Transplante pulmonar no RJ: retomada do programa após uma década traz esperança para pessoas na fila de espera

Categoria: Central de Conteúdo - Postador por: Comunicação IUPV - Data: 20 de agosto de 2021
Foto: Instituto Nacional de Cardiologia (INC)

Um estudo publicado na “Revista de Medicina” relata que a fibrose cística é a terceira condição que mais encaminha pacientes para o transplante pulmonar. No Brasil, até o início de agosto de 2021, nenhum centro localizado no Rio de Janeiro estava habilitado para a realização do procedimento, que só era feito em São Paulo (Hospital Israelita Albert Einstein, InCor e Hospital de Base de São José do Rio Preto), Rio Grande do Sul (Santa Casa de Porto Alegre e Hospital de Clínicas), Ceará (Hospital de Messejana) e Paraná.

Este cenário mudou em 03 de agosto de 2021, quando após mais de 10 anos sem a realização de transplantes pulmonares no Rio de Janeiro, o Instituto Nacional de Cardiologia (INC) fez o primeiro procedimento deste tipo da instituição. De acordo com o coordenador do Programa de Transplante Pulmonar do Hospital Israelita Albert Einstein e membro do Departamento de Transplante de Pulmão da ABTO, Dr. Marcos Samano, a retomada da realização de transplante pulmonar no Rio de Janeiro começou a ser trabalhada há quase três anos.

“Tudo começou com o projeto Pulmão Carioca, estabelecido com a Central de Transplantes de São Paulo e o Programa Estadual de Transplante (PET) do Rio de Janeiro. Para mim, foi extremamente gratificante participar deste processo que também envolveu ações de tutoria, que realizou o treinamento de toda a equipe multiprofissional envolvida, desde médicos, pneumologistas e cirurgiões até nutricionistas, psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais e fisioterapeutas, para que esse momento desse certo e fosse um tremendo sucesso”.

Dr Samano acredita que este tenha sido o primeiro passo para que o programa de transplante pulmonar se torne contínuo no Rio de Janeiro e alcance resultados de qualidade.

“Nossa perspectiva é que os procedimentos continuem e sejam realizados de cinco a dez transplantes pulmonares neste início de trabalho, visto que a demanda por esse tipo de tratamento é constante no Estado e os pacientes cariocas acabam precisando ir para São Paulo, Porto Alegre ou até mesmo para fora do país para conseguir realizá-lo.”

Dr Alexandre Siciliano é cirurgião do INC, onde coordena o grupo de transplante cardíaco e assistência circulatória, e afirma que a estruturação do projeto que tornou possível a retomada da realização de transplantes pulmonares no Rio de Janeiro fez com que a entidade investisse em novos talentos na área, estrutura, capacitação de seus profissionais e parcerias.

“Estamos felizes com o sucesso e conscientes do longo caminho que ainda precisamos percorrer. Também estou envolvido com o programa de transplante cardíaco no INC desde seu início, e é um privilégio fazer parte do time que caminhou junto para retomar a realização de transplantes pulmonares no Rio de Janeiro. Na intercessão de suas capacidades individuais, cada profissional envolvido foi capaz de entregar um profundo e genuíno valor para nossa comunidade”.

Ainda de acordo com Dr Alexandre, tornar o programa de transplante pulmonar do INC sustentável ao longo do tempo faz parte da visão da entidade.

“Queremos prestar assistência integral aos pacientes e seus cuidadores, gerar conhecimento para profissionais de diversas áreas de atuação promovendo ensino e pesquisa, além de melhorias institucionais que permitam ao INC se aproximar do que consideramos ser uma instituição de alta confiabilidade e de elevada entrega de valor para a sociedade.”

Ganho para a comunidade

Para o Dr Marcos Samano, a retomada do programa de transplante pulmonar no Rio de Janeiro representa um passo muito importante, constante e duradouro para toda a população do Estado.

“O programa já vem trabalhando há bastante tempo, foram incluídos alguns pacientes além da que realizou o procedimento no início de agosto, mas outros já estão em avaliação e lista de espera. Com tudo isso, é fácil entender e mostrar para toda a sociedade que esse não é um programa para fazer um ou outro transplante, mas um projeto que vai se manter ativo dentro do Rio de Janeiro por muito tempo. Esse é o ponto mais importante.”

Cláudia Mattos e Luís Francisco Venâncio são pais da Malu, diagnosticada com fibrose cística e que atualmente está na fila para a realização do transplante pulmonar. Eles afirmam que a notícia da retomada do procedimento na região trouxe alegria e alívio para toda a família.

“Quem vive a atmosfera e a rotina pré-transplante sente que o momento está sempre distante, mas que ao mesmo tempo pode ser hoje. Esse acontecimento no INC parece coisa de Deus. Estávamos em processo de qualificação em São Paulo quando nos foi ofertada a opção do Rio de Janeiro, uma grande e feliz surpresa, pois não será mais necessário realizar a mudança de Estado. A equipe aqui nos recebeu de braços abertos e logo demonstrou sua capacidade técnica e estrutural, com um tempero atípico no mundo médico de carinho e generosidade. Nos sentimos muito acolhidos e seguros”.

Cristiano Silveira é diretor de Políticas Públicas e Advocacy do Unidos pela Vida – Instituto Brasileiro de Atenção à Fibrose Cística e presidente da Associação Carioca de Assistência à Mucoviscidose (ACAM-RJ). Ele afirma que a necessidade de mudança das famílias cariocas para outras regiões sempre gerou muita frustração.

“Eram pais e mães que precisavam largar o emprego e viver do TFD com muita dificuldade. Por isso, acredito que a volta do programa de transplante pulmonar no Rio de Janeiro é, sem dúvidas, uma grande vitória do Sistema Único de Saúde (SUS). Espero, muito em breve, dar aqui a notícia da primeira pessoa com fibrose cística transplantada no Estado”.

Por Kamila Vintureli

Referências:

https://www.revistas.usp.br/revistadc/article/view/69582/72315

Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.

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