Abordagem baseada em nanocorpos pode melhorar significativamente o tratamento da fibrose cística

Instituto Unidos pela Vida - 05/10/2026 09:00

Um nanocorpo recém-desenvolvido pode ampliar significativamente as opções de tratamento para a fibrose cística. Pesquisadores da Universidade Charité – Berlin desenvolveram, pela primeira vez, um fragmento de anticorpo capaz de penetrar nas células e atuar diretamente em seu interior. Ele estabiliza e melhora funcionalmente o canal CFTR, que frequentemente apresenta defeitos na fibrose cística. Os resultados do estudo e com titulo “Um nanocorpo permeável a células para restaurar a atividade do regulador de condutância transmembrana da fibrose cística (CFTR) com a mutação F508del” foram publicados na revista cientifica  Nature Chemical Biology.

Uma nova abordagem complementar às terapias existentes

Na maioria dos casos, a fibrose cística é causada pela mutação conhecida como F508del no gene CFTR. Essa mutação leva ao dobramento incorreto da proteína do canal CFTR, fazendo com que ela seja degradada prematuramente dentro da célula. Como resultado, o transporte de água e sais é prejudicado, levando ao acúmulo de muco espesso nos pulmões, o que favorece infecções crônicas e inflamação.

Os moduladores da CFTR — particularmente a terapia tripla composta por elexacaftor, tezacaftor e ivacaftor — já conseguem melhorar significativamente a função do canal. No entanto, nem todos os pacientes respondem de forma satisfatória a esse tratamento, e a restauração completa da função do CFTR geralmente não é alcançada.

Nanocorpo estabiliza o CFTR dentro da célula

O nanocorpo recém-desenvolvido atua diretamente sobre o defeito subjacente: ele se liga à proteína CFTR com dobramento incorreto no interior da célula e auxilia em seu dobramento correto. Utilizando peptídeos de penetração celular, o fragmento de anticorpo consegue entrar nas células epiteliais das vias aéreas.

Em modelos celulares derivados de pacientes com fibrose cística, o nanocorpo demonstrou estabilizar o canal defeituoso e restaurar sua função. Quando combinado com a terapia tripla já estabelecida, observou-se um forte efeito sinérgico: a atividade do CFTR aumentou para aproximadamente 90% dos níveis normais em condições experimentais.

“Por meio desse novo mecanismo de ação, a função do CFTR pode ser corrigida de forma muito mais eficaz quando combinada com os moduladores existentes”, explica Marcus Mall, diretor do Departamento de Pediatria (com foco em Pneumologia, Imunologia e Medicina Intensiva) da Charité. “Nossos resultados sugerem que, no futuro, poderá ser possível alcançar até mesmo uma normalização quase completa da função do CFTR”.

No entanto, são necessárias mais pesquisas antes da aplicação clínica. Os principais desafios incluem o desenvolvimento de formulações inalatórias adequadas, bem como estudos sobre a eficácia in vivo e a compatibilidade imunológica.

Além da fibrose cística, essa abordagem pode ter uma relevância mais ampla: terapias intracelulares baseadas em nanocorpos poderiam abrir novos caminhos para o tratamento de doenças causadas pelo dobramento incorreto de proteínas, para as quais existem atualmente poucas terapias eficazes.

Artigo traduzido pela Dra. Mariana Camargo para o Instituto Unidos pela Vida em 06/08/2026: https://dzl.de/en/news/nanobody-based-approach-could-significantly-improve-the-treatment-of-cystic-fibrosis/

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Nota importante: As informações aqui contidas têm cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e/ou o tratamento médico. Em caso de dúvidas, fale com seu médico.