Saiba tudo sobre a Hiponatremia associada ao exercício físico – Parte 1

Categoria: Notícias - Postador por: Instituto Unidos pela Vida - Data: 24 de agosto de 2015

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Nota importante: As informações aqui contidas têm cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.

Há muito tempo alertamos as pessoas com Fibrose Cística sobre os riscos ocasionados pela hiponatremia induzida pelo calor, nos dias de maior temperatura, ou pelo exercício físico intenso e prolongado. Como percebemos que esse é um assunto que ainda gera muitas dúvidas para as pessoas com FC, decidimos abordá-lo de forma detalhada, esclarecendo suas causas, sintomas mais comuns, procedimentos que devem ser adotados e ou evitados em caso de ocorrência de hiponatremia, e a relação da hiponatremia com o exercício físico. Para isso, conversamos com o professor de Educação Física, Rodrigo Gonzaga Troyack de Lima*. Confira!

O que é hiponatremia?

A hiponatremia associada ao exercício físico (EAH), ou simplesmente hiponatremia, é a alteração da concentração de sódio [Na+] no plasma sanguíneo, atingindo valores menores que 135 mol/L, durante a prática de exercícios físicos. A perda de sódio ocorre em função de dois fatores: (1) a própria perda de Na+ característica da FC, através da sudorese; (2) o excesso de ingestão de líquidos (água, bebidas isotônicas, ou outros líquidos hipotônicos) em volumes maiores do que a perda de sódio que ocorre através do suor e da excreção de água pela respiração e pelos rins. Tal excesso de ingestão de líquidos ajuda a diluir ainda mais a concentração de Na+ no plasma sanguíneo.

dor de cabeçaQuais são os sintomas típicos da hiponatremia?

Dor de cabeça, tontura, náusea, vômito, desorientação, agitação e estado de confusão mental decorrente de edema cerebral associado a hiponatremia (EAHE – exercise associated hiponatremic encephalopathy). O edema cerebral se forma por causa da entrada de grande quantidade de água (proveniente do líquido ingerido em excesso) no espaço intracelular das células do cérebro e do sistema nervoso central (SNC), o que eleva a pressão intracraniana e produz as dores de cabeça e o estado de confusão mental.

Qual a diferença entre a hiponatremia e a desidratação?

A hiponatremia é caracterizada pela diminuição da concentração de Na+ no plasma sanguíneo e a desidratação se caracteriza pela diminuição da concentração de água (H2O) do organismo como um todo, não apenas no plasma sanguíneo. Se a água perdida através da respiração, suor, saliva, lágrimas, urina e fezes não for reposta adequadamente, a desidratação pode levar o indivíduo a morte.

A desidratação pode ser classificada de acordo com a gravidade dos sintomas, em leve, moderada e grave. A desidratação leve e moderada tem como sintomas principais a boca e a pele seca, olhos fundos, diminuição da produção de suor e lágrima. Já a desidratação grave, além destes sintomas, pode provocar redução da pressão arterial, convulsões e estado de confusão mental.

A hiponatremia associada ao exercício está diretamente relacionada à quantidade total de água e a quantidade total de Na+ que pode ser trocado de um tecido para o outro através do líquido celular, em todo o organismo. Por isso é também normalmente referida como EAH por diluição. Isso significa dizer que mesmo estando hiperhidratado, um indivíduo pode apresentar EAH devido à diluição da concentração de Na+, que se torna desproporcional para a quantidade de água que foi aumentada no plasma sanguíneo. Neste caso, nos referimos a hiponatremia como EAH por diluição hipervolêmica.

Quando a diluição da concentração de Na+ ocorre mesmo com a manutenção ou a redução de uma quantidade total de água normal no organismo, e a concentração de Na+ se torna desproporcional para a quantidade de água no plasma sanguíneo, temos um caso típico de EAH por diluição hipovolêmica. A EAH por diluição hipovolêmica é a variação mais comum de hiponatremia e está fortemente associada a exercícios físicos prolongados como maratonas, ultramaratonas, triatlo, ciclismo de estrada e maratonas aquáticas. Também está relacionada ao exercício no calor, em dias muito quentes e úmidos.

O excesso de ingestão de líquidos, sobretudo bebidas isotônicas, para prevenir ou evitar a câimbra muscular associada ao exercício (EAMC – exercise associated muscle crampies) também pode induzir um quadro de EAH por diluição. A recomendação de ingestão de grandes quantidades de bebida isotônica para a prevenção da EAMC estava associada à ideia de que estas eram provocadas pela desidratação. Mas alguns estudos recentes demonstraram que as câimbras podem ter origem no mecanismo de fadiga muscular, provocados por alterações no centro de controle motor (córtex motor e cerebelo) do sistema nervoso central, e não propriamente no estado de hidratação.

Por isso ingerir grandes quantidades de líquido pode ser uma boa estratégia para prevenir a desidratação, mas não necessariamente serve para prevenir a EAH por diluição comum durante a prática do exercício físico.

Pessoas com FC são mais propensas a sofrer hiponatremia?

Sim, pessoas com FC são mais propensas a desenvolver EAH durante exercícios físicos intensos e prolongados, ou durante a exposição a ambientes quentes e úmidos, conforme inúmeras evidências científicas comprovam.

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* Rodrigo Gonzaga Troyack de Lima é professor de Educação Física,Especialista em Fisiologia do Exercício, Especialista em Ciências da Atividade Física e Msc. em Ciências da Atividade Física.

Quer saber mais? Então acesse a Parte 2 dessa conversa com o Rodrigo Gonzaga Troyack de Lima clicando aqui.

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