Depoimento Rafaeli Dallabrida – Sorria para a vida que ela vai sorrir de volta para você

Categoria: Depoimentos - Postador por: Comunicação IUPV - Data: 01 de outubro de 2019

O Meu nome é Rafaeli Dallabrida, eu tenho 17 anos de idade, moro na cidade de Ajuricaba/RS, estou no terceiro ano do ensino médio e costumo dizer que ter Fibrose Cística foi um grande presente que Deus me deu.

O meu diagnóstico começou nos meus 25 dias de vida, quando o Teste do Pezinho indicou uma alteração. O resultado nunca dava exato para a Fibrose Cística mas, mesmo assim, iniciei o tratamento para a doença. No dia 04 de abril de 2002, quando realizei o Teste do Pezinho novamente, o resultado indicou a Fibrose Cística. O Teste do Suor foi realizado diversas vezes, mas nunca deu positivo, sempre indicava um resultado aproximado, mas não confirmava. 

Comecei meu acompanhamento em Passo Fundo/RS, com uma pediatra do Hospital Pronto Clínicas. Quando estava perto de completar 14 anos, meu quadro clínico piorou e eu já estava começando a ficar dependente do uso de oxigênio para dormir. Então, em uma das minhas inúmeras internações, tive um contratempo com o pulmão e teria que passar por uma cirurgia. Para isso, seria transferida para Porto Alegre, mas como estavam com falta de leito, tive que continuar esperando no Hospital de Passo Fundo.

Foi nesse momento que aconteceu um verdadeiro milagre. Ao ficar na espera, meu pulmão deu uma reviravolta, com a grande ajuda da fisioterapia respiratória, e tudo se resolveu como se o problema nunca tivesse existido. Sem precisar da operação, logo tive alta e fui para casa. Isso foi um grande alívio para mim, para a minha família e fez a minha fé em Deus aumentar ainda mais.

Depois do ocorrido, como já estava quase completando meus 14 anos, eu não podia mais ser tratada por pediatras, por isso, mantivemos contato com a equipe de Porto Alegre, do Hospital de Clínicas (onde eu teria feito a cirurgia) e lá comecei a me tratar diretamente com a equipe para adultos. Quando cheguei lá, causei pavor aos médicos porque o meu estado de saúde não estava nada bom. Eles tomaram as devidas providências e me ensinaram muitas coisa em relação ao tratamento, sobre como tudo deve ser feito da forma correta e adequada, ressaltando a grande importância da fisioterapia respiratória.

A minha rotina mudou muito desde que comecei a me tratar em Porto Alegre. Durante a minha primeira internação lá, eu estava com um quadro clínico bem crítico. Mas, com o passar do tempo, minha melhora na adesão ao tratamento e a ajuda da minha família, minha saúde melhorou. Hoje, graças a todos os tratamentos e medicamentos que existem, estou cada dia melhor. Eu não preciso mais do meu amigo oxigênio para dormir e minha capacidade pulmonar melhorou muito e segue melhorando cada dia mais.

Ter Fibrose Cística é enfrentar um grande desafio todos os dias, é se submeter a acordar cedo para fazer a fisioterapia respiratória antes de ir trabalhar, frequentar academia para ganhar massa muscular e conseguir não perder peso, a ter uma dieta hipercalórica, ter lindas olheiras, saber que tomar banho na chuva e passar frio por estar molhada pode gerar uma gripe danada ou até mesmo uma infecção. Mas, principalmente, estar preparado para um dia se sentir muito bem e no outro talvez estar em uma cama de hospital.

Realmente, a Fibrose Cística é uma luta de fôlego, mas temos que nos cuidar e nos tratar para sentir o prazer de poder viver, de poder respirar o ar puro. Não é fácil precisar de medicamentos e de um tratamento puxado que você vai carregar para o resto da vida, mas eu só posso agradecer por todos os recursos que existem e aos novos que vem surgindo, por existirem exames que, por mais desagradáveis que possam ser, nos ajudam muito. Hoje, eu vejo que eu não seria quem eu sou sem a minha fiel companheira Fibrose Cística. Ela só quer ser bem cuidada para que, assim, não nos cause incômodo.

Eu tenho um pai, uma mãe, uma irmã, um cunhado e um namorado de fibra que são incríveis e estão sempre me ajudando a ser mais forte e me ensinando a continuar a lutar, tendo amor próprio e muita autoestima para poder viver bem e muito feliz. Também sei que tenho muitos amigos de fibra que estão comigo quando preciso e que cuidam sempre de mim, seja de perto ou de longe.

Só sei que devo me tratar para poder viver e não viver para me tratar e que Deus nunca vai dar nos dar um fardo mais pesado do que podemos carregar. Aprendi que devemos seguir a vida sorrindo para que ela possa sorrir de volta para nós e, com muita força e dedicação, dar o nosso melhor e viver cada dia intensamente como se fosse o último.

Sabemos que os momentos que vivemos intensamente com quem amamos valem mais que tudo e tornam-se inesquecíveis. Estou aprendendo com a vida que os problemas que temos são pequenos diante do grande mundo de oportunidades e dias melhores que sempre estão por vir. Com fé em Deus e muito amor próprio, nem mesmo uma doença será capaz de me derrubar, e por tudo isso eu digo que I LOVE MY LIFE! Eu amo a minha vida!

Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.

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