Estudo mostra que isolamento devido a covid-19 está ligado a menos exacerbações em crianças

Categoria: Central de Conteúdo - Postador por: Comunicação IUPV - Data: 06 de setembro de 2021

De acordo com um pequeno estudo realizado nos Estados Unidos, os limites colocados para a interação social durante a pandemia causada pela covid-19, parecem ter levado a uma queda no número de exacerbações pulmonares – período de piora repentina na saúde pulmonar – em crianças com fibrose cística.

Este achado – em crianças com idade entre 2 e 11 anos, tratados em um único Centro de Tratamento para fibrose cística – sugere que as restrições forçadas pela pandemia reduziu a exposição a infecções causadas por vírus, comprovando o papel destes nas crises pulmonares, escreveram os pesquisadores. 

O estudo “Redução de exacerbações pulmonares em crianças com fibrose cística durante a pandemia da covid-19”, foi publicado como uma carta ao editor, na revista científica Pediatric Pulmonology

Exacerbações pulmonares, que podem levar a um dano pulmonar a longo prazo, são frequentes em pessoas com fibrose cística. Notavelmente, infecções pulmonares causadas por vírus respiratórios são um gatilho comum para exacerbações. 

“A pandemia causada pela covid-19resultou em restrições generalizadas às interações sociais e isolamento em muitas áreas do mundo”, escreveram os pesquisadores. Ainda, essas restrições podem ter diminuído o risco de exacerbações pulmonares reduzindo a exposição aos vírus em geral, não somente ao SARS-CoV-2, o vírus que causa a covid-19. 

Para determinar se existe uma conexão, os pesquisadores compararam as taxas de exacerbações pulmonares em crianças com fibrose cística, que deram entrada no Centro do Hospital Riley, em Indiana, nos anos de 2019 e 2020. 

Especificamente, eles analisaram, de maneira retrospectiva, o número de exacerbações relatadas em dois períodos diferentes: de 01 de janeiro a 15 de março de 2019 e de 2020. O período de 2020 corresponde aos meses antes do primeiro caso de covid-19 ser detectado no Estado de Indiana (denominado período pré covid-19). Também foram analisados os dados de 16 de março a 01 de maio de 2019 e 2020, sendo os meses de 2020 representados como o maior período de incidência da doença no Estado (denominado período pico da covid-19). 

O primeiro caso de infecção pelo novo vírus em Indiana foi relatado em 01 de março de 2020, e o estado decretou lockdown em 23 de março. Durante a  primavera de 2020 (nos Estados Unidos ocorre de março a junho), as taxas de infecção reportadas no estado tiveram o pico em 23 de abril. 

O estudo incluiu 80 crianças tratadas em 2019 e 78 crianças tratadas em 2020. As crises pulmonares foram identificadas baseadas nos sinais e sintomas das crianças, dados de função pulmonar (quando disponíveis), e decisão do médico em prescrever antibióticos. Em todos os casos foram coletadas informações clínicas e demográficas, assim como o tipo de interação clínica-paciente (visitas hospitalares, visitas pessoalmente a clínicas, telemedicina ou telefonemas). 

Uma queda significativa nas taxas de exacerbações foi observada durante os meses iniciais de 2020. Este fato pode estar relacionado ao fato de que os pacientes já estavam engajados de alguma forma ao isolamento, mesmo antes do estado decretar lockdown. 

De forma não surpreendente, poucas crises foram significantemente relatadas de forma presencial em visitas clínicas durante o período do pico de covid-19, comparados com os mesmos meses do ano anterior (42,9% em 2019 e 7,1% em 2020), com maior proporção sendo identificadas por telefonemas, no mesmo período (45,7% em 2019 e 71,4% em 2020). “Isso reflete o aumento no uso da telemedicina no pico da pandemia no estado da Indiana”, disseram os pesquisadores. 

Somente 16% das idas à clínica durante a pandemia foram conduzidas pessoalmente, comparadas com 100% em 2019, e no período pré-covid de 2020. “Restrições na interação social devido a covid-19 foram associadas a um menor número de exacerbações pulmonares no nosso Centro Pediátrico de fibrose cística, sugerindo que essas restrições também reduziram a exposição a outros vírus respiratórios em crianças com a doença”, disseram os pesquisadores. 

Esses resultados são consistentes com os dados de estudos anteriores, demonstrando uma queda considerável na atividade de outros vírus, como o influenza, durante os isolamentos. Eles também levam a infecções virais pulmonares, que são o gatilho para exacerbações pulmonares em pacientes com fibrose cística. 

Os pesquisadores sugerem que a redução nas exacerbações também pode estar relacionada a uma adesão maior ao tratamento durante a pandemia, uma vez que as crianças e os pais estão em casa. 

Enquanto maiores estudos são necessários para confirmar esses achados, eles podem ajudar os médicos a antecipar o fato de que pacientes com fibrose cística devem aderir ao lockdown fortemente, caso outros picos de covid-19 ocorram em suas regiões, disseram os pesquisadores. 

Fonte: Essas informações foram retiradas em 14/03/2021 do site https://cysticfibrosisnewstoday.com/2021/01/21/covid-19-lockdown-linked-to-fewer-flares-in-children-in-small-study/ 

Traduzido por Mariana Camargo, biomédica, PhD e mãe da Sofia, diagnosticada com fibrose cística.

Revisão: Verônica Stasiak Bednarczuk de Oliveira, fundadora e diretora executiva do Unidos pela Vida, diagnosticada com fibrose cística aos 23 anos. Psicóloga, especialista em análise do comportamento, tem MBA em Direitos Sociais e Políticas Públicas e Mestranda em Ciências Farmacêuticas com ênfase em Avaliação de Tecnologias de Saúde pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Nota importante: As informações aqui contidas têm cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e/ou o tratamento médico. Em caso de dúvidas, fale com seu médico.

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