Correr com o Pedro | Por Marise Basso Amaral

Categoria: Equipe de Fibra - Postador por: Instituto Unidos pela Vida - Data: 26 de junho de 2017

19274880_10203221994508559_196294002668743429_n“Dia 11 de junho corremos eu e o Pedro na Maratona de Porto Alegre. Fizemos os 10Km. Eu estava um pouco apreensiva com essa prova. Faziam quase 18 meses desde que eu tinha feito uma última prova de 10km. Machuquei o joelho em janeiro de 2016 e venho desde lá lidando com uma dor chata, que incomoda bastante e que sempre aparecia depois dos meus primeiros 5km. Pedro, como sempre, muito tranquilo, queria só correr, correr comigo e conseguir baixar seu tempo. Fomos juntos a maior parte do percurso. Ele me acompanhando e eu, aos poucos, perdendo o medo. Correr com quem a gente ama é uma experiência singular. Tem que aprender o ritmo do outro, tem que respeitar e ao mesmo tempo incentivar, brincar um pouco e também trocar reclamações sobre a perna que dói, o pé que atrapalha, a subida que não termina. Correr juntos é também poder ficar em silêncio. E ficar em silêncio juntos é uma grande cumplicidade. E nesse intervalo sem palavras, nos amamos profundamente, trocamos olhares, sorrisos, demos água e catorade um para o outro, respiramos fundo, apostamos e seguimos em frente. “Como está o pé, filho?” “Mãe, teu joelho está doendo?” Aos 8km e 500mts, Pedro decidiu seguir na minha 19429759_10203221996388606_3679639040810604682_nfrente sozinho. Ele se desgarrou e foi, eu aumentei o passo também, só para ver ele ultrapassando as pessoas e se aproximando da chegada. Até que eu não vi mais. Nunca gostei tanto de ficar para trás… Como sempre terminei a corrida muito grata, e muito feliz. Pedro também! Lá estavam Cristiano Silveira e Luiza nos esperando, muito amor. Como Pedro costuma falar o melhor é o “pós-corrida”! Porque de alguma forma ela nos revigora, ela nos alimenta, ela nos enche de endorfina, seratonina, dopamina e garra. No meu caso, ela me reinventa um pouco. Naqueles
momentos finais eu acredito que as coisas vão melhorar, que vamos conseguir. Eu aprendo a valorizar cada quilômetro do percurso e apreciar a paisagem. Ao Pedro agradeço por ter me cuidado, me acompanhado e me superado com tanto amor, leveza e alegria. Agora foi você, filhote, quem trouxe a corrida de volta para mim!”.

Pedro tem Fibrose Cística. Seu pai, Cristiano Silveira, é presidente da ACAM RJ – Associação Carioca de Assistência à Mucoviscidose e coordenador da Equipe de Fibra. 

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