Compreendendo a DPOC: Guia Definitivo para Pacientes e Familiares

Comunicação IUPV - 13/08/2026 08:00

O que é a DPOC? 

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma doença heterogênea caracterizada por sintomas respiratórios crônicos resultantes de anormalidades nas vias aéreas e/ou alvéolos, que causam limitação persistente e muitas vezes progressiva do fluxo aéreo (GOLD, 2025). Embora a DPOC não tenha cura, é possível retardar sua progressão com um estilo de vida saudável e o tratamento adequado (GAAPP, 2026).

O que acontece nos pulmões? 

Imagine os brônquios como “tubos” e os alvéolos como “balões”. Na DPOC, ocorre o inchaço e estreitamento das vias aéreas, que podem ser bloqueadas por muco. Há também a destruição das membranas alveolares (enfisema), o que faz com que o ar fique aprisionado nos pulmões, dificultando a respiração (GAAPP, 2026).

Sintomas comuns da DPOC 

Os sinais clássicos incluem dispneia crônica (falta de ar), tosse crônica, sibilância (chiado no peito) e dor torácica (SILVA et al, 2024). Em muitos casos, os pacientes também apresentam excesso de muco e infecções respiratórias frequentes. Caso perceba essas dificuldades de forma persistente, é fundamental procurar um profissional de saúde (GAAPP, 2026).

O que causa a DPOC? Quais são os fatores de risco? 

As causas e fatores de risco podem ser compreendidos pelo acrônimo S.M.O.K.E (GAAPP, 2026):

  • Smoking (Tabagismo): O fumo de cigarro, cachimbo, charuto ou maconha é o principal fator, incluindo a exposição ao fumo passivo e o uso de vapers
  • Micro-environmental pollution (Poluição do microambiente): Fumaça de fogão a lenha, lareiras e má ventilação doméstica
  • Occupational exposure (Exposição ocupacional): Poeiras, vapores e produtos químicos no ambiente de trabalho
  • Key personal risks (Principais fatores de risco pessoais): Genética (como a deficiência de alfa-1 antitripsina) e problemas no desenvolvimento pulmonar. Além dos fatores ambientais, a genética tem um papel fundamental. A Deficiência de Alfa-1 Antitripsina (DAAT) é uma herança genética autossômica codominante que resulta na redução da atividade de proteção (antielastase) nos pulmões, aumentando consideravelmente o risco de desenvolvimento de enfisema pulmonar. Estima-se que haja um grande subdiagnóstico dessa condição na prática clínica. Para pacientes não fumantes com deficiência grave, o tratamento pode envolver terapias específicas, como a administração exógena de alfa-1 antitripsina purificada (FEITOSA et al., 2024).
  • Exacerbating infections (Infecções): Histórico de infecções respiratórias graves na infância ou recorrentes. 

O que é uma exacerbação (crise) da DPOC? 

Uma exacerbação é definida como o aparecimento ou a piora dos sintomas respiratórios em um período de até 14 dias. Essas crises aceleram a perda da função pulmonar e aumentam tanto o risco de internações quanto a mortalidade (SBPT, 2024). Elas podem ser desencadeadas por diversos fatores externos, incluindo mudanças climáticas, como a exposição ao frio intenso (GAAPP, 2026).

Como a DPOC é diagnosticada? 

O diagnóstico é sugerido pela história clínica do paciente e confirmado laboratorialmente por testes de função pulmonar, estabelecendo-se a obstrução quando a relação VEF1/CVF é menor que 0,7 (WISE; RIVERA, 2026). O exame central para essa confirmação é a espirometria, um teste rápido e indolor que mede a quantidade e a velocidade do ar que o paciente consegue expirar (GAAPP, 2026).

Após a confirmação da obstrução através da espirometria, o próximo passo é categorizar os pacientes para orientar o tratamento de forma personalizada. Recentemente, a principal diretriz internacional (GOLD) atualizou a sua ferramenta de avaliação, passando do antigo sistema “ABCD” para a nova classificação “ABE”. Essa mudança foca primariamente na intensidade dos sintomas atuais do paciente e no seu risco de sofrer novas exacerbações, o que tem impacto direto na escolha da terapia medicamentosa inicial (SILVA et al., 2024; WISE; RIVERA, 2026).

A DPOC pode ser tratada? 

Sim. Cada regime de tratamento farmacológico deve ser individualizado com base na intensidade dos sintomas e no risco de exacerbações do paciente. Os objetivos clínicos estabelecidos para o tratamento incluem: aliviar sintomas, melhorar a tolerância a exercícios físicos e o estado geral de saúde, além de prevenir novas exacerbações e reduzir a mortalidade (GOLD, 2025).

Tratamento farmacológico da DPOC 

Fisiologicamente, o tratamento utiliza broncodilatadores (como SABA, LABA e LAMA) isolados ou em combinações com corticoides inalatórios, além de terapias mais avançadas com imunobiológicos para fenótipos específicos (SBPT, 2024). De forma prática, os medicamentos dividem-se em quatro grupos principais (GAAPP, 2026):

  • Broncodilatadores de resgate: Usados para o alívio rápido da falta de ar.
  • Broncodilatadores de manutenção (LABA e LAMA): Utilizados diariamente para controlar sintomas persistentes e evitar crises.
  • Combinações inaladas: Frequentemente associam dois broncodilatadores ou acrescentam um corticoide inalado (ICS) para pacientes com crises frequentes ou asma associada. Para pacientes com DPOC de moderada a muito grave e histórico frequente de exacerbações, a Terapia Tripla – que associa um corticoide inalatório (ICS), um LABA e um LAMA no mesmo dispositivo – tem se mostrado uma opção terapêutica altamente eficaz. Comparada a terapias duplas, ela apresenta taxas menores de exacerbação e resulta em uma melhora expressiva na redução de sintomas e na qualidade de vida (VAN GEFFEN et al., 2023).
  • Biológicos: Opções modernas para pacientes selecionados com inflamação específica (tipo 2) e exacerbações frequentes. A medicina de precisão trouxe avanços com as terapias biológicas (como o dupilumabe), que demonstraram forte eficácia na redução de exacerbações. O principal biomarcador utilizado pelos médicos para selecionar os candidatos ideais a esse tratamento é a contagem de eosinófilos no sangue (PITRE et al., 2025). 

Lidando com estágios avançados e complicações

Casos graves e de longa duração podem vir acompanhados de outras complicações, como a perda de peso acentuada, pneumotórax e a insuficiência cardíaca direita (conhecida como cor pulmonale) (WISE; RIVERA, 2026). À medida que a doença avança e os níveis de oxigênio no sangue ficam perigosamente baixos, o paciente pode passar a necessitar de oxigênio suplementar contínuo para viver com conforto (FIRS, 2013). Em quadros muito avançados e irreversíveis, opções cirúrgicas como procedimentos de redução do volume pulmonar ou o transplante de pulmão também podem ser considerados pela equipe médica (WISE; RIVERA, 2026).

Prevenindo a piora da doença e as exacerbações 

A medida isolada mais eficaz para alterar a história natural da DPOC é a cessação do tabagismo (SBPT, 2024). Aliado a isso, é crucial manter a caderneta de vacinação atualizada, com destaque para as vacinas contra Gripe, COVID-19, Pneumococo e VSR (GOLD, 2025). No dia a dia, recomenda-se que o paciente conheça e evite seus gatilhos, siga um plano de ação médico, participe de programas de reabilitação e realize espirometrias regulares de controle (GAAPP, 2026).

A reabilitação pulmonar pode me ajudar? 

A reabilitação pulmonar é indicada para todos os pacientes sintomáticos, oferecendo benefícios diretos como a redução da dispneia, da ansiedade e da depressão (SBPT, 2024). O programa funciona combinando educação para o autocuidado com treinamento físico supervisionado, o que frequentemente resulta na melhora do humor e em um aumento significativo da energia no dia a dia (GAAPP, 2026).

Vivendo bem com a DPOC 

Para viver com qualidade, é essencial tomar os medicamentos exatamente como prescritos, manter-se fisicamente ativo dentro dos limites, ter uma alimentação saudável (estilo mediterrâneo) e descansar o suficiente. O apoio da família e de associações de pacientes é fundamental para o bem-estar emocional e para o acesso a informações confiáveis (GAAPP, 2026).

Principais mensagens e onde encontrar mais informações 

A DPOC é desencadeada não apenas pelo fumo, mas também por exposições ambientais diversas e fatores genéticos (GOLD, 2025). Sendo assim, não é exclusivamente uma doença de fumantes. Com o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, é perfeitamente viável levar uma vida ativa e produtiva (GAAPP, 2026).

Materiais de apoio para o paciente 

O Instituto Unidos pela Vida faz parte do Global Allergy & Airways Patient Platform (GAAPP). Por meio do COPD Success Project, trabalhamos colaborativamente para oferecer materiais didáticos práticos à comunidade brasileira. 

Convidamos você a explorar a página oficial do GAAPP sobre a doença e a utilizar as ferramentas exclusivas abaixo: https://gaapp.org/diseases/copd/education-tools.

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Nota importante: As informações aqui contidas têm cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e/ou o tratamento médico. Em caso de dúvidas, fale com seu médico.

Referências

FEITOSA, Paulo Henrique Ramos et al. Recomendações para o diagnóstico e tratamento da deficiência de alfa-1 antitripsina. Jornal Brasileiro de Pneumologia, [S. l.], 2024. Disponível em: https://www.scielo.br/j/jbpneu/a/FRCDzgJ8wLrtLZpFtq74QJz/?lang=pt. Acesso em: 12 ago. 2026.

GLOBAL ALLERGY & AIRWAYS PATIENT PLATFORM (GAAPP). Compreendendo a DPOC: um guia para pacientes e familiares. [S. l.]: GAAPP, 2026. Disponível em: https://gaapp.org/wp-content/uploads/2026/07/Copy-of-Understanding-COPD-Br-Portuguese.pdf. Acesso em: 12 ago. 2026.

FÓRUM DAS SOCIEDADES RESPIRATÓRIAS INTERNACIONAIS (FIRS). Doenças respiratórias no mundo: Realidades de Hoje – Oportunidades para o Amanhã. Sheffield: European Respiratory Society, 2013. Disponível em: https://www.thoracic.org/about/global-public-health/firs/resources/FIRS-in-Portuguese.pdf. Acesso em: 12 ago. 2026.

GLOBAL INITIATIVE FOR CHRONIC OBSTRUCTIVE LUNG DISEASE (GOLD). 2025 Guia de bolso para diagnóstico, tratamento e prevenção da DPOC: um guia para profissionais de saúde. [S. l.]: GOLD, 2025. Disponível em: https://goldcopd.org/wp-content/uploads/2025/06/2025-Portuguese-Translation-PG_WMV.pdf. Acesso em: 12 ago. 2026.

PITRE, T. et al. Biologic Therapies for Chronic Obstructive Pulmonary Disease: A Systematic Review and Network Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. COPD: Journal of Chronic Obstructive Pulmonary Disease, [S. l.], v. 22, n. 1, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1080/15412555.2025.2449889. Acesso em: 12 ago. 2026.

SILVA, Marcos Fernandes da et al. Atualizações no diagnóstico e tratamento da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Revista Contribuições às Ciências Sociais, [S. l.], 2024. Disponível em: https://ojs.revistacontribuciones.com/ojs/index.php/clcs/article/view/5937. Acesso em: 12 ago. 2026.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE PNEUMOLOGIA E TISIOLOGIA (SBPT). Doença pulmonar obstrutiva crônica: diagnóstico e tratamento – manual para os profissionais da rede básica de saúde. 1. ed. Brasília: SBPT, 2024. Disponível em: https://storage.googleapis.com/bkpsbpt/arquivos/pdf/SBPT_MANUAL_DPOC_FINAL_25_OUT_2024.pdf. Acesso em: 12 ago. 2026.

VAN GEFFEN, W. H. et al. Inhaled corticosteroids with combination inhaled long-acting beta2-agonists and long-acting muscarinic antagonists for chronic obstructive pulmonary disease. The Cochrane Database of Systematic Reviews, [S. l.], v. 12, n. 12, CD011600, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1002/14651858.CD011600.pub3.

WISE, Robert A.; RIVERA, M. Patricia. Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Manual MSD: Versão para Profissionais de Saúde, [S. l.], jan. 2026. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/dist%C3%BArbios-pulmonares/doen%C3%A7a-pulmonar-obstrutiva-cr%C3%B4nica-e-doen%C3%A7as-relacionadas/doen%C3%A7a-pulmonar-obstrutiva-cr%C3%B4nica-dpoc. Acesso em: 12 ago. 2026.