A fibrose cística pode causar alterações na ovulação?

Comunicação IUPV - 22/07/2026 09:30

Em mulheres com ciclo menstrual regular, a ovulação, caracterizada pela liberação do óvulo pelo ovário, costuma ocorrer cerca de 14 dias após o início da menstruação. No caso de mulheres diagnosticadas com fibrose cística, esse processo pode ser diferente?

Mulheres com fibrose cística que apresentam má nutrição, baixo peso corporal e função pulmonar comprometida podem sofrer com a ausência ou irregularidade menstrual. Essas questões também podem interferir na ovulação, aspecto que pode trazer desafios quando decidem engravidar.

De acordo com a médica da Unidade de Saúde da Mulher do Hospital Universitário de Brasília, Dra Lívia Custódio, há relatos na literatura de que mulheres com fibrose cística podem ter mais ciclos anovulatórios em comparação com as que não têm a doença.

“Mulheres anovulatórias podem ter níveis elevados de testosterona e níveis mais baixos de estrogênio e progesterona com folículos normais por ultrassonografia, padrão diferente das pessoas sem a doença que apresentam a síndrome dos ovários policísticos. As mulheres com ciclos anovulatórios que desejam gestação devem procurar um especialista em reprodução humana, pois há intervenções possíveis a serem feitas a fim de obter a gestação”, afirmou.

Fertilidade e fibrose cística

É importante ressaltar que a maioria das mulheres com fibrose cística pode engravidar e ter uma gestação normal. Embora, em alguns casos, a puberdade e o ciclo menstrual possam ser irregulares, quando há bom controle da doença, a fertilidade geralmente não é comprometida, e a experiência de gestação tende a ser positiva.

No Brasil, nos últimos anos, é possível observar um crescimento no número de mulheres com fibrose cística que engravidam. De acordo com o Registro Brasileiro de Fibrose Cística (REBRAFC), em 2021, 9 pacientes ficaram grávidas. Em 2022, esse número subiu para 13, e em 2023 foram 28 relatos no documento criado pelo Grupo Brasileiro de Estudos de Fibrose Cística (GBEFC).

Para o biólogo e diretor de Políticas Públicas e Advocacy do Instituto Unidos pela Vida, Cristiano Silveira, com o avanço no tratamento para a fibrose cística mundialmente, a expectativa é que esses dados melhorem cada vez mais.

“Especialmente por conta do acesso aos moduladores e ao acompanhamento interdisciplinar, cada vez mais mulheres com fibrose cística têm alcançado melhores condições de saúde, o que amplia as possibilidades em relação à fertilidade e à gestação. No entanto, ainda são necessários mais estudos para que possamos compreender plenamente esses impactos e garantir orientações cada vez mais seguras e individualizadas para essas pacientes.”

Para saber mais sobre a fertilidade em mulheres com fibrose cística, clique aqui. Em caso de dúvidas e orientações específicas sobre o seu caso ou da sua familiar diagnosticada com a doença, converse com a equipe médica que realiza o acompanhamento no Centro de Referência ou com um profissional da ginecologia.

Por Kamila Vintureli

Referências: 

GRUPO BRASILEIRO DE ESTUDOS DE FIBROSE CÍSTICA (GBEFC). Registro Brasileiro de Fibrose Cística – REBRAFC 2021. Disponível em: https://portalgbefc.org.br/ckfinder/userfiles/files/Rebrafc_2021_REV_fev24.pdf. Acesso em: 18 mar. 2026.

GRUPO BRASILEIRO DE ESTUDOS DE FIBROSE CÍSTICA (GBEFC). Relatório do Registro Brasileiro de Fibrose Cística – 2022. Disponível em: https://portalgbefc.org.br/ckfinder/userfiles/files/Relatorio_2022_final_jan26.pdf. Acesso em: 18 mar. 2026.

GRUPO BRASILEIRO DE ESTUDOS DE FIBROSE CÍSTICA (GBEFC). Registro Brasileiro de Fibrose Cística – REBRAFC 2023. Disponível em: https://portalgbefc.org.br/ckfinder/userfiles/files/REBRAFC_2023.pdf. Acesso em: 18 mar. 2026.

GUR, Mi; POLLAK, M; BAR-YOSEPH, R; BENTUR, L. Pregnancy in Cystic Fibrosis—Past, Present, and Future. Journal of Clinical Medicine, v. 12, n. 4, p. 1468, 12 fev. 2023. DOI: 10.3390/jcm12041468. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC9963833/. Acesso em: 18 mar. 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. Conheça os impactos físicos do processo de ovulação. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2023/janeiro/conheca-os-impactos-fisicos-do-processo-de-ovulacao. Acesso em: 18 mar. 2026.

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Nota importante: As informações aqui contidas têm cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e/ou o tratamento médico. Em caso de dúvidas, fale com seu médico.