Estudo braslieiro destaca a gravidade do VSR em bebês e reforça a importância do novo protocolo de prevenção no SUS
Instituto Unidos pela Vida - 27/08/2026 10:51Pesquisa com mais de 2 mil crianças evidencia o impacto do vírus nas internações em UTI; profilaxia primária com nirsevimabe será garantida para pacientes com fibrose cística após atuação do Instituto.

Um estudo recente trouxe novos dados alarmantes sobre o impacto do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) na saúde infantil. A pesquisa, que analisou o perfil clínico de 2.363 bebês de 1 a 24 meses internados com bronquiolite viral aguda grave, revelou que o VSR foi identificado em 44% dos casos analisados.
Os resultados demonstram de forma contundente a gravidade e o risco sistêmico da infecção em lactentes:
- Do total de pacientes internados, 51,8% necessitaram de cuidados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
- Durante a hospitalização, 45,3% das crianças precisaram de suporte respiratório intensivo.
- A infecção específica pelo VSR está associada a um risco mais de duas vezes maior (Odds Ratio de 2,18) de internação em UTI em comparação com outros agentes virais.
- Fatores como idade inferior a seis meses e saturação de oxigênio igual ou menor que 93% no momento da admissão também foram identificados como fortes preditores de risco clínico.
A pesquisa também apontou para uma mudança no comportamento da infecção no período pós-pandemia da COVID-19. Os pesquisadores notaram que os bebês hospitalizados são significativamente mais jovens e apresentam taxas maiores de internação em cuidados intensivos. Além disso, o estudo observou uma alteração na sazonalidade tradicional da doença, com picos adicionais de incidência ocorrendo de forma atípica durante a primavera.
Avanço na prevenção: Nirsevimabe no SUS
Diante do alto risco de complicações associadas ao VSR, a prevenção se consolida como a estratégia de saúde pública mais eficaz. A partir de fevereiro de 2026, o Sistema Único de Saúde (SUS) passará a disponibilizar o nirsevimabe, um anticorpo monoclonal administrado em dose única via intramuscular. O imunizante oferece proteção direta e prolongada por até seis meses contra as infecções do trato respiratório inferior causadas pelo vírus.
A estratégia nacional de imunização abrangerá bebês prematuros nascidos com até 36 semanas e 6 dias (com aplicação durante todo o ano, preferencialmente nas maternidades) e crianças menores de 24 meses com comorbidades, com administração voltada para o período de sazonalidade, entre fevereiro e agosto.
O papel do Unidos pela Vida na garantia de acesso
Inicialmente, os critérios propostos pelo governo para a inclusão de crianças com fibrose cística no protocolo do nirsevimabe eram extremamente rigorosos. O texto original previa a profilaxia apenas para pacientes que já apresentassem doença pulmonar grave (como internações prévias por exacerbação), alterações persistentes em exames de imagem ou déficit nutricional severo.
O Instituto Unidos pela Vida, compreendendo que a infecção por VSR atua como um gatilho rápido para a deterioração pulmonar e a colonização bacteriana precoce na FC, posicionou-se fortemente durante a consulta pública da Conitec. Além disso, em conjunto com a Coalizão Cheios de Fôlego, o Instituto levou essa pauta científica e de defesa de direitos diretamente à comissão responsável.
A mobilização conjunta foi decisiva para que a decisão restritiva para a FC fosse revertida. Com o novo protocolo, a profilaxia passa a ser primária: o objetivo agora é garantir a proteção e neutralizar o vírus antes que o dano pulmonar irreversível se instale, assegurando a preservação da capacidade respiratória dessas crianças.
REFERÊNCIAS:
WANDALSEN, G. F. et al. Clinical and epidemiological profile of infants with severe bronchiolitis before and after the COVID-19 pandemic. Jornal de Pediatria, [S. l.], 2026. Article in press. DOI: 10.1016/j.jped.2026.101595. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42526845. Acesso em: 27 ago. 2026.
Quer fortalecer o trabalho realizado pelo Unidos pela Vida? Clique aqui e escolha a melhor forma de fazer uma doação.
Nota importante: As informações aqui contidas têm cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e/ou o tratamento médico. Em caso de dúvidas, fale com seu médico.