Estudo indica que bactérias S. pseudopneumoniae podem causar exacerbações pulmonares em pessoas com Fibrose Cística

Categoria: Coluna Científica - Postador por: Comunicação IUPV - Data: 18 de maio de 2020

A Streptococcus pseudopneumoniae deve ser incluída no painel de bactérias oportunistas que causam exacerbações pulmonares entre aqueles com fibrose cística (FC), de acordo com um pequeno estudo francês.

O estudo, “Streptococcus pseudopneumoniae, an opportunistic pathogen in patients with cystic fibrosis” (Streptococcus pseudopneumoniae, um patógeno oportunista em pacientes com fibrose cística), foi publicado no Journal of Cystic Fibrosis.

S. pseudopneumoniae é uma espécie de bactéria descrita recentemente que pertence ao “grupo mitis”, dentro dos maiores estreptococos do grupo viridans (VGS), um grupo variado de bactérias que colonizam vários tecidos e órgãos, incluindo as vias aéreas.

Um estudo prévio relatou que a Streptococcus é um dos tipos mais comuns de bactérias encontradas nas vias aéreas de crianças com Fibrose Cística durante os dois primeiros anos de vida. Além disso, a S. pseudopneumoniae foi classificada como uma bactéria oportunista em pessoas com doenças pulmonares crônicas, incluindo doença pulmonar obstrutiva crônica.

No entanto, pouco se sabe sobre o impacto clínico da S. pseudopneumoniae sobre a saúde das pessoas com Fibrose Cística.

Para lidar com essa questão, os pesquisadores franceses revisaram os dados clínicos e microbiológicos associados com a S. pseudopneumoniae em um grupo de 20 pacientes com FC, que foram acompanhados regularmente no centro de Fibrose Cística do Hospital Universitário de Montpellier por um período de seis anos.

Através de uma combinação de testes genéticos, que incluíram a detecção da S. pseudopneumoniae por meio de marcadores específicos em amostras do trato respiratório dos pacientes, a equipe confirmou a presença da bactéria em 13 das 20 pessoas incluídas no estudo.

Desses 13 pacientes (sete do sexo masculino e seis do sexo feminino) cujas amostras apresentaram resultado positivo para S. pseudopneumoniae, 11 (84,6%) eram crianças menores de 10 anos. A equipe levantou a hipótese de que a maior incidência da S. pseudopneumoniae em crianças poderia estar relacionada com o alto número de espécies de bactérias encontradas em suas  amígdalas.

Em 77% dos pacientes a S. pseudopneumoniae foi considerada o micróbio dominante ou codominante. Seis pessoas também mostraram evidências de colonização crônica por Staphylococcus aureus, a causa mais comum de infecções pulmonares em pacientes com Fibrose Cística durante sua primeira década de vida, e um paciente por Pseudomonas aeruginosa.

Seis pacientes (46%) tiveram um episódio de exacerbação pulmonar (piora dos sintomas) no momento do isolamento da S. pseudopneumoniae, o que a equipe observou ser comparável com a taxa de 35% de exacerbação associada com a presença da Streptococcus pneumoniae, outro membro do “grupo mitis”.

“Mostramos que a S. pseudopneumoniae […] estava associada com a exacerbação pulmonar, como único patógeno oportunista ou como parte de um processo infeccioso polimicrobiano”, escreveram os pesquisadores.

Sete pacientes (54%) receberam um tratamento antimicrobiano efetivo contra a S. pseudopneumoniae, o que consistiu principalmente de terapia combinada de antibióticos co-amoxiclav.

Análises adicionais mostraram que a S. pseudopneumoniae era suscetível a vários antibióticos, incluindo amoxicilina, cefotaxima, pristinamicina, rifampicina, vancomicina e teicoplanina, e resistente ou menos suscetível a eritromicina, tetraciclina e penicilina.

Com base nos resultados, a equipe sugeriu que “A S. pseudopneumoniae deve ser considerada como um patógeno oportunista adicional na FC”, eles escreveram.

“Nossos resultados justificam a necessidade de estudos adicionais para aumentar o conhecimento da epidemiologia e significado clínico da S. pseudopneumoniae na Fibrose Cística”, afirmaram os pesquisadores.

A equipe também observou que testes laboratoriais adequados devem ser desenvolvidos e aplicados na prática de rotina para evitar a identificação incorreta de espécies de bactérias nas amostras de pacientes, e o uso de tratamentos antimicrobianos inadequados.

A equipe enfatizou que “ainda são necessários esforços no sentido de identificar as espécies com precisão na prática de rotina”.

Por Marta Figueiredo, bacharel em Biologia e mestre em Biologia Evolutiva e do Desenvolvimento pela Universidade de Lisboa, Portugal. Atualmente ela está concluindo o Doutorado em Ciências Biomédicas na Universidade de Lisboa, onde concentrou sua pesquisa no papel de várias vias de sinalização em desenvolvimento embrionário das glândulas timo e paratireoide.

Fonte: https://cysticfibrosisnewstoday.com/2020/01/31/s-pseudopneumoniae-bacteria-cause-pulmonary-exacerbations-cf-patients-study/

Traduzido por Vera Carvalho, voluntária de tradução para o Instituto Unidos pela Vida.

Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.

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