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Por Inaê A. Cherobin, Colunista Científica do Instituto Unidos pela Vida, Professora de Educação Física, especialista em saúde da criança e mestre em Ciências Pneumológicas. 

A importância da prática de atividade física está cada vez mais em evidência devido aos inúmeros benefícios que ela pode proporcionar, seja para pessoas saudáveis ou para pessoas com doenças respiratórias crônicas. A Organização Mundial da Saúde (OMS), recomenda que adultos saudáveis entre 18 a 64 anos realizem pelo menos 150 minutos/semana de atividade física aeróbia de intensidade moderada ou, pelo menos 75 minutos/semana de atividade física aeróbia de intensidade vigorosa ou até, uma combinação equivalente de atividade física moderada e vigorosa, com sessões de pelo menos 10 minutos de duração. No Brasil, estima-se que 45,9% da população seja sedentária e, seguindo esta linha de inatividade física, também se encontram grande parte das pessoas com fibrose cística que, ou são sedentárias, ou realizam atividades físicas de forma insuficiente.

Por que é importante que pessoas com fibrose cística realizem atividade física?

Acredito que seja rotina em suas consultas que o médico ou fisioterapeuta façam a famosa pergunta: “Está realizando atividade física? ” e a resposta, na maioria das vezes, é “não” ou, “estava, mas parei” ou então “sim, mas nem sempre consigo”.  Mas você sabe por que a equipe multiprofissional insiste tanto nesta pergunta? Pois há bastante tempo este assunto já vem sendo estudado e existem diversos estudos que comprovaram que a atividade física é benéfica para indivíduos com fibrose cística, sendo tratada até como o 4º pilar do tratamento, junto com a fisioterapia, antibioticoterapia e nutrição adequada.

A prática de atividade física em indivíduos com fibrose cística está relacionada com melhora da aptidão física, com menor taxa de declínio na função pulmonar, com maior densidade mineral óssea, como auxílio na limpeza e desobstrução das vias aéreas, na diminuição da hiperinsuflação, no fortalecimento da musculatura respiratória e, além de tudo isso, na diminuição nos níveis de mortalidade e na melhora da qualidade de vida relacionada à saúde.

Com que idade posso começar a realizar atividades física?

Desde muito cedo, pois a infância é o período mais favorável para a aquisição de hábitos de vida ativos e é nesta fase em que as crianças estão dispostas a conhecerem novas modalidades, aprenderem com seus corpos e se reconhecer pertencentes à um grupo.

O nível de atividade física diminui com o aumento da idade, por isso, se a criança for estimulada desde cedo a praticar e, principalmente, a gostar de realizar atividade física ela terá mais chances de ser um adulto ativo, contribuindo cada vez mais com o tratamento da fibrose cística.

O que posso fazer de atividade física?

Poucas são as atividades que não são recomendadas, porém, antes de iniciar qualquer uma delas, é importante que você saiba se possui alguma outra doença relacionada à fibrose cística, como por exemplo esplenomegalia (aumento do baço) e hepatomegalia (aumento do fígado) que excluem a prática de atividades com contato e colisão.

As crianças são naturalmente ativas e se mantém por mais tempo em atividades que lhe tragam prazer e diversão, por isso, é recomendado que elas realizem atividades de acordo com a sua idade e, se possível, com amigos e familiares, como andar de bicicleta, participar de circuitos, natação, jogos em equipe, etc.

Para os adultos, além dos tradicionais exercícios de força e resistência, há outros que podem ser incorporados em suas rotinas de tratamento, como o treinamento funcional, o HIIT (método de treinamento intervalado com alta intensidade e curta duração), o pilates, a corrida de rua, entre outros.

Exemplo a ser seguido

Bem perto de nós, temos o belo exemplo da Verônica, fundadora do Unidos pela Vida, que em janeiro deste ano iniciou o crossfit com 54% da função pulmonar e, hoje, após 6 meses praticando esta modalidade, se encontra com 75,63% de VEF1. Não é ótimo? Isto nos mostra que força e determinação são capazes de nos fazer vencer.

O mais importante para a realização de qualquer prática de atividade física, é conhecer os seus limites, ter os devidos cuidados com o espaço para a realização, ter uma hidratação correta para a reposição dos eletrólitos, um profissional capacitado para lhe orientar na prática e auxiliar com os cuidados necessários e, principalmente, encontrar uma atividade que lhe dê prazer em realizá-la.

Não esqueça que a atividade física faz parte do seu tratamento e você pode ter muitos benefícios! Vamos nos movimentar, a vida é agora!

Referências:

WHO. Global Recommendations on Physical Activity for Health. World Health Organization 2011.

Brasil. Diagnóstico Nacional do Esporte. Diesporte. 2016;2:1–70 Hebestreit H, Kieser S, Rüdiger S, Schenk T, Junge S, Hebestreit A, et al. Physical activity is independently related to aerobic capacity in cystic fibrosis. Eur Respir J Oct 2006;28(4):734–9.

Orenstein DM, Franklin BA, Doershuk CF, Hellerstein HK, Germann KJ, Horowitz JG, et al. Exercise conditioning and cardiopulmonary fitness in cystic fibrosis. The effects of a three-month supervised running program. Chest Oct 1981;80(4):392–8.

Hebestreit H, Kieser S, Junge S, Ballmann M, Hebestreit A, Schindler C, et al. Long-term effects of a partially supervised conditioning programme in cystic fibrosis. Eur Respir J Mar 2010;35(3):578–83.

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Schneiderman-Walker J, Wilkes DL, Strug L, Lands LC, Pollock SL, Selvadurai HC, et al. Sex differences in habitual physical activity and lung function decline in children with cystic fibrosis. J Pediatr Sep 2005;147(3):321–6.

Schneiderman-Walker JE, Wilkes DL, Atenafu EG, Nguyen T, Wells GD, Alarie N, et al. Longitudinal relationship between physical activity and lung health in patients with cystic fibrosis. Eur Respir J 2013;43(3):817–23.

Bradley J, O’Neill B, Kent L, Hulzebos EHJ, Arets B, Hebestreit H, et al. Physical activity assessment in cystic fibrosis: A position statement. J Cyst Fibros 2015;14(6):e25–32.

Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.

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