Anvisa aprova biológico depemoquimabe para asma grave e rinossinusite crônica
Comunicação IUPV - 28/05/2026 10:41Com administração semestral (apenas duas vezes ao ano), medicamento traz uma nova era de adesão e qualidade de vida para pacientes afetados pela inflamação do tipo 2.

O cenário do tratamento de doenças respiratórias crônicas graves no Brasil acaba de receber uma atualização histórica. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro regulatório do depemoquimabe. O medicamento é um imunobiológico inovador de ultralonga ação, desenvolvido pela GSK, indicado como tratamento complementar para pacientes com asma grave e com rinossinusite crônica com pólipos nasais (RSCcPN), ambas mediadas por inflamação do tipo 2.
O grande diferencial na adesão ao tratamento
Ao contrário das terapias biológicas atuais, que exigem aplicações frequentes (mensais ou quinzenais), o depemoquimabe é administrado por via subcutânea em intervalos de 6 meses. Isso significa que o paciente necessita de apenas duas aplicações por ano para manter o controle da doença.
A baixa adesão terapêutica é historicamente um dos maiores desafios na gestão de doenças crônicas graves. A necessidade de idas frequentes a centros de infusão ou de autoaplicações mensais compromete a consistência do tratamento a longo prazo. A formulação de ultralonga ação do depemoquimabe ataca diretamente esse gargalo, oferecendo maior conveniência e permitindo que a rotina do paciente não seja constantemente interrompida pela patologia.
O medicamento age como um anticorpo monoclonal altamente específico direcionado à interleucina-5 (IL-5). A IL-5 é a principal citocina responsável pela ativação e sobrevivência dos eosinófilos – as células cujo acúmulo excessivo desencadeia a cascata inflamatória do tipo 2, danificando as vias aéreas superiores e inferiores.
Segurança e eficácia comprovadas
A aprovação da Anvisa (por meio da Resolução-RE nº 1.896, de 7 de maio de 2026) foi respaldada por um programa de desenvolvimento clínico global de Fase III. Os estudos SWIFT avaliaram a eficácia e a segurança do depemoquimabe na população com asma grave eosinofílica, demonstrando uma redução drástica nas exacerbações (crises graves) e melhora estável na função pulmonar.
Paralelamente, os ensaios ANCHOR focaram nos pacientes com RSCcPN grave. Os resultados evidenciaram uma redução expressiva no tamanho dos pólipos nasais e na severidade da obstrução nasal, diminuindo substancialmente a necessidade de intervenções cirúrgicas endoscópicas repetidas. Conforme a bula aprovada, o uso do medicamento é indicado para o público adulto e pediátrico acima de 12 anos de idade, em apresentações prontas para o uso (100 mg / 1 mL).
O impacto epidemiológico no Brasil e novas aprovações
A chegada dessa tecnologia responde a uma severa demanda de saúde. Segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), a asma atinge cerca de 10% da população brasileira, sendo uma das principais causas de hospitalizações no SUS. Adicionalmente, a RSCcPN impõe um fardo invisível, provocando perda total do olfato, distúrbios do sono e dor facial crônica.
Além dessa importante notícia, o avanço na medicina respiratória não para por aí. Recentemente, a Anvisa também aprovou a ampliação do uso do mepolizumabe (outra terapia biológica, de administração mensal) como tratamento complementar para a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) grave com fenótipo eosinofílico, fortalecendo as opções de cuidado para disfunções pulmonares severas.
O papel do Instituto Unidos pela Vida
Como uma instituição dedicada a transformar a realidade de pessoas com patologias respiratórias crônicas, o Instituto Unidos pela Vida celebra a chegada de novas alternativas terapêuticas. Promover o conhecimento técnico de forma clara e lutar pelo acesso a essas inovações faz parte do nosso compromisso diário com a comunidade de pacientes e familiares no Brasil.
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Nota importante: As informações aqui contidas têm cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e/ou o tratamento médico. Em caso de dúvidas, fale com seu médico.
Referências:
Densurko® (depemoquimabe): Bula do produto.
BRASIL. Anvisa: RESOLUÇÃO-RE Nº 1.896, DE 7 DE MAIO DE 2026. Diário Oficial da União.
Jackson D, et al. Twice-Yearly Depemokimab in Severe Asthma with an Eosinophilic Phenotype. N Engl J Med. 2024; 391(24): 2337-2349.
Gevaert P, et al. Efficacy and safety of twice per year depemokimab in chronic rhinosinusitis with nasal polyps (ANCHOR-1 and ANCHOR-2). The Lancet. 2025;405(10482):911-926.
ASBAI: Asma atinge 10% da população brasileira. Disponível em https://asbai.org.br/asma-atinge-10-da-populacao-brasileira/
BRASIL. Anvisa: Resolução-RE nº 1.583, de 16 de abril de 2026. Diário Oficial da União. (Aprovação de mepolizumabe para DPOC).
Kwiatek J. Low adherence to current biologic therapies in asthma. Proceedings of the AAAAI Annual Meeting. 2025; Poster L35.