Bronquiectasias – esse bicho morde? Por Sheyla Haun

Categoria: Central de Conteúdo - Postador por: Comunicação IUPV - Data: 18 de junho de 2020

Por Sheyla Haun, Fisioterapeuta do Centro de Referência de Fibrose Cística do Hospital Especializado Octávio Mangabeira e membro do Grupo Brasileiro de Estudos em Fibrose Cística (GBEFC)

A primeira vez que ouvi esse termo, ainda estudante de fisioterapia, imaginei que esse seria um nome bastante adequado àquelas cobrinhas na cabeça da medusa. Divagando acerca de que uma patologia com esse nome, imaginei deveria ser uma coisa assustadora.

Mas, estudando um pouco mais, descobri  que bronquiectasia é uma palavra de etimologia grega, bronchus (brônquios) e ektasis (dilatação) e mostra-se na prática como uma condição patológica persistente e progressiva, vista em todas as idades e caracterizada por uma destruição dos componentes elásticos e muscular da parede brônquica, bem como a dilatação anormal e permanente destas. O paciente apresenta uma expulsão crônica de secreção, originada de traquéia, brônquios e pulmões, através de episódios constantes de tosse.

A literatura usa basicamente duas terminologias para determinar a causa das bronquiectasias, aquelas decorrentes da Fibrose Cística e as que são causadas por outras patologias, denominadas não fibrocísticas. Existem diversas doenças que podem ocasionar o surgimento das bronquiectasias: Pneumonias de repetição, deficiência de imunoglobulinas, doenças auto-imunes, discinesia ciliar, doenças obstrutivas, reumatológicas e outras patologias que ocasionam processos inflamatórios e infecciosos pulmonares. Mas a apresentação é basicamente a mesma: muita secreção!!

Acontece que se nada for feito muitas outras coisas podem ocorrer em decorrência das bronquiectasias: infecções de repetição, exacerbações respiratórias, dispnéia, hemoptises (sangue no escarro), comprometimento da função pulmonar, redução da tolerância ao exercício e até às atividades de vida, comprometimento da musculatura periférica. Tudo isso pode acarretar uma redução da qualidade de vida e bem estar do paciente.

Nem todos os pacientes fibrocísticos tem bronquiectasias. O seu médico pode indicar exames bastante precisos para detectar a presença dessa alteração, se achar que os sintomas que você apresenta sejam compatíveis com a patologia. Mas uma vez que a bronquiectasia esteja presente o que se deve fazer??

A primeira coisa é entender que seu pulmão precisa estar o mais limpo possível, ou seja, livre de secreção. E para isso você deve caprichar nas técnicas de desobstrução brônquica que o fisioterapeuta do seu Centro de Referência já te ensinou (Drenagem Autógena, Ciclo Ativo da Respiração. Técnica de Expiração Forçada) e usar os instrumentos de fisioterapia respiratória que você tiver disponível (Shaker, EPAP, EltGol com bocal). Isso já vai ajudar bastante a melhorar a sensação de dispnéia e manter as vias aéreas livres e pérvias para a passagem do ar.

Exercícios físicos aeróbicos também são fundamentais para a melhora e manutenção de uma boa função pulmonar. Você pode fazer o que te agradar mais: caminhar, trotar, correr, funcional, zumba, dança. Desde que te dê prazer e você mantenha regularidade e constância na realização. 

Em alguns casos pode haver exacerbação e você pode precisar de um antibiótico, mas isso quem vai determinar é seu médico depois de uma criteriosa avaliação.

O mais importante é entender que as bronquiectasias são permanentes e os cuidados com o seu sistema respiratório também devem ser. Manter os pulmões livres de secreção vai proporcionar uma melhor respiração, melhor troca gasosa e, principalmente, melhor qualidade de vida!!

Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.

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