Unidos pela Vida lança relatório inédito sobre a Jornada do Cuidado na Fibrose Cística na Primeira Infância

Comunicação IUPV - 11/06/2026 09:30

A primeira infância, período que compreende os primeiros seis anos de vida de uma criança, é uma fase importante para o desenvolvimento humano. Quando esse período é atravessado pelo diagnóstico de uma doença genética, rara e crônica como a fibrose cística, a rotina familiar se transforma por completo. Para compreender a fundo essa realidade, o Instituto Unidos pela Vida apresenta o relatório inédito da pesquisa “Jornada do Cuidado na Fibrose Cística na Primeira Infância: perspectivas de cuidadores de crianças até 6 anos no Brasil”.

Coordenado por Verônica Stasiak Bednarczuk de Oliveira e Vinícius Bednarczuk de Oliveira, o estudo mapeou de forma detalhada o quotidiano, os desafios financeiros, o impacto na saúde mental e as transformações trazidas pelas novas tecnologias em saúde na vida de quem se dedica integralmente ao cuidado dessas crianças. Os dados recolhidos trazem à luz um cenário de extrema dedicação, mas também de invisibilidade e sobrecarga que necessita de atenção urgente do poder público e da sociedade civil.

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Principais Descobertas do Relatório

1. A Centralização do Cuidado e o Impacto de Gênero

Os resultados da pesquisa confirmam que o cuidado de crianças com fibrose cística no Brasil tem rosto de mulher e de mãe. De acordo com o relatório, 89,2% dos cuidadores principais são as mães, com uma média de idade de 33 anos.

Esse dado torna-se ainda mais alarmante quando analisado sob a ótica do mercado de trabalho e da independência financeira: 100% dos pais (homens) entrevistados relataram estar empregados, enquanto apenas 43,2% das mães conseguem manter um vínculo profissional ativo. A necessidade de abandonar a carreira para dar conta da complexa rotina de tratamentos evidencia um forte impacto de género e a desestruturação dos planos de vida dessas mulheres.

2. A Carga Horária Oculta e as Barreiras Geográficas

A rotina terapêutica da fibrose cística na primeira infância exige uma disciplina rigorosa que envolve fisioterapia respiratória, inalações, monitorização de sintomas e administração frequente de enzimas e medicamentos. Em média, os cuidadores dedicam 3 horas e 45 minutos por dia exclusivamente aos cuidados directos com a saúde da criança.

Somando-se à carga horária diária, existem as barreiras geográficas. Como o tratamento exige um acompanhamento especializado, as famílias precisam de se deslocar frequentemente até aos Centros de Referência. A pesquisa revelou que os cuidadores percorrem uma distância média de 112,6 km (apenas ida) para garantir o acesso às consultas e exames necessários, o que acentua o cansaço físico e o tempo despendido na jornada.

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3. O Impacto Profundo na Saúde Mental de Quem Cuida

A combinação entre uma rotina ininterrupta de tratamentos, o medo de complicações clínicas e a falta de uma rede de apoio estruturada cobra um preço alto à saúde mental dos familiares.

O estudo aponta que 67,5% dos participantes apresentam níveis de sobrecarga que variam de moderados a severos. Essa exaustão contínua reflete diretamente em diagnósticos clínicos: 75,9% dos cuidadores afirmaram conviver com algum grau de ansiedade ou depressão. O dado reforça a necessidade urgente de que as políticas de saúde e os Centros de Referência olhem não apenas para o paciente, mas também para o bem-estar psicológico de quem sustenta o cuidado.

4. O Custo Invisível da Doença

Embora o Sistema Único de Saúde (SUS) garanta uma parte importante das tecnologias e medicamentos essenciais, a fibrose cística ainda gera um impacto financeiro indirecto expressivo no orçamento doméstico. Entre gastos com deslocações, alimentação especial, suplementos alimentares e medicamentos que não estão disponíveis na rede pública, as famílias despendem, em média, R$ 434,66 por mês de forma particular. Para muitas realidades brasileiras, esse valor compromete significativamente a subsistência familiar.

5. A Revolução dos Moduladores na Rotina Familiar

Um dos pontos de maior destaque do relatório é o impacto das novas terapias de precisão, especificamente os moduladores da proteína CFTR, como a combinação elexacaftor/tezacaftor/ivacaftor (Trikafta®).

Para as famílias cujas crianças já têm acesso a essa tecnologia, a transformação foi nítida: 90% dos cuidadores relataram melhorias substanciais na qualidade de vida da criança após o início do tratamento. Além do ganho clínico direto para o paciente, o uso dos moduladores refletiu-se na saúde de toda a família, demonstrando uma redução significativa na proporção de sobrecarga moderada a severa entre os cuidadores. O dado comprova que investir em medicamentos eficazes é também uma forma de aliviar a carga social e emocional que pesa sobre os lares.

O Instituto Unidos pela Vida agradece a cada cuidador e cuidadora que dedicou o seu tempo para responder à pesquisa, permitindo que estas realidades fossem mapeadas e transformadas em dados de alto valor científico.

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Nota importante: As informações aqui contidas têm cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e/ou o tratamento médico. Em caso de dúvidas, fale com seu médico.