho.vera.carvalho@gmail.com).

Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.

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