Volta às aulas em tempos de pandemia: informações para pessoas com fibrose cística e familiares

Categoria: Central de Conteúdo - Postador por: Comunicação IUPV - Data: 02 de fevereiro de 2021

O ano de 2021 chegou e com ele a vacina contra a covid-19. Apesar da boa notícia e do início da vacinação no Brasil, a volta às aulas em tempos de pandemia ainda é um tema que gera muitas dúvidas entre toda a população. Por isso, neste material, o time do Unidos pela Vida – Instituto Brasileiro de Atenção à Fibrose Cística responderá as principais dúvidas da comunidade da fibrose cística do Brasil sobre o tema.

Para a produção deste conteúdo entrevistamos o professor adjunto do Departamento de Pediatria da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e orientador do Programa da Pós-Graduação em Mestrado e Doutorado em Saúde da Criança e do Adolescente da UFPR, Dr. Carlos Riedi, e o professor associado do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), coordenador do Programa de Doenças Respiratórias na Infância e membro da equipe multidisciplinar de fibrose cística do Hospital Infantil Joana de Gusmão, Dr. Luiz Roberto Agea Cutolo.

Jovens e crianças na escola

A grande dúvida entre as pessoas com fibrose cística e seus familiares sobre o retorno às aulas é: há indicação para jovens e crianças com fibrose cística retornarem ao ambiente escolar? De acordo com o Dr. Carlos Riedi, a volta dessas pessoas é recomendada desde que a escola e os estudantes sigam vários cuidados.

“As crianças não são os principais transmissores da covid-19 e em geral não apresentam a doença de maneira grave. Além disso, é preciso ter em mente que não há nenhuma evidência que indique que pessoas com fibrose cística desenvolvam a doença de maneira mais acentuada. Porém, o retorno ao ambiente escolar deve ser seguro, com medidas de segurança e controle da contaminação.”

Neste sentido, o Dr. Riedi listou alguns dos principais cuidados que deverão ser levados em conta neste momento de volta às aulas:

1. Deve haver um planejamento pedagógico, com retorno escalonado dos alunos e profissionais. O ideal é que retorne de maneira híbrida, com parte dos alunos em atividade remota e outros com aulas presenciais.

2. O espaço físico das escolas deve ter ambientes arejados, com ventilação natural e atividades ao ar livre. Além disso, será preciso manter o distanciamento físico de pelo menos 1 metro e meio entre os alunos e professores, equipamentos sanitários sempre à disposição, como pias, lavatórios, dispensadores de sabonete e álcool em gel.

3. O fluxo de entrada de alunos, familiares e professores precisará ser planejado com o objetivo de evitar aglomerações.

4. É fundamental que os ambientes sejam higienizados no início ou final das atividades e o lixo seja removido com frequência.

5. O uso de máscara de proteção entre alunos e professores deverá ser obrigatório. O ideal é que o item seja trocado de três em três horas por todos.

Além desses pontos, o Dr. Luiz Roberto ressalta a importância de manter alunos, familiares e professores sempre bem informados sobre a covid-19 e os cuidados necessários para evitar a contaminação.

“Todos deverão ter informações precisas sobre a doença, formas de transmissão, seus sintomas e maneiras de reconhecimento precoce de uma criança que apresente os sinais da patologia. Tudo isso deve vir de fontes oficiais e é preciso evitar notícias de WhatsApp e Facebook, as famosas “fake news”, ou “notícias falsas” em português. Neste sentido, a primeira condição que deve ser pregada para a sociedade é: para voltar às aulas, pais, professores e alunos devem estar bem informados sobre a doença. Além disso, será preciso gerar uma consciência nos familiares sobre o envio de crianças com sintomas da covid-19 para a escola. Caso seu filho apresente algum sinal da doença, mesmo que leve, como coriza, febre baixa ou dor de garganta, ele não deve ir para a aula de forma alguma.”

Dr. Luiz Roberto complementa dizendo que, de acordo com estudos recentes, crianças com fibrose cística não estão desenvolvendo casos graves de covid-19 e na maioria das situações estão assintomáticas.

“Após as famílias se assegurarem de que a escola está seguindo com todos os cuidados citados anteriormente, principalmente os que dizem respeito à higienização e distanciamento entre os alunos, pessoas com fibrose cística podem voltar ao convívio escolar, desde que tenham um quadro leve ou moderado da fibrose cística. No caso das crianças e jovens gravemente acometidos ou com mais problemas respiratórios causados pela fibrose cística, o indicado é que a decisão seja feita de maneira individualizada, considerando todos os fatores, positivos e negativos, de um retorno às aulas.”

Outros familiares

Mas e se eu tenho fibrose cística e um filho em idade escolar? Ou tenho um filho com fibrose cística e outro que não tem a doença, é indicado a volta às aulas? De acordo com o Dr. Riedi, nesses casos, existe um risco maior de contaminação à pessoa com a fibrose cística que permanece em isolamento.

“Nessas situações o aluno pode ser contaminado na escola e trazer o vírus para casa, o que aumenta as chances de transmissão entre os familiares. Em casos assim é fundamental que sejam avaliadas as condições em que a escola está retornando às aulas. Se o local estiver seguindo com todos os cuidados de distanciamento, uso de máscara e higienização, mesmo em situações mais delicadas com essa, o retorno do aluno pode acontecer.”

Para finalizar, o Dr. Luiz Roberto afirma que a vacinação contra a covid-19 será um fator importante na decisão de retorno ao ambiente escolar.

“Como profissional, minha opinião é a de que as aulas só deveriam retornar quando pelo menos 70% da população brasileira estivesse vacinada. Sabemos que isso ainda vai demorar para acontecer, por isso, as adaptações por parte da escola, das famílias e alunos será fundamental. Nunca é demais lembrar de que o distanciamento social, o uso de máscara, a higienização frequente das mãos e dos ambientes em que os alunos ficarão são pontos importantes e que deverão ser seguidos por todos para que o retorno seja o mais seguro possível para os envolvidos.”

Pontos importantes

Por Kamila Vintureli 

Contribuição: Dr. Carlos Riedi, Dr. Luiz Cutolo e Verônica Stasiak Bednarczuk de Oliveira

Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.

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