A dificuldade para permitir que nossos entes queridos nos ajudem

Categoria: Depoimentos - Postador por: Comunicação IUPV - Data: 25 de março de 2019

A Fibrose Cística (FC) é imprevisível. Há dias em que sinto como se pudesse correr muito mais rápido, e outros que sinto como se ficasse encarando a esteira de corrida, sem querer atingir a meta de distância. Sou uma pessoa que gosta de identificar padrões nas coisas — desde padrões no clima ou quais sinais de trânsito ficam super congestionados e em qual momento, até os padrões na minha pesquisa científica. Acredito que isso se deve, em grande parte, à minha formação em engenharia.

Como engenheiro, aprendi a encontrar tendências e a analisar os dados em níveis incrivelmente altos. Contudo, independentemente da minha facilidade em reconhecer padrões, a FC sempre irá superar as minhas previsões.

Não me entenda mal; quem tem FC aprende a reconhecer os sinais de que está ficando doente. Às vezes, é fácil saber quando precisamos dar início aos tratamentos ou pedir terapias adicionais. Mas frequentemente, há momentos em que os obstáculos e os desafios de saúde são imprevisíveis e acabam saindo do controle.

Para mim, esses momentos imprevisíveis são desgastantes, tanto física quanto mentalmente. Eu me sinto bem, mas o meu corpo age de outra maneira e eu começo a notar a instabilidade. Pouco a pouco a ansiedade vem se aproximando e ela acaba levando a minha melhor parte. Tenho um hábito ruim nos momentos de estresse, que me leva a me afastar das pessoas próximas. Sei que isso não é saudável, mas afasto as pessoas que significam muito para mim, amigos e família, porque considero que a jornada da FC é só minha.

É natural que as pessoas que fazem parte da minha vida se preocupem comigo. Toda vez que eu tusso, percebo a  preocupação deles. É como se qualquer ação minha pudesse levar a um potencial indício de que águas turbulentas estão se aproximando.

Por isso, quando as coisas ficam difíceis, eu me afasto das pessoas ao meu redor, como minha família e amigos. Ainda não sei bem por que eu faço isso. Sei que essas pessoas se preocupam comigo, e eu com elas. Mas ver a preocupação delas faz com que eu me sinta culpado e impotente

Isso, por sua vez, pode levar a mais sofrimento. Os entes queridos começam a perceber meu distanciamento, minhas atitudes intencionais de isolamento. Eu estou me conscientizando dessa situação e começando a me sentir mal com as minhas ações.

Quero aprender a permitir que os outros se aproximem, mas isso será um processo.  Portanto, peço desculpas àqueles que fazem parte da minha vida e que eu possa ter me afastado em alguns momentos. E àqueles que fazem parte da vida de outras pessoas com FC que passam por isso, eu peço: por favor, sejam compreensivos e nos dêem tempo.

Fonte: D’AMICO, R. Struggling to Let Others In. Cystic Fibrosis News Today. 25 de setembro de 2017. Disponível em:  https://cysticfibrosisnewstoday.com/2017/09/25/cystic-fibrosis-and-constant-struggle-to-let-others-in/.

Traduzido por Vera Carvalho, voluntária de tradução para o Instituto Unidos pela Vida. Vera é tradutora profissional com especialidade na área científica (carvalho.vera.carvalho@gmail.com).

Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.

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