Estudo indica que crianças com fibrose cística que contraem covid-19 geralmente não desenvolvem a doença grave

Categoria: Central de Conteúdo - Postador por: Comunicação IUPV - Data: 30 de agosto de 2021

Um novo estudo de janeiro de 2021 indica que crianças com fibrose cística que são infectadas pelo vírus SARS-CoV-2 (que causa a covid-19), geralmente apresentam sintomas moderados.

Os achados do estudo também indicam que o risco de se desenvolver uma doença mais grave ocorre em crianças com fibrose cística que apresentam uma função pulmonar ruim, ou um baixo índice de massa corporal (IMC). 

A pesquisa se chama “Características clínicas da infecção por SARS-CoV-2 em crianças com fibrose cística: um estudo observacional internacional”, e foi publicado no Journal of Cystic Fibrosis

Desde o início da pandemia causada pela covid-19 há um esforço conjunto dos cientistas de todo o mundo para entender melhor o novo vírus e seu efeito no corpo humano. Os dados indicavam que as pessoas com doenças pulmonares pré-existentes, como a fibrose cística, poderiam ter um fator de risco aumentado na covid-19.

Agora, o time de pesquisadores internacionais publicaram resultados da infecção por SARS-CoV-2 em 105 crianças com fibrose cística de 13 países diferentes: Reino Unido, Estados Unidos, Argentina, Brasil, Chile, França, Alemanha, Itália, Rússia, África do Sul, Espanha, Suécia e Suíça. 

“Em um esforço inovador de toda a comunidade de fibrose cística do mundo, nós coletamos dados vitais durante a pandemia global”, disse Rebecca Cosgriff, uma das co-autoras do estudo e diretora de qualidade dos dados e melhorias no Cystic Fibrosis Trust do Reino Unido, em um comunicado à imprensa.  

“Esse projeto global nos ajuda a esclarecer os resultados de pessoas com fibrose cística após terem contraído a covid-19, juntando evidências necessárias, e ajudando a comunidade  a realizar escolhas com base na melhor informação disponível”, adicionou Robbie Bain, um co-autor da Universidade de Newcastle no Reino Unido. 

A mediana da idade das crianças analisadas foi de 10 anos, e 54% delas eram homens. Nenhuma criança do estudo estava na fila de transplante pulmonar, embora  duas delas tivessem  sido transplantadas (uma para pulmão e outra para fígado). Além disso, 50 crianças estavam sendo tratadas com moduladores de CFTR (uma classe de medicamentos que funcionam para corrigir os defeitos moleculares que causam a fibrose cística). 

Em aproximadamente 25% das crianças, a infecção por SARS-CoV-2 foi assintomática, e elas não apresentavam nenhum sintoma detectável de infecção. Entre as crianças que desenvolveram sintomas, os mais comuns foram febre (73%) e uma mudança no padrão da tosse (72%). Aproximadamente 23% das crianças sintomáticas tiveram sintomas gastrointestinais. Outros sinais menos frequentes incluem dor de cabeça, fadiga, perda da sensibilidade ao cheiro e coriza. Esses sintomas são similares aos reportados por outras crianças que não têm a doença.

Setenta e um por cento (71%) das crianças foram tratadas em casa. As outras, precisaram de hospitalização. “A internação foi usada como o mais alto grau de gravidade em nosso estudo.”, disseram os pesquisadores. Seis crianças hospitalizadas precisaram de oxigênio suplementar e três precisaram de alguma forma de ventilação. Nenhuma criança recebeu tratamento experimental para covid-19. 

“Achados do nosso estudo global mostram de forma tranquilizadora, que poucas crianças ficaram seriamente doentes depois de contrair a covid-19”, disse Malcolm Brodlie, co-autor do estudo, da Universidade de Newcastle. “Nós esperamos que esses resultados tragam segurança para a comunidade, e nós continuaremos monitorando novos dados e aprendendo mais informações sobre a covid-19 e a fibrose cística.”, acrescentou Rebecca Cosgriff. 

Após a análise estatística, os pesquisadores encontraram diferenças significativas entre as crianças que foram hospitalizadas daquelas que não foram. As crianças internadas apresentaram menor função pulmonar (acessada pelo volume expiratório forçado – FEV1) e menor IMC (razão entre o peso corporal e a altura).

Significativamente, poucas crianças que estavam em tratamento com moduladores CFTR foram internadas. Entretanto, essa informação deve ser analisada com cautela, uma vez que crianças de diferentes países participaram, e nem todas têm acesso aos medicamentos. 

“É importante ressaltar que essas comparações são analisadas de forma cautelosa e ainda estão sendo exploradas”, disse o pesquisador, que ainda adicionou que “é também um alerta, o fato de que algumas crianças foram testadas para SARS-CoV-2, mas deram entrada no hospital por outros motivos.” 

Nenhuma morte foi atribuída a covid-19. Houve um falecimento enquanto o estudo estava sendo realizado, mas o mesmo foi atribuído a outras condições. Todos os outros casos  – exceto duas crianças – estavam curados, enquanto os dados estavam sendo escritos. 

“Os achados sugerem que a infecção por SARS-CoV-2 em crianças com fibrose cística é normalmente associada a um estado mais moderado da doença, naquelas que não apresentem uma doença pulmonar grave pré-existente”, concluem os autores. 

“Entretanto, mais estudos são necessários para entender por completo os impactos dessa nova doença”, acrescentou Marshall. “Nós continuamos a encorajar todas as pessoas que vivem com fibrose cística a continuar com as precauções para evitar a exposição ao vírus e a trabalhar diretamente com a equipe médica para avaliar o seu risco pessoal durante este período.”

Clique aqui e confira o episódio inédido do podcast Conexão Fibrose Cística sobre os impactos da covid-19 entre as pessoas com fibrose cística.

Fonte: Essas informações foram retiradas em 04/03/2021 do site https://cysticfibrosisnewstoday.com/2020/12/10/cf-children-with-covid-19-usually-do-not-develop-serious-disease-study-finds/ 

Traduzido por Mariana Camargo, biomédica, PhD e mãe da Sofia, diagnosticada com fibrose cística.

Revisão: Verônica Stasiak Bednarczuk de Oliveira, fundadora e diretora executiva do Unidos pela Vida, diagnosticada com fibrose cística aos 23 anos. Psicóloga, especialista em análise do comportamento, tem MBA em Direitos Sociais e Políticas Públicas e Mestranda em Ciências Farmacêuticas com ênfase em Avaliação de Tecnologias de Saúde pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.

Você vai gostar também...

Newsletter

Assine o nosso boletim informativo mensal. Clique aqui