Saiba mais sobre a Pseudomonas aeruginosa

Categoria: Central de Conteúdo - Postador por: Comunicação IUPV - Data: 16 de agosto de 2021

A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria comumente presente em infecções pulmonares em pessoas com fibrose cística. É o patógeno mais importante quando falamos em infecção pulmonar grave e progressiva, mostrando-se como uma bactéria oportunista, que pode crescer e proliferar com mais facilidade nesses indivíduos, e está presente geralmente em hospitais e outros serviços de saúde.

A fibrose cística é uma doença genética, que faz com que ocorra secreções mais espessas nos pulmões e no trato gastrointestinal (devido ao defeito na proteína CFTR, que atua como canal para a produção de muco e outros fluidos corporais). As infecções por Pseudomonas aeruginosa tendem a ocorrer após as secreções espessas obstruírem as vias aéreas pulmonares. 

Na fibrose cística ocorre uma redução da limpeza dos pulmões pelos cílios presentes nas células pulmonares, e as bactérias formam um biofilme com camadas de muco como seu habitat. Uma vez que esse biofilme é formado, vai ocorrendo uma inflamação nos pulmões, que muitas vezes leva a uma infecção crônica, que pode durar meses ou até anos para ser tratada.

Os sintomas iniciais de infecção podem incluir tosse persistente, produção de catarro e hemoptise (catarro com sangue), seguidos por complicações sérias como exacerbações, bronquiectasia (dilatação permanente dos brônquios), hipóxia (ausência de oxigênio nas células pulmonares) e hipertensão pulmonar.

De acordo com um estudo publicado na revista Allergy & Immunology, a Pseudomonas aeruginosa produz muitos fatores virulentos, alguns secretados – como elastase, proteases, fosfolipase C, cianeto de hidrogênio, exotoxina A e exoenzima S – e outros fatores celulares, como lipopolissacarídeos, flagelos e pili (um apêndice presente na membrana da bactéria). Esses fatores formam um mecanismo de comunicação entre bactérias, também conhecido como “quorum sensing”, que acredita-se ter um papel no desenvolvimento e manutenção dos biofilmes de Pseudomonas aeruginosa.

Esses biofilmes são comunidades de células (que secretam proteínas, polissacarídeos, ácidos nucleicos e restos celulares), envoltos em uma matrix extracelular, que agem de maneira coordenada e demonstram habilidade de se adaptar ao ambiente. O seu crescimento está associado à resistência antimicrobiana e aos mecanismos de defesa do organismo. O DNA extracelular também é o maior componente da matrix do biofilme, especialmente nos estágios iniciais.

As infecções por Pseudomonas aeruginosa muitas vezes se tornam crônicas e as cepas sofrem uma alteração fenotípica que é caracterizada pela produção de um polissacarídeo conhecido como alginato. De acordo com um outro estudo, essa característica bacteriana, conhecida como mucóide, está associada com a dificuldade de erradicar o patógeno, levando a uma resposta inflamatória forte que resulta em uma perda acelerada da função pulmonar.

Cuidados especializados são necessários para tratar pessoas com fibrose cística com infecção por Pseudomonas aeruginosa. Nos estágios iniciais, quando o patógeno ainda é mais suscetível a antibióticos, o tratamento inalatório e, possivelmente, sistêmico com antibióticos profiláticos é obrigatório, seguido de terapia supressiva crônica.

Os antibióticos atualmente comercializados para inalação incluem formas nebulizadas e de pó seco de tobramicina e colistina e aztreonam nebulizado. A prevalência de resistência aos antibióticos continua sendo uma causa de preocupação, e assim, novos tratamentos são necessários.

Fonte: Essas informações foram retiradas em 26/02/2021 do site https://cysticfibrosisnewstoday.com/pseudomonas-aeruginosa/

Traduzido por Mariana Camargo, biomédica, PhD e mãe da Sofia, diagnosticada com fibrose cística.

Revisão: Verônica Stasiak Bednarczuk de Oliveira, fundadora e diretora geral do Unidos pela Vida, diagnosticada com fibrose cística aos 23 anos. Psicóloga, especialista em análise do comportamento, especializanda em Direitos Sociais e Políticas Públicas e Mestranda em Ciências Farmacêuticas com ênfase em Avaliação de Tecnologias de Saúde pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.

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