Nutrição na Fibrose Cística – III Congresso Brasileiro de FC

Muito já foi dito sobre importância da nutrição para os pacientes com Fibrose Cística, mas, a cada novo congresso, as pesquisas avançam e mostram de forma muito clara as relações que existem entre um bom aporte nutricional e a função pulmonar, que é fator de grande preocupação para todos nós.

Por isso traremos abaixo informações e dicas importantes transmitidas no III Congresso Brasileiro de FC.

  • O estado nutricional do paciente com FC tem relação direta com sua função pulmonar, se temos um bom estado nutricional conseqüentemente teremos um menor comprometimento pulmonar.
  • O estado nutricional na primeira infância terá uma repercussão na função pulmonar por toda a vida. Quanto mais cedo restabelecermos uma boa curva de crescimento melhor relação teremos com a função pulmonar.
  • A curva de crescimento ideal para o paciente com FC deverá ser específica e tomar vários parâmetros diferentes para chegar a uma conclusão final de boa nutrição ou desnutrição. Atualmente já existe curva de crescimento e IMC específicos para quem tem FC.
  • O parâmetro altura parece ser um fator mais importante do que o peso para avaliar o estado nutricional de uma criança com FC. Ao que tudo indica o hormônio do crescimento de tem relação direta com a estatura também tem relação direta na constituição e desenvolvimento pulmonar na infância. Pacientes com FC desnutridos tem pulmões menores.
  • Sobre as enzimas sempre é reforçado que a adesão é de extrema importância. A dose de enzimas não é exata e por isso os pais ou pacientes devem ser muito bem instruídos sobre como ajustar a dose de acordo com sua refeição ou lanche. Respeitando a dose por refeição ou diária prescrita pelo médico, o paciente deverá dividir sua dose de acordo com o teor de gordura da sua alimentação. Por exemplo, caso um determinado lanche seja mais gorduroso que seu almoço habitual a sua dose de enzimas no lanche deverá ser maior que no almoço. Essa dica serve, por exemplo, para aquele dia que você vai a um fast food.
  • As enzimas deverão ser administradas simultaneamente com os alimentos, de preferência imediatamente antes, caso o processo de alimentação seja muito demorado, no caso em que a mãe passa muito tempo insistindo para a criança comer a dose da enzima deve ser fracionada, uma metade sendo administrada antes e a outra no meio da refeição. No caso de alimentação noturna por gastrostomia a enzima pede ser administrada de preferencialmente antes e no meio do processo, caso isso cause transtorno no período de sono dos pais e/ou paciente pode ser usada a estratégia da administração antes e imediatamente após o término da alimentação.
  • Não é necessário a tomada de enzimas antes de frutas (a única fruta que necessita da administração de enzima é o abacate), refrigerantes, açúcar e mel.
  • As enzimas devem ser administradas fechadas. Só é permitido abri-las para dá-las a crianças que não conseguem engoli-las. Quando as microesferas da enzima são colocadas na boca fora da cápsula, deve-se observar, ao final da refeição, se não ficaram microesferas na boca. As microesferas podem provocar queimaduras e pequenas ulcerações na mucosa. As cápsulas e microesferas nunca devem ser mastigadas ou trituradas. Isso remove o seu revestimento e faz com que as enzimas sejam desativadas ainda no estômago, perdendo completamente seu efeito.
  • Quando o paciente está bem adaptado a uma marca de enzimas deve-se evitar a troca da marca, pois isso pode gerar algum tipo de reação adversa, mas essa reação pode ser temporária e apenas fazer parte de um período de readaptação.
  • Em caso de esteatorréia persistente o médico ou nutricionista devem considerar: a adesão ao tratamento, a introdução de um inibidor de secreção gástrico, a dosagem de gordura fecal, outras doenças coexistentes e lembrar que nunca haverá ausência de perda de gordura nas fezes.
  • A necessidade de reposição diária de sódio deverá ser calculada para cada paciente. Os pais ou pacientes devem está sempre atentos para sinais de hiponatremia (queda na taxa de sal). Nos casos de diarréia intensa, sudorese excessiva (chamamos atenção para locais de temperatura mais quente) e vômitos prolongados a atenção deve ser redobrada.
  • A diminuição da vitamina A também está relacionada à redução da função pulmonar.
  • As crianças ou adultos que tomam pouco ou nenhum sol devem ter sua suplementação de vitamina D incrementada.
  • Não se deve suplementar ferro de rotina, só quando extremamente necessário, pois o ferro é suplementação também para Pseudomonas aeruginosa.
  • Em alguns momentos, no crescimento, do portador de FC deveremos ter uma atenção especial: do nascimento ao primeiro ano de vida para os pacientes diagnosticados na triagem neonatal e no período pré-puberal (nas meninas dos 9 aos 16 anos e nos meninos dos 12 aos 18 anos).
  • A adequação no percentil do IMC aos 2 anos de idade está fortemente associada a melhor função pulmonar mais tarde. O percentil ideal para a criança com FC é 50. Aquelas que estão com percentil menor que 25 podem estar em risco nutricional e devem ser acompanhadas mais de perto com avaliações e intervenções apropriadas.
  • Crianças com FC podem parecer saudáveis, mas podem ser desnutridas e não atingem peso nem altura compatíveis com a idade.
  • As crianças que não tem apetite, não deverão ser forçadas ou submetidas à pressão para comer, isso pode até piorar a situação. Os pais juntamente com os profissionais da equipe devem traçar estratégias para aumentar o apetite e tornar o momento da alimentação um momento de prazer e não de tortura.

Nota importante: As informações aqui contidas tem cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas.