Transplantei: o SIM de uma família mudou a vida da Laíze Angioletto

Categoria: Central de Conteúdo - Postador por: Comunicação IUPV - Data: 17 de setembro de 2020

Você é doador de órgãos? Já avisou sua família sobre sua decisão e sobre a importância desse ato de amor e generosidade? Se a resposta para essas perguntas é SIM, não tenha dúvidas, você poderá salvar vidas! E para demonstrar na prática como isso pode acontece, conversamos com a Laíze Angioletto, transplantada pulmonar.

A Laíze tem 22 anos, foi diagnosticada com Fibrose Cística pouco antes de completar 3 anos de vida. Apesar de apresentar tosse crônica, diarreia e dificuldade para ganhar peso e estatura – três dos principais sintomas da doença – o diagnóstico chegou tardiamente, quando um Pneumologista juntou todos as peças e solicitou o Teste do Suor para confirmar ou descartar a suspeita.

“Antes de receber o diagnóstico minha família desconhecia completamente a doença, e quando pesquisaram sobre, foi um choque para todos. Apenas notícias ruins foram encontradas, mas mesmo com esse baque inicial, iniciamos o tratamento de maneira imediata. O resultado não poderia ter sido melhor. Com o uso de medicamentos, enzimas e a realização da fisioterapia respiratória, melhorei muito. O diagnóstico foi uma virada em minha vida e de toda a minha família”, relembrou Laíze.

Laíze sempre frequentou a escola normalmente, gostava de brincar com os colegas e a família sempre fez questão de informar a equipe pedagógica do local sobre os cuidados que ela precisaria ter durante o dia, como tomar as enzimas, por exemplo.

“Aos 7 anos de idade precisei retirar o lobo superior do pulmão direito e foi nesse momento que o medo tomou conta da minha família novamente, mas seguimos. Foi entre os 10 e 12 anos que as dificuldades respiratórias começaram a aumentar e eu não conseguia mais acompanhar meus colegas nas atividades de educação física na escola. Mas apesar dos contratempos, sempre segui em frente e respeitando a rotina de tratamentos que precisava seguir diariamente”, afirmou.

Transplante

Quando completou 18 anos Laíze realizou um grande sonho: entrar na faculdade. Começou a cursar Arquitetura e Urbanismo no Instituto Federal Farroupilha e tudo seguia muito bem, estava realizada em todos os aspectos: familiar, pessoal e profissional. Porém, ao completar 19 anos, tudo começou a mudar.

“Eu estava saindo da faculdade E indo em direção a uma aula de música quando tossi e senti gosto de sangue na boca. A próxima tosse veio como um esguicho de sangue, saindo tanta pela boca quanto pelo nariz. Eu estava no meio da rua, sozinha e com uma hemorragia terrível. Lembro de sentir medo. Foram quase 2 horas até que meu pai chegasse. Naquele mês, perdi cerca de 10% da capacidade pulmonar, chegando aos 40%. Foi nesse momento que fui encaminhada para avaliação pré-transplante no hospital Santa Casa da Misericórdia de Porto Alegre. Os meses que se seguiram foram de consultas e exames”, relembrou.

Laíze precisou trancar a faculdade e se mudar para Porto Alegre, pois uma das exigências para permanecer na lista para transplante era morar a menos de duas horas do hospital. Neste período ela morou junto com a sua irmã.

“Voltei a estudar, dessa vez fiz um curso pré-vestibular, frequentava academia e fazia caminhadas na orla do Guaíba aos fins de semana. Tudo estava bem até que uma nova internação se fez necessária. E havia algo de diferente nessa. A finalidade era erradicar a mycobacterium abscessus que já estava resistente devido aos longos anos de tratamento já realizados. Foram 30 dias de medicação no hospital e antibióticos em casa. A partir desse ponto, eu já não podia mais fazer as coisas de antes, como ir à aula. A academia foi substituída pela reabilitação pulmonar no hospital e acompanhada pela equipe do transplante”, contou.

Foi em novembro de 2019 que Laíze passou a utilizar oxigênio 24 horas por dia. Apesar da situação trazer grande preocupação para todos, ela seguiu firme, se cuidando e na espera pelo transplante.

“No dia 11 de março de 2020 eu recebi a ligação dizendo que minha vez havia chegado. Lembro de acordar somente no outro dia, entubada, com as mãos amarradas e com meia dúzia de canos me invadindo. Eu respirava com auxílio de ventilação mecânica, mas logo ela seria desligada e me daria a oportunidade de respirar sozinha. Não consigo explicar… Foi como se eu sentisse Deus em mim. A alegria e gratidão tomaram conta, meus sonhos e expectativas de vida foram renovados. Agora, tenho a certeza de que conseguirei alcançar todos os meus objetivos. Agradeço a Deus, aos meus pais, irmã, namorado, tios, avós, primos e todos amigos. Agradeço cada oração, cada pensamento e energia positiva enviada”, contou Laíze.

Para toda a população, Laíze reforça: seja doador de órgãos. Avise a sua família, pois seu SIM pode mudar vidas. E para todas as pessoas de fibra do Brasil, Laíze compartilha uma linda e inspiradora mensagem:

“Você é especial! Que você possas aprender o quanto antes a apreciar a vida, com todas suas dores e delícias. Seja grato a cada novo respirar e saiba que o bem mais precioso que podemos ter é sentir o carinho das pessoas ao nosso redor e nosso amor próprio. Respeite-se e orgulhe-se do que você é”, finalizou.

Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.

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