Carta de uma mãe com Fibrose Cística ao seu futuro filho.

Categoria: Vivendo com FC - Postador por: Instituto Unidos pela Vida - Data: 06 de maio de 2016

AmorQuerido filho,

Estamos no Mês das Mães… Eu ainda não sou sua mãe, mas já me sinto pronta para isso, em determinados aspectos… Você ainda não nasceu, nem tão pouco foi concebido, mas já te amo incondicionalmente, sabia? Por isso, resolvi te escrever para que um dia possamos reviver juntos essas histórias de antes da sua chegada…

Uma mãe nasce, ao meu ver, primeiramente no coração e no desejo. Por esse ponto de vista já posso me assumir mãe! Mas, esse meu lado também floresceu regado de amor pelo seu futuro pai, o papai Vini. Nossos reloginhos, como dizem por aí, já tocaram… Ainda não sabemos como será, nem quando, mas já te aguardamos com muito carinho!

Outra pessoa muito importante neste processo, que contribuiu para o desenvolvimento deste meu lado “futura mãe”, foi a sua futura vovó, a Dona Luiza. Minha querida mãe dos abraços e colo aconchegante, sempre esteve pronta para tudo. Do café da manhã ao cafuné na testa antes de dormir; da fruta no meio do dia ao prato preferido no domingo; da bronca providencial às lágrimas orgulhosas; da força nos momentos difíceis à tristeza necessária para retomar a energia: ela sempre foi uma mãe maravilhosa! Se eu conseguir ser um pouquinho como ela, você será muito feliz!

As “mamães de fibra”, como carinhosamente chamamos as mães de pessoas com fibrose cística como eu, também me inspiram demais. São guerreiras, batalhadoras, determinadas, donas de uma força – e uma fibra – sem tamanho. São verdadeiras mestras na arte de amar!

Seu canto aqui na nossa casa, meu anjo, já existe e já é chamado de “quarto do bebê”! Bebê este que já tem até sugestões de nome! Se for menina, provavelmente será Helena. Se for menino, será João. (Aliás, esse é o nome de menino que a mamãe mais gosta, no momento. Mas o papai ainda não está convencido… Vamos deixar esse tema pra lá!). Mamãe também gosta de Vitória e Valentina, mas a decisão do nome fica pra depois… O importante é que você já é o “bebê” em nossos corações!

Eu já sonhei com você em meus braços e pude até sentir seu cheirinho! Falando nisso, toda vez que vou ao supermercado passo pelo corredor infantil para sentir o perfume dos sabonetes de glicerina. Ah, como eu quero esse cheiro pairando pelo ar aqui de casa, meu amor!

Nós queremos muito ouvir seu choro e te encher de beijos e carinhos. Queremos a sensação da descoberta, do desespero da primeira viagem, de levantar de madrugada para te alimentar e te acalentar… Queremos viver tudo isso juntos, e muito mais!

Com a sua chegada conhecerei um novo significado para a vida, além dos quais já tenho em meu coração por todas situações que vivi e superei. Todas as vezes em que me sinto desanimada ou com vontade de desistir do tratamento, lembro de você e do quanto preciso ser cuidadosa para te receber bem, e para que tenhamos uma gestação tranquila, por exemplo. Hoje ainda são muitas questões, medos e dúvidas. Mas nada o bastante para diminuir minha vontade.

Hoje, meu amor, talvez a mamãe ainda não esteja pronta fisicamente para sua chegada, mas prometo cuidar de tudo cada vez melhor para que isso aconteça. Todas as etapas do tratamento e as surpresas que a Fibrose Cística nos revela, são superadas também pensando em você.

Por isso, gostaria que soubesse neste dia das mães o quanto te quero e te espero.  O quanto me emociona pensar em nosso primeiro encontro e na nossa primeira troca de olhares. O quanto quero te mostrar que a vida é linda, que os problemas que temos são parte do que somos e nunca o limite de onde podemos chegar, e que por isso sempre valerá a pena sonhar.

Por aqui, seguirei me preparando e aguardando sua doce chegada, acreditando sempre que o que for melhor para nós, acontecerá.

Te amo!

Com amor,
Sua futura mamãe.
Verônica.

*Verônica Stasiak Bednarczuk de Oliveira, 29 anos, é psicóloga, fundadora e atual diretora geral do Instituto Unidos pela Vida. Recebeu o diagnóstico para Fibrose Cística aos 23 anos de idade, em 2009, e desde então jamais desistiu de lutar pela disseminação de informações da doença no país, para que outras pessoas tenham a chance que teve de melhorar sua condição de saúde, graças ao diagnóstico correto e tratamento adequado. Para contactá-la, escreva para [email protected] 

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