Estudo aponta que caramujo com proteínas antimicrobianas pode trazer novos tratamentos para Fibrose Cística

Categoria: Central de Conteúdo - Postador por: Comunicação IUPV - Data: 08 de março de 2020

Pequenas proteínas com propriedades antimicrobianas encontradas no muco do caramujo marrom podem dar ideias para o desenvolvimento de novos tratamentos para pessoas com Fibrose Cística (FC) que frequentemente possuem infecções pulmonares causadas pela bactéria Pseudomonas aeruginosa

Essa foi a descoberta do estudo “Identificação e caracterização de proteínas anti-pseudomonas aeruginosa no muco do caramujo marrom, Cornu aspersum, publicado no British Journal of Biomedical Science. 

A resistência antimicrobiana é uma grande preocupação dos profissionais de saúde pelo surgimento de germes de difícil eliminação e com alta resistência aos tratamentos. Uma das bactérias que pode ser resistente é a Pseudomonas aeruginosa, que causa infecções pulmonares em pessoa com FC.

“Essa bactéria está presente em todos os meios e causa infecções em diferentes espécies, além dos seres humanos. Portanto, as estratégias que outros animais usam para se defender da Pseudomonas aeruginosa pode ser uma fonte natural de tratamento a ser usada na medicina humana”, escreveram os pesquisadores.

Um grupo de pesquisadores em um estudo anterior descobriu que o muco do caramujo marrom (Cornu aspersum) impediu de alguma forma o crescimento e desenvolvimento de diferentes cepas de laboratório da Pseudomonas aeruginosa. Essa equipe foi liderada por Sarah Pitt, PhD e professora da Faculdade de Farmácia e Ciências Biomoleculares da Universidade de Brighton.

Nesse novo estudo, Pitt teve a colaboração de pesquisadores do King´s College London para testar se essas propriedades antimicrobianas do muco de caracol seriam clinicamente úteis para combater cepas de Pseudomonas aeruginosa que causam infecções pulmonares em pessoas com FC. 

“A Pseudomonas aeruginosa é uma causa importante de infecções em pessoas com FC e as cepas resistentes aos antibióticos estão sendo cada vez mais comuns. Portanto, precisamos de novos tratamentos”, afirmou Pitt em um comunicado à imprensa.

Os pesquisadores extraíram o muco dos caracóis que viviam na natureza e realizaram uma técnica chamada cromatografia de exclusão por tamanho para purificá-lo e obter porções menores contendo as proteínas. Em seguida, avaliaram a atividade antimicrobiana de cada porção em diferentes cepas de laboratório da Pseudomonas aeruginosa e em amostras da bactéria obtidas diretamente de pessoas com FC”.

Os resultados mostraram que o muco inibiu fortemente o crescimento de todas as cepas de Pseudomonas aeruginosa, tanto as de laboratório quanto as obtidas de pessoas com FC. As porções contendo as menores proteínas encontradas no muco do caracol também apresentaram as mesmas propriedades antimicrobianas.

“Se pudermos criar essas proteínas artificialmente no laboratório, podemos tentar descobrir a ação delas contra a bactéria. Dessa forma, seria possível criar tratamentos com a proteína para tratar as infecções pulmonares, como um aerossol por exemplo”, disse Pitt.

As análises permitiram aos pesquisadores identificar quatro novas proteínas de caracol, incluindo três com forte atividade contra a Pseudomonas aeruginosa.

“Apesar de termos identificado quatro novas proteínas, a proteína 37,4 kDa, chamada Aspernin, parece ser o achado mais significativo e deve ser estudado para poder ser usado na medicina humana”, escreveram os pesquisadores.

“Como o caramujo Cornu aspersum é cultivado comercialmente em vários países, é possível obter grandes quantidades a baixo custo. Portanto, ao contrário de muitos compostos farmacêuticos de origem natural, a obtenção desse material não seria um problema e os componentes antimicrobianas poderiam ser separados quando os caracóis fossem usados para outros fins”, acrescentaram.

Entretanto, ainda são necessários maiores estudos com as propriedades para confirmar o uso em seres humanos, como um novo tratamento para infecções pulmonares em pessoas com FC. 

Fonte: CARVALHO, J. Snail Slime May Lead to New CF Treatments Because of Its Antimicrobial Proteins. Cystic Fibrosis News Today. 20 de junho de 2019. Disponível em: https://cysticfibrosisnewstoday.com/2019/06/20/snail-mucus-slime-antimicrobial-proteins-open-door-new-cf-treatments/.

Tradução: Julianna Rodrigues Beltrão, acadêmica do 9º período de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR); presidente da Liga Acadêmica de Humanização do Cuidado em Saúde (LAHCS); atua no setor de Psicologia e Projetos do Unidos pela Vida – Instituto Brasileiro de Atenção à Fibrose Cística.

Revisão: Verônica Stasiak Bednarczuk de Oliveira, psicóloga – CRP 08/16.156, especialista em análise do comportamento, fundadora e diretora geral do Unidos pela Vida – Instituto Brasileiro de Atenção à Fibrose Cística, diagnosticada com FC aos 23 anos de idade.

Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.

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