O que é bronquiolite?
Comunicação IUPV - 19/06/2026 09:52Com a chegada dos meses mais frios, entre maio e julho no hemisfério sul, as infecções respiratórias tornam-se um desafio para as famílias (Bhatia, 2026). Para os pais de crianças com fibrose cística e outras comorbidades, esse período exige atenção redobrada, pois o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é a principal causa de hospitalização por infecção respiratória em lactentes (Andrade et al., 2026).

A bronquiolite é uma infecção viral que inflama os bronquíolos, as menores vias aéreas dos pulmões, dificultando a passagem do ar (Bhatia, 2026). Ela é caracterizada por inflamação aguda, edema e necrose das células epiteliais que revestem essas vias, além do aumento da produção de muco (AAP, 2006). A doença afeta principalmente crianças com menos de 24 meses de idade, sendo a causa mais comum de infecção do trato respiratório inferior nessa faixa etária (Bhatia, 2026; Andrade et al., 2026).
Sintomas e Diagnóstico
Como os pais podem identificar os primeiros sinais?
A bronquiolite geralmente começa com sintomas semelhantes aos de um resfriado comum (Bhatia, 2026). Os sinais iniciais incluem:
- Coriza e espirros;
- Tosse leve;
- Febre baixa, embora nem sempre esteja presente.
Quais são os sinais de alerta para ida imediata ao pronto-socorro?
Os pais devem buscar ajuda médica imediatamente se a criança apresentar sinais de dificuldade respiratória Fique atento aos seguintes sinais de perigo (Bhatia, 2026; AAP, 2006):
- Respiração rápida e superficial (taquipneia);
- Retrações: a pele “afunda” entre as costelas ou na base do pescoço ao respirar;
- Batimento de asa de nariz: as narinas se alargam intensamente a cada respiração;
- Cianose: coloração azulada ou acinzentada ao redor da boca ou unhas;
- Apneia: breves pausas na respiração, comuns em bebês prematuros ou menores de dois meses.
Como o médico realiza o diagnóstico?
O diagnóstico da bronquiolite é essencialmente clínico, baseado no histórico e no exame físico detalhado (Bhatia, 2026; AAP, 2006):
- Avaliação médica: o médico observa o esforço respiratório e escuta os pulmões em busca de sibilos ou crackles;
- Oximetria de pulso: utilizada para medir os níveis de oxigênio no sangue;
- Exames complementares: em casos graves, pode ser coletado muco nasal para identificar o VSR no laboratório.
Tratamento: cuidados e suporte
Não existe um tratamento medicamentoso específico contra o VSR; o manejo é focado em medidas de suporte (Gashti et al., 2024; AAP, 2006).
- Em casa: o foco é a hidratação adequada e medidas para aumentar o conforto do bebê (Bhatia, 2026; AAP, 2006).
- No hospital: a internação é necessária se houver necessidade de oxigenoterapia ou hidratação por via intravenosa caso o bebê não consiga mamar (Bhatia, 2026; AAP, 2006).
Importante: Antibióticos não devem ser usados rotineiramente, a menos que haja evidência de uma infecção bacteriana coexistente (AAP, 2006).
O grande vilão: O Vírus Sincicial Respiratório (VSR)
O VSR é o principal agente etiológico da bronquiolite, sendo responsável por até 75% dos casos durante os períodos sazonais (Ministério da Saúde, 2026; Gashti et al., 2024). Para bebês com fibrose cística, o VSR é especialmente perigoso pois eles possuem maior predisposição para desenvolver formas graves da doença. A obstrução causada pelo muco e pela inflamação pode levar a complicações sérias, como atelectasias e danos pulmonares irreversíveis (Gashti et al., 2024).
Opções de imunização (Anticorpos Monoclonais):
- Palivizumabe: imunoglobulina que impede a replicação viral, administrada em 5 doses mensais durante a sazonalidade (Gashti et al., 2024; Ministério da Saúde, 2026).
- Nirsevimabe: tecnologia mais recente e potente, administrada em dose única que oferece proteção por até seis meses (Gashti et al., 2024; Ministério da Saúde, 2026). O nirsevimabe demonstrou reduzir em mais de 80% as hospitalizações por VSR em contextos de vida real (Andrade et al., 2026).
Vacinação Materna:
A gestante pode receber a vacina contra o VSR entre a 32ª e a 36ª semana de gravidez. Essa imunização permite a transferência de anticorpos para o bebê através da placenta, garantindo proteção nos primeiros meses de vida (Ministério da Saúde, 2026).
Acesso no SUS: como garantir?
O Ministério da Saúde incorporou novas tecnologias para ampliar a proteção infantil no Sistema Único de Saúde (SUS) (Ministério da Saúde, 2026).
- Cenário Atual: O nirsevimabe (dose única) foi incorporado e passou a ser ofertado no SUS desde fevereiro de 2026 (Ministério da Saúde, 2026).
- Quem tem direito? Crianças com fibrose cística com idade inferior a 24 meses têm indicação garantida para receber a imunização (Ministério da Saúde, 2026).
- Como acessar? Para garantir o acesso, os pais devem apresentar documentação que comprove a condição clínica (relatório ou laudo médico) em um CRIE (Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais) ou maternidades públicas habilitadas (Ministério da Saúde, 2026).
Conclusão
A prevenção da bronquiolite em bebês com fibrose cística depende da combinação de imunização e cuidados rigorosos de higiene, como a lavagem das mãos e o uso de álcool em gel (Ministério da Saúde, 2026; AAP, 2006). Além disso, a exposição ao tabagismo passivo deve ser evitada a todo custo, pois aumenta significativamente o risco de infecção grave (AAP, 2006).
Mantenha o diálogo aberto com a equipe multidisciplinar do seu centro de referência para assegurar que seu bebê receba todas as proteções disponíveis e acompanhamento adequado (Ministério da Saúde, 2026).
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Nota importante: As informações aqui contidas têm cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e/ou o tratamento médico. Em caso de dúvidas, fale com seu médico.
Referências
ANDRADE, Isla Kelly Alves de et al. Bronquiolite Viral Aguda e Imunização passiva: A eficácia das novas imunizações passivas na prevenção de casos graves pelo Vírus Sincicial Respiratório. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 8, n. 1, p. 1069-1074, 2026. Disponível em: https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/7028. Acesso em: 08 jun. 2026.
BHATIA, Rajeev. Bronquiolite. Manual MSD: Versão Saúde para a Família. Rahway, NJ: Merck & Co., Inc., mar. 2026. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/casa/problemas-de-sa%C3%BAde-infantil/dist%C3%BArbios-respirat%C3%B3rios-em-beb%C3%AAs-e-crian%C3%A7as/bronquiolite. Acesso em: 08 jun. 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento do Programa Nacional de Imunizações. Estratégia de imunização contra o vírus sincicial respiratório para crianças prematuras e com comorbidades: anticorpo monoclonal. 1. ed. rev. Brasília: Ministério da Saúde, 2026. 44 p. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/guias-e-manuais/2026/guia-de-estrategia-contra-virus-sincicial-para-criancas-prematuras.pdf/view. Acesso em: 08 jun. 2026.
GASHTI, Sarah Menezes et al. Nirsevimabe – anticorpo monoclonal na prevenção contra bronquiolite viral aguda. Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 7, n. 3, p. 01-10, maio/jun. 2024. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/70649/49736. Acesso em: 08 jun. 2026.
SUBCOMMITTEE ON DIAGNOSIS AND MANAGEMENT OF BRONCHIOLITIS. Clinical Practice Guideline: Diagnosis and Management of Bronchiolitis. Pediatrics, v. 118, n. 4, p. 1774-1793, 2006. Disponível em: https://publications.aap.org/pediatrics/article/118/4/1774/69020/Diagnosis-and-Management-of-Bronchiolitis. Acesso em: 08 jun. 2026.