Fazer história ou ser apenas mais um? | Por Rafaeli Dallabrida

Categoria: Central de Conteúdo - Postador por: Comunicação IUPV - Data: 14 de agosto de 2021

Por Rafaeli Dallabrida, estudante de psicologia e diagnosticada com fibrose cística

Quem somos e onde queremos chegar?

Você já parou para pensar no quanto nos preocupamos com o depois? Como vivemos com inseguranças e medos desse amanhã e acabamos esquecendo de viver intensamente o agora? Pois é, fazendo isso acabamos apagando o presente sem mesmo perceber, algo que considero muito preocupante. 

Pensar assim na vida é como pensar em ver um seriado ou filme que retrata uma história e que quando chega ao fim pensamos no “E depois?“. Ficamos idealizando um segundo filme ou mais uma temporada pois nunca estamos preparados para aceitar um fim. Um claro exemplo disso é o filme “A culpa é das estrelas”, que nos deixa sem resposta sobre o que acontece com Hazel após a perda do Augustus.

E assim é a vida. Ela é formada por coisas sem respostas, pessoas que partem e não vamos saber mais das suas vidas depois, e assim vivemos com medo do inesperado, deixando de viver o presente.  

Precisamos viver cada segundo como se fosse o único. Infelizmente, só quando acontece algo triste ou quando vemos algo que nos sensibiliza mais, como por exemplo perder um ente querido ou ver alguém com uma doença terminal nas telinhas, que acabamos pensando “E se fosse comigo, o que eu faria nós últimos dias ou meses que me restam?”. É uma pena que não pensamos assim todos os dias, tenho certeza que se convivêssemos mais com esse pensamento poderíamos aproveitar mais a vida, dando o devido valor as mais simples e valiosas dádivas da nossa existência.

Acredito muito que realmente não é apenas da boca pra fora que as pessoas falam que aqueles que se vão jovens viveram muito mais do que aqueles que estão com 90 anos de vida, afinal, quando se tem uma doença como a fibrose cística, estamos constantemente escutando que precisamos continuar na luta todos os dias, realizando o tratamento para poder viver e viver bem. Parece que o tic-tac do relógio bate mais forte na nossa porta, fazendo com que a gente realmente deixe nossos medos de lado e busque realizar todos os nossos desejos e sonhos.

Aproveitamos cada saída, cada momento, cada raio de sol, pois não queremos que restem desejos ou um coração pesado de guardar mágoas da vida. A gente só olha pra vida e vive. Tendo medo ou não, a gente apenas vive e aproveita cada segundo.

Por isso eu digo que temos que impactar e não ser apenas mais um. Se não fizermos história ou ao menos mudarmos a vida de uma pessoa com a nossa existência, não faz sentido ter vivido. Isso faz com que a gente não aproveite esse presente precioso de Deus. Eu apenas agradeço, afinal, ter fibrose cística não é um castigo ou falta de fé como se escuta muito das pessoas quando se referem a alguém que tem alguma doença ou outros problemas da vida. Existem “porquês?” que nunca serão explicados, então gosto de acreditar que a cada desafio não é um motivo para desistir, mas sim um novo recomeço.

Busco acreditar que não é uma questão de estar preparado ou não, ter medo desse momento ou não, mas sim de saber valorizar o presente e o tempo precioso de cada dia. Viver é algo louco, mas mais louco ainda é deixar de viver intensamente por medo.

Então não procure dar pausas nas cenas da vida, mas eternizar os momentos bons para sempre. Uma vez que a minha vida for capaz de tocar e mudar a realidade de alguém eu estarei feliz, e assim vou saber que serei eternizada, afinal, quem faz a diferença através de pequenos atos se torna muito grande.

Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.

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